Manifesto (Kit Fora da Caixa)

Alex Bretas
Jun 24, 2015 · 4 min read

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Desafiar o existente para provocar o emergente

Escrever um manifesto é fazer um chamado para a ação, seja para si mesmo ou voltado para alguma coletividade. Dos clássicos como o Manifesto Comunista até os manifestos tipográficos inspiracionais que se disseminaram pela internet, o que se mantém constante é o caráter provocativo que desafia nossas crenças de um modo “direto ao ponto”.

Por quê?

Há séculos os manifestos têm sido utilizados para comunicar a essência de desejos de mudança de diversas comunidades. Zach Sumner diz da seguinte forma:

“Por fazer as pessoas perceberem a fenda que existe entre os princípios manifestados e a sua realidade atual, o manifesto desafia premissas, estimula o engajamento e provoca transformação”.

Sendo assim, os manifestos são ótimos instrumentos para sintetizar intenções e comunicá-las ao mundo. São, como Sumner afirma, médiuns pelos quais o presente pode se corresponder com futuro.

A etimologia da palavra manifesto remonta ao latim manifestum, que pode significar claro ou notável. Essas qualidades dão o tom da maioria dos manifestos já publicados. Trazer à tona um sentimento de mudança por meio de um manifesto, então, quer dizer tornar claro e fazer-se notar princípios, chamados, motivações, valores e crenças sobre determinado contexto.

Como?

Em minha pesquisa sobre manifestos, ficou claro que no Brasil não cultivamos a cultura de escrevê-los — ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, por exemplo, em que se proliferam os manifestos pessoais. Vários materiais que encontrei em português restringiam o manifesto a um gênero textual estudado nas aulas de português. Tenho a convicção de que estamos falando de algo muito mais incrível que isso.

Os manifestos pessoais são escritos por indivíduos e se voltam para eles mesmos — algo como uma declaração de valores e intenções particular. Qualquer um pode escrever o seu próprio manifesto, e fazê-lo pode ser uma ótima ferramenta de autoconhecimento. Também existem os manifestos coletivos (o Manifesto Futurista e o Holstee Manifesto, dentre inúmeros exemplos), voltados para grupos específicos. Os temas são diversos e podem abarcar política e sociedade, tecnologia, arte, educação, ciência etc. Os formatos também variam: listas de princípios e/ou valores, textos ou letterings, vídeos, dentre outros.

Se você é ativista por alguma causa ou pretende ser, está em suas mãos o poder de articular a elaboração de um manifesto coletivo.

Seja para você ou para o mundo, existem algumas dicas sobre como criar manifestos. Geoff McDonald escreveu um somente para orientar outras pessoas a também fazê-lo, conforme se vê na adaptação que fiz abaixo:

“Manifestos são seminais.

Manifestos dão um fim ao passado.

Manifestos criam novos mundos.

Manifestos alavancam comunidades.

Manifestos nos definem.

Manifestos antagonizam algo.

Manifestos inspiram novas formas de ser.

Manifestos provocam ação.

Manifestos vivem de múltiplas formas”.

O “Manifesto sobre Manifestos” completo pode ser encontrado em inglês aqui. Em resumo, McDonald sustenta que a arte de escrever manifestos pode ser sintetizada em dois passos: definir o contexto e dizer o que nele é mais importante para você ou seu grupo.

Existem centenas de exemplos de manifestos, e uma lista bem extensa pode ser encontrada no site 1000manifestos.com. Um dos que mais fazem sentido pra mim é o Small Things Manifesto, uma declaração em prol dos pequenos atos que causam grandes revoluções.

Tenho bastante interesse em manifestos porque eles representam um ponto de encontro entre dois assuntos pelos quais sou apaixonado: mobilização de comunidades e doutorado informal. Estamos preparando um manifesto sobre o doutorado informal que deverá em breve ver a luz do dia. Eu não poderia estar mais entusiasmado!

Para saber mais:


Este texto faz parte da série especial do Kit Educação Fora da Caixa, que aborda diversas ferramentas de aprendizagem inovadoras. Navegue no blog para ver tudo o que já publicamos.


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Educação Fora da Caixa

Um doutorado informal sobre aprendizagem livre

Alex Bretas

Written by

Membro da Teya e escritor

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