Mentoria

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Ajudar escutando, perguntando e trocando experiências

A mentoria é uma forma de apoiar indivíduos em seus processos de aprendizagem, muito utilizada em ambientes organizacionais. Por meio de encontros presenciais ou a distância, um mentor — alguém usualmente mais experiente que o mentorado — faz perguntas, compartilha experiências e referências e escuta a pessoa apoiada, ajudando-a em seus dilemas profissionais e pedagógicos.

Por quê?

Existem diversas definições de mentoria, boa parte delas voltada para empreendedores e executivos — ou seja, que se revelam num contexto de trabalho. É, tipicamente, uma relação de aprendizagem do mundo adulto. Ter mentores, entretanto, pode ser relevante também em percursos de aprendizagem autônomos, em cursos, pesquisas e em outras circunstâncias para além do expediente. No limite, em todas as situações em que houver busca por aprendizado, há espaço para que mentorias informais ocorram.

A mentoria é uma ferramenta educativa ancestral. Sua premissa é que sempre há pessoas capazes de nos apoiar, seja por nos fornecerem experiência, conhecimento e/ou inspiração, conforme diferencia Brian Robben em “A Creative Approach To Finding A Legendary Mentor”. O doutorado informal, por exemplo, alimenta-se da ideia da mentoria para potencializar jornadas de autoeducação. Por meio de convites a pessoas que o doutorando informal admira e confia, a mentoria passa a ocorrer de maneira orgânica em encontros periódicos.

Para os que já são familiarizados com o termo mentoria, a Harvard Business Review publicou um artigo de Amy Gallo, “Demystifying Mentoring”, com quatro mitos geralmente associados a essa prática. Comento-os, traduzidos, abaixo:

Mito #1: Você precisa achar um único mentor perfeito

Cada vez mais hoje as pessoas estão preferindo cultivar relações com mais de um mentor. Ou seja: estão conformando redes de mentores.

Mito #2: A mentoria é uma relação formal e de longo prazo

Às vezes, uma conversa de uma hora é toda a mentoria necessária. Em outras ocasiões, um relacionamento recorrente é mais adequado.

Mito #3: Mentorias são só para quem está começando

Relações de mentoria podem ser úteis em diversos momentos de vida, particularmente em situações de transição (de carreira, mudanças de vida e de cidade etc). Pessoas mais experientes também podem se beneficiar de mentores, desde que estejam abertas à troca.

Mito #4: Ser mentor é algo que as pessoas fazem porque são bondosas

Uma mentoria é uma relação que deve beneficiar a todos os envolvidos. Ao buscar um mentor, pode ser interessante pensar o que você teria a oferecer a ele. Simplesmente perguntar como você poderia ajudá-lo já é um bom começo.

Como?

Fonte: Startupi.

É possível buscar por um mentor ou tornar-se um. Em ambos os casos, para se aproveitar melhor o processo, é desejável que a mentoria baseie-se numa relação de escuta genuína e de construção conjunta. Conforme aponta John Carleton:

“Bons mentores fazem perguntas difíceis. Todo mentorado tem as respostas que precisam dentro de si. Algumas vezes não é fácil desenhar essas soluções com clareza por si próprio. Seu mentor não deve te dizer o que fazer, mas sim explorar o cenário junto com você até que você sinta-se feliz com suas opções e decisões”.

Nisso, a mentoria assemelha-se ao coaching, que se sustenta justamente por meio da escuta e das boas perguntas.

As mentorias diferenciam-se em diversos tipos. Jeanne C. Meister e Karie Willyerd, em seu artigo “Mentoring Millennials”, mencionam três deles: a mentoria reversa, a mentoria em grupo e a mentoria anônima. Na primeira, uma pessoa geralmente mais jovem tem a responsabilidade de mentorar alguém mais experiente em questões cujo conhecimento ele ou ela detém. No segundo tipo, grupos e redes são estabelecidas com o objetivo de dar feedback aos mentorados. As sessões são conduzidas ou por um profissional mais experiente ou uma dinâmica de pares pode ser criada.

A mentoria anônima tem sido feita totalmente online e possibilita trocas sem que os mentorados saibam a identidade de quem os está apoiando. Costuma existir uma equipe por trás que se responsabiliza por fazer as combinações certas entre mentores e mentorados.

Em todos os casos, a mentoria resgata um tipo de relação de aprendizagem que se provou efetiva desde os tempos medievais, em que os aprendizes de determinado ofício buscavam nos mestres a experiência, o conhecimento e a inspiração de que precisavam. Hoje, não é preciso mirar muito alto: os melhores mentores podem ser aqueles que acabaram de passar pelo que estamos passando. Podem estar, literalmente, do nosso lado.

Para saber mais:


Este texto faz parte da série especial do Kit Educação Fora da Caixa, que aborda diversas ferramentas de aprendizagem inovadoras. Navegue no blog para ver tudo o que já publicamos.


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