Camacha. O sucesso ao alcance de todos

Permanência na escola com aprendizagens e disciplina

Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior
Nos últimos anos, os indicadores educativos da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior, na Camacha, têm registado uma evolução positiva. Com a finalidade de incrementar os resultados nas aprendizagens de conhecimentos e de competências dos seus alunos, esta escola adotou estratégias centradas na melhoria do ambiente escolar, dentro e fora da sala de aulas, e do acompanhamento educativo dos alunos.
O Educatio foi saber algo mais sobre o êxito desta escola.

Daniel Quintal

O Presidente do Conselho Executivo, Daniel Quintal, apresenta — com orgulho indisfarçável no trabalho da escola — a tendência de melhoria dos indicadores educativos.

«Nos últimos três anos letivos, elevámos a taxa de progressão dos alunos em cerca de 7%, até aos atuais 93%.»

Sublinha que, de 2013/2014 a 2015/2016, a escola reduziu, em cerca de 60%, o número de relatórios disciplinares. «Apenas um aluno que se encontra na escolaridade obrigatória não frequenta a escola», acrescenta ainda.

A «aplicação rigorosa, coerente e de bom senso» do Regulamento Interno e do Estatuto do Aluno e Ética Escolar são o pano de fundo da estratégia de aplicação do Projeto Educativo de Escola (PEE). Sendo uma das prioridades do PEE, a diminuição da indisciplina passa pelo trabalho em rede.


O Gabinete de Intervenção Psicopedagógica e Social (GIP) foi criado e opera numa lógica de equipa multidisciplinar.

Susana Ornelas

Susana Ornelas, a professora coordenadora, alude ao funcionamento deste serviço: «Se o aluno chega ao GIP porque saiu da sala devido a atitudes incorretas, tentamos saber exatamente o que é que se passou; ouvimos a versão do aluno. Nesse momento, damos-lhe a entender que teve de sair da sala visto estar a perturbar o normal funcionamento da aula e que deveria dar oportunidades aos colegas de continuarem a aprender.».

«Chamamos à atenção, registamos a versão do aluno (é importante que ele desabafe e diga o que é que se passou), mas damos-lhe uma tarefa para desempenhar de imediato».

Acrescenta que «a partir desse momento, começamos a funcionar em rede para a escola, ou seja, damos conhecimento a todos os serviços a que o aluno está ligado», indicando os exemplos do Conselho Executivo e do Diretor de Turma no trabalho em equipa. Para facilitar esta articulação, O GIP também recebe as participações por correio eletrónico, o que permite uma célere verificação da sua correspondência com as declarações do aluno em causa.

Para prevenir o bullying, «todos têm o direito e o dever de fazer a participação», pois os alunos devem ser protegidos e defendidos.

A professora regista que «hoje em dia, tanto os alunos como os funcionários e os docentes sabem isso». A atuação deste serviço está compreendida por alunos e professores, o que contribui para a «interiorização de regras».

«Quando se consegue colmatar os problemas de indisciplina, o desempenho do aluno melhora sempre», conclui Susana Ornelas.
Áreas de intervenção do Gabinete de Intervenção Psicopedagógica e Social (GIP)

Nesta abordagem integrada, segundo o Presidente do Conselho Executivo, foi também criado o Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), sob responsabilidade de uma assistente técnica com formação superior na área que, por meio de mobilidade, assumiu funções determinantes para esta “paz” da comunidade educativa.

A EB23 Dr. Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior tomou quatro grandes medidas para melhorar as taxas de progressão dos alunos.

Em primeiro, uniformizou a avaliação dos alunos no domínio das atitudes e dos comportamentos criando Quadros Referenciais Comuns (QRC) para toda a escola (turmas e disciplinas), conhecidos por alunos e professores.

Com base nestes quadros, «os grupos disciplinares definem a ponderação a atribuir ao comportamento, à assiduidade e à pontualidade», esclarece o professor Daniel Quintal.

Em segundo lugar, para melhorar os resultados escolares nas disciplinas de Português e Matemática, esta escola introduziu coadjuvâncias de 90 minutos semanais nos 6.º e 9.º anos de escolaridade, com o acordo dos serviços da Secretaria Regional de Educação (SRE).

Complementarmente e também com acordo da tutela, foi lançada a coadjuvância para alguns docentes —menos de 2,7% — que necessitavam de apoio no controlo das atividades dos alunos.

«Termos dois professores na sala de aula permitiu que diminuíssem os comportamentos menos apropriados dos alunos, melhorando o clima de aula e, daí, as aprendizagens.»

Este responsável escolar realça, ainda, o «aumento significativo do ensino cooperativo» com o professor de educação especial em apoio na sala de aula.


A Escola também fala…

Um aluno do 8.º ano, em percurso curricular alternativo, com boa recuperação escolar, conta a sua história na primeira pessoa.

«Nos outros anos era mais fácil. No 5.º ano, eu faltava muito, mas no 6.º e no 7.º já não faltei assim tanto. Estou no 8.º ano e, até agora, tenho só duas faltas.

A nível de aproveitamento escolar acho que estou um bocadinho melhor.

As minhas disciplinas preferidas são Português, História, e Educação Física. Com a ajuda dos meus professores, já consegui melhorar a Inglês e a Matemática, que são as disciplinas em que tenho um bocado mais de dificuldade. A minha turma tem apenas sete alunos.

Em anos anteriores, tive dois professores na mesma sala. Foi bom, pois enquanto um professor estava com um aluno, o outro professor ensinava a outro colega.

A minha família apoia-me, dizem-me que devo continuar a melhorar para que, no próximo ano, possa voltar para uma turma regular. Acho que vou continuar no bom caminho. Relaciono-me bem com os meus colegas. Falamos sobre o que se passa na nossa rua e sobre os jogos de futebol.»


Curso de cozinheiro/pasteleiro

Um aluno do curso de cozinheiro/pasteleiro partilha as suas vivências recentes, com um trajeto evidente de recuperação escolar.

«Foi bom ter ingressado neste curso, é outra coisa. Em casa gosto de cozinhar.
Gostava de aprender mais sobre a cozinha e optei por entrar no curso.

Em relação aos anos anteriores é diferente, porque eu portava-me mal na sala de aula, não gostava de estar na escola, não gostava dos professores e a minha mãe ficava bastante preocupada. Por ela, eu comecei a fazer as coisas certas.
As disciplinas de que mais gosto, agora, são Educação Física e Português.

Sinto que é mais difícil estar numa turma regular. Estar agora nesta turma é mais fácil porque estou a fazer uma coisa de que gosto.

Agora espero ter um bom futuro nesta área. Depois de acabar o curso, quero começar logo a trabalhar.

A minha mãe ficou mais contente e menos preocupada por eu estar neste curso. Em relação à escola, não sei se gosto de cá estar, ainda faço um esforço para continuar. Tenho colegas bons, acho que eles também estão a ter melhores resultados do que em anos anteriores.

Noto diferença na escola em relação a anos anteriores: o ambiente está muito melhor e mais calmo. Há dois ou três anos, isto parecia um ringue, havia muita confusão.

Jogo no “Camacha” em três escalões — juvenis, juniores e seniores. Tenho de me portar bem e nunca ter participações cá na escola, porque como a escola está em contacto com o meu treinador, também posso ser penalizado no clube. Não quero parar de jogar à bola. Gosto do Cristiano Ronaldo, do Messi, do Almir do Dortmund.»


O Diretor do Conselho Executivo e a Coordenadora do GIP

Sublinhando a valia das estratégias escolares, Daniel Quintal refere que «a grande riqueza tem sido a ligação em rede e a comunicação entre as pessoas».

Esta abordagem — nomeadamente do GIP — tem o apoio de associações desportivas, culturais e recreativas da área, como sejam a Associação Desportiva da Camacha ou o Clube de Futebol União. A intervenção pedagógica em casos de alunos problemáticos é articulada, por exemplo, com os treinadores destes jovens.

No contexto das medidas corretivas, existem protocolos com a Casa do Povo, a Junta de Freguesia da Camacha ou o Centro Comunitário da Nogueira, para realização de tarefas na sociedade, o que «funciona como um serviço cívico», com bons resultados na relação dos alunos com outras pessoas.

«Felizmente, estas situações existem cada vez menos e as nossas medidas são, também, cada vez menos gravosas», sublinha o dirigente escolar.

Na oferta formativa, relembra o sucesso dos dois cursos de educação e formação — restaurante/bar e cozinheiro/pasteleiro — com dez anos de tradição, deste último, na escola.

Sobre o sucesso registado, o Presidente do Conselho Diretivo assume «a humildade de reconhecer que temos ainda um longo caminho para chegar à excelência».

«Queremos afinar estas estratégias, mas também queremos dar algum espaço à inovação, talvez para a possibilidade de turmas com níveis de competência.»

Afirma a necessidade de os professores estarem «cada vez mais bem preparados» e alude à emergência de questões como a autoavaliação das escolas, os planos de ação e a afinação dos projetos educativos.

Por fim, Daniel Quintal exprime a vontade de a escola «construir novas práticas, tendo a noção de que ninguém inventa nada e de que a inovação se faz bebendo noutras situações».


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