Estudo, a ferramenta que faz a diferença

«Foi a melhor decisão que tomei na vida, a nível escolar e profissional.»

Pedro Faria
O investimento pessoal em educação e formação pode ser determinante na vida de um jovem.

A busca pelo conhecimento e as escolhas certas têm marcado positivamente a vida de Pedro Faria, administrativo numa empresa de reparação de automóveis e formador em instituições de ensino profissional da Madeira.

No seu percurso, a aproximação do final do ensino secundário coincidiu com o anúncio da abertura do primeiro Curso Técnico de Receção e Orçamentação de Oficinas da antiga Direção Regional de Formação Profissional, atual Instituto para a Qualificação, IP-RAM.

Apesar de ter iniciado o 12.º ano no mês de outubro, candidatou-se e foi realizando as provas intermédias e de seleção. Em dezembro, iniciava este curso técnico de Nível III.

«Era uma boa aposta, porque queria tirar algo ligado ao ramo automóvel e ao mesmo tempo ficava com o 12.º ano e uma qualificação técnica.»

«Foi a melhor decisão que tomei na vida, a nível escolar e profissional. Tinha uma fusão das duas coisas», relembra Pedro Faria.

No curso, os conteúdos de mecânica foram muito relevantes. Apesar de ter alguma prática, carecia bastante da teoria e queria saber as razões das coisas que fazia.

«Tivemos grandes professores. Foi um grande curso. A maior parte dos colegas ficou a trabalhar no ramo automóvel e, agora, um quarto deles deve ser empreendedor ou trabalha em negócios de família ligados ao ramo. Foi o meu caso, mesmo tendo sido no pico da crise financeira, em dezembro de 2008, com uma grande quebra no mercado automóvel, tanto de vendas como de reparações.»

Na oficina

Depois de três anos de formação e do estágio numa empresa do ramo automóvel, assumiu a responsabilidade da receção e da orçamentação na Auto Clássico, a empresa da família, entre outras tarefas. Este processo decorreu com o apoio do pai e em ligação com os restantes funcionários da oficina.

De forma progressiva, passou a lidar com os clientes ou a tratar das encomendas de material.
No escritório

Recorda o período da crise, em que — com o pai, José Faria — procurava aplicar coisas novas, que havia aprendido no curso, outros métodos e outras soluções, mesmo no âmbito financeiro.

Pedro Faria faz notar os ganhos de eficácia no agendamento das reparações e na gestão dos prazos, com a equipa que o viu crescer.

«Mudámos a abordagem.»

«Entre os mais antigos e os mais novos houve alguma moldagem para estarmos coordenados e sermos mais eficientes.»

Com satisfação, elogia o trabalho do ‘Mestre Horácio’ na oficina e na equipa de ralis em que Pedro Faria participa como piloto, e em que também colabora na logística e na mecânica.


José Faria, Pedro Faria e Horácio Marques
«Foi benéfico para a empresa e para o Pedro», diz o seu pai.

Sobre o filho, José Faria afirma que «abriu o mercado da empresa» ao promover a renovação tecnológica em resposta às necessidades do momento. Agora, antecipa uma «grande reviravolta no mundo automóvel» com a passagem para os carros elétricos.

Acrescenta: «À medida que o Pedro começou a aprender, houve melhoria na gestão das ferramentas, na gestão das oficinas, na gestão dos processos de trabalho, na gestão ambiental dos resíduos… Ficámos com um leque muito mais aberto, pois agora cuidamos de muitos pormenores que nos passavam ao lado.»


Pedro Faria é também formador no Curso de Mecatrónica Automóvel do Instituto Profissional de Transportes e Logística da Madeira e no Curso Técnico de Receção e Orçamentação de Oficinas do Instituto para a Qualificação.

Em coerência, a presença de formandos na Auto Clássico é um hábito antigo, que tem proporcionado amplos benefícios a todos, pois a empresa ficou mais aberta. Muitas instituições solicitam à empresa o acolhimento de estagiários.

José Faria: «Os mestres estão sempre disponíveis para ensinar. E a juventude tem mais velocidade, o que também acelera a empresa.»

«Quem aproveita os cursos sai salvaguardado, mesmo que haja um interregno entre acabar o curso e começar a trabalhar. Tento encaminhar alguns formandos para outros lugares, visto que não conseguimos ficar com todos. Temos uns que dão apoio a carros de rali…»

Na recuperação de um automóvel antigo

Por sua vez, Horácio Marques, o mestre mecânico, afirma que — com os mestres — os jovens conseguem aplicar a teoria à prática, mas que ele próprio também aprende com os formandos, por exemplo na pesquisa da temática automóvel na Internet.

E complementa: «Aprendemos a lidar com todos. Também temos recebido miúdos com deficiência e até miúdos revoltados (o que é mais problemático), mas 90% dos que passam por cá aprendem alguma coisa.»


«Ao ter optado pelo ensino profissional, não andei três anos para trás, andei três anos para a frente», reforça Pedro Faria.

Articular três vertentes na sua vida profissional — a empresarial, a educacional formativa e de competição automóvel — dá-lhe especial satisfação, particularmente por sentir que valoriza a própria empresa familiar.

Um quadro oferecido por um cliente com um dos automóveis restaurados

Os conselhos de José Faria aos estagiários: «Têm que ter vontade, ter valores e gostar do que vão fazer. O mundo automóvel é um mundo amplo. Cada vez mais, saem novas tecnologias, novos carros. Aproveitem ao máximo, para que possam ter um futuro promissor. Não devem estar agarrados a uma marca. Mantenham os horizontes abertos!»
Os conselhos de Pedro Faria aos formandos: «Sejam bons, nomeadamente no curso, e foquem-se em alguma coisa. Se forem bons no que fazem, entram no mercado de maneira diferente. Andam sempre pessoas à procura dos bons. Não há ninguém que seja bom e que esteja desperdiçado…»