Matriz Certezas, Suposições e Dúvidas

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Externalizar o que já temos para buscar o que queremos

A Matriz CSD — Certezas, Suposições e Dúvidas — é uma ferramenta iniciadora de projetos que funciona a partir de três questões fundamentais:

  • O que nós já sabemos a respeito?
  • Quais são as nossas hipóteses? (ou o que supomos saber?)
  • Quais perguntas poderiam ser feitas?

A Matriz, geralmente utilizada em grupo, permite criar um referencial visual para as respostas da equipe a essas três perguntas.

Por quê?

Utilizar a Matriz CSD é uma forma ágil e potente de começar um novo projeto ou investigação. Considere, por exemplo, que os funcionários de uma escola estão prestes a iniciar um processo de transformação das práticas pedagógica e administrativa. Preparar um momento coletivo em que a Matriz CSD seja tomada como referência pode ser uma ótima forma de explorar o contexto, permitindo à comunidade escolar compartilhar as diferentes percepções a respeito da situação.

Neste sentido, a Matriz serve para abrir horizontes. Ela ajuda a promover a boa gestão da informação e do conhecimento entre a equipe, e isso contribui para que haja alinhamento desde o início do projeto.

A força da Matriz CSD reside na sua premissa essencial, que aponta para a existência de certezas, suposições e dúvidas em todas as situações que nos detivermos a investigar. Ao começarmos a preenchê-la, costuma ficar evidente a grande quantidade de perguntas em contraste com o pequeno volume de certezas, especialmente em contextos mais complexos. Fazer essa reflexão é muito importante para “firmar o passo” e, gradativamente, ir povoando o espaço das certezas com novas certezas.

Como?

Fonte: LOGOBR.

A foto acima ilustra a utilização de uma Matriz CSD com post-its — uma alternativa interessante dado que se torna possível movê-los de um espaço a outro com o tempo. As formas mais comuns de usar a Matriz é desenhá-la numa folha grande de papel ou separar os espaços numa parede. Embora na imagem a opção tenha sido por dispor as três áreas em linhas, é igualmente funcional dispô-las em colunas.

Uma consideração importante ao se conduzir conversas em grupo mediadas pela Matriz é que o consenso e a argumentação são menos importantes do que a diversidade. Caso duas ou mais pessoas divirjam em relação a um ponto específico, deve-se preferir por incluir todas as opiniões divergentes. Não há qualquer problema nisso, dado que a Matriz geralmente é aplicada em momentos de “abrir” e não de “fechar” perspectivas.

O espaço de suposições desempenha um papel interessante quando alguma divergência emerge. Luis Alt, um dos criadores da Matriz CSD, afirma que

o campo suposições, é, na verdade, uma grande área de escape, que evita discussões demoradas e inúteis e nos permite avançar na externalização das informações. O importante nesse caso é que tudo que foi discutido esteja no espaço compartilhado e que todos consigam visualizar tudo o que foi discutido ao final da reunião. Não é sobre a ‘suposição’ dever estar na ‘certeza’ ou qualquer outro tipo de discussão dessas, mas sim sobre ter a informação ali, disponível.

Ao longo do desenvolvimento da investigação ou do projeto, pode ser produtivo retornar à Matriz e alimentá-la novamente com os novos achados do grupo. Outro modo relevante de aproveitá-la é promovendo conversas com públicos externos e pessoas de fora da equipe. Isso pode contribuir para ampliar ainda mais as percepções que animarão o decorrer do projeto.

É possível também utilizar a Matriz CSD de forma individual como um instrumento de reflexão. Ao começar a trabalhar num novo emprego, por exemplo, pode ser útil preencher a Matriz para ajudar a compreender o contexto. Na medida em que as interações vão ocorrendo, novas certezas, suposições e dúvidas vão sendo incluídas, e as antigas podem ser modificadas ou excluídas. De forma análoga, a Matriz ainda pode ser aplicada em percursos de aprendizagem autônomos, assumindo características de uma ferramenta de pesquisa.

A Matriz CSD pode ser uma boa companheira toda vez em que é preciso explorar determinada situação ou contexto. Seja em grupo ou individualmente, “colocar no papel” nossos pensamentos pode nos ajudar bastante a avançar nossas investigações.

Para saber mais:


Este texto faz parte da série especial do Kit Educação Fora da Caixa, que aborda diversas ferramentas de aprendizagem inovadoras. Navegue no blog para ver tudo o que já publicamos.


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