A banda desenhada na primeira pessoa

Entrevista a Roberto Macedo Alves

SRE . Madeira
Feb 2, 2017 · 11 min read
Ilustração de Roberto Macedo Alves
Roberto Macedo Alves é licenciado em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico. Exerce funções de Especialista de Informática na PaGeSP (Direção Regional do Património e de Gestão dos Serviços Partilhados) e complementa a sua atividade profissional com as atividades desenvolvidas na Livraria Sétima Dimensão.Entre as suas obras publicadas encontram-se o livro “Os Sonhos do Maravilhas” (edição comemorativa do Centenário do Club Sport Marítimo), os três primeiros volumes da coleção 'As Fantásticas Histórias da Madeira' e outras histórias curtas publicadas por editoras nacionais e internacionais.

Educatio — No seu percurso, como foi a descoberta pessoal do desenho e, em especial, da banda desenhada?

Quando somos crianças e nessa fase inicial da vida, todos temos vontade de criar e de desenhar; não há vergonha nenhuma em mostrar aquilo que fazemos.

Era uma forma de conseguir acompanhar narrativas. Lembro-me perfeitamente de ter vontade de aprender a ler para poder seguir aquilo que via nas revistas.

O seu coração balança entre a engenharia e a arte ou há um ecletismo humanista na sua perspetiva do mundo?

Só temos uma vida e porque é que não hei-de experimentar com computadores e depois, ao final do dia, experimentar com desenhos e brincar com áreas técnicas e criativas ao mesmo tempo.

Porque é que uma pessoa não há de poder brincar e experimentar áreas diferentes?

Ilustração de Roberto Macedo Alves

Há essa interação com a arte?

O processo criativo mais solto beneficia porque é um pouco a mentalidade de «E se fizermos assim?».

Como nasce a Nona Arte? Tem a valorização pública devida?

Aliás, quando os recursos da banda desenhada são bem utilizados, conseguimos fazer coisas que não conseguimos fazer em nenhum outro meio.

Há um pormenor que abriu a minha mente para a potencialidade da banda desenhada: o facto de o autor poder escolher ou não o que mostra.

Esse poder criativo é delicioso.

O seu processo ocorre sempre da mesma forma?

Por vezes, surge uma ideia qualquer em que se pensa: «Isto dava uma história magnífica!»

Como encara as parcerias artísticas?

Quando nós criamos tudo, temos o controlo absoluto sobre o universo. Isso é muito bom, mas também podemos perder a riqueza da interação com o outro criativo.

As parcerias artísticas são bastante interessantes, pois, por vezes, as histórias não correm na direção esperada, mas vão para um lugar muito melhor e ficam completamente diferentes.

Ilustração de Roberto Macedo Alves

Depois da banda desenhada franco-belga, da manga japonesa e dos comics americanos, para onde caminha a Nona Arte?

Temos cada vez mais uma mistura de géneros.

Há autores premiados que agora fazem argumentos para filmes ou obras de prosa, como o Neil Gaiman. Começaram na banda desenhada precisamente por ver o potencial que tinha e que, no fundo, não se resume a sequências de desenhos em vinhetas.

Como funciona a fusão com o digital?

Na parte digital, essa fronteira não se impõe. Ganhamos uma nova dimensão na forma como se estruturaram as imagens e alguns autores têm estado já a experimentar isso.

Tem superpoderes ou assume-se como um simples ser humano?

Por outro lado, as limitações também são positivas, porque acabam por ser quase desafios. […]

Ilustração de Roberto Macedo Alves

Que sugestões daria a quem se quer iniciar como desenhador ou argumentista de banda desenhada?

É preciso começar a escrever!

O meu primeiro conselho é mesmo escrever, desenhar. O importante é mesmo desenhar muito e gastar muito papel.

Desenhar sem vergonha e criar sem haver aqueles constrangimentos da arte.

Qual é o futuro da banda desenhada na Região Autónoma da Madeira?

Depois havia um conjunto de jovens criadores que também tinham muita vergonha…

O mundo todo trata já a banda desenhada com um carinho especial. O cinema vai buscar à BD uma quantidade enorme de ideias.

Por isso, acredito que a banda desenhada vai crescer.

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