Efeitos da pandemia na educação brasileira

As escolas Brasileiras pararam por mais tempo do que a média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Isso é o que revela o Education at a Glance, uma publicação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que reúne estatísticas educacionais do Brasil e mais de 40 países, ou Panorama da Educação numa tradução livre para o português

Até o fim do mês de Junho, a média da OCDE era de 14 semanas. No Brasil, até aquele momento, as escolas permaneciam fechadas há 16 semanas — o que deve impactar na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades dos estudantes.

O debate sobre os impactos do fechamento das escolas é amplo — não há um único lado nesse debate. Relatos de professores indicam que a experiência de Ensino Digital permitiu que alunos antes pouco participativos em sala de aula demonstraram um lado de maior interesse e engajamento nas aulas online, como relata Hugo Pena, professor de Matemática do Colégio Physics, no Pará: “Notei alunos que não participavam das aulas presencialmente começando a mudar — a participar mais.”.

Algumas escolas que já retornaram ao ensino presencial, por outro lado, têm indicado prejuízos no desenvolvimento das crianças, especialmente em função da ansiedade decorrente das incertezas do momento. O Diretor da Escola Primeiro Passo, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo relata: ‘’As crianças se sentiram menos apreensivas por conta das liberações que estão acontecendo aos poucos. (…) Mas sentimos que houve um retrocesso socioemocional, cognitivo”.

A existência de prejuízos à formação das crianças já era, de certa forma, previsível. Afinal, já são quase seis meses sem frequentar salas de aula. Isso nunca aconteceu antes — então, é natural que o processo de adaptação tenha sido descentralizado, com as escolas buscando boas práticas e descobrindo o que funcionava à medida que o tempo corria.

Nesses últimos meses, muitas ideias e planos foram surgindo para que alunos não fossem afetados academicamente, pelo distanciamento social, e nem tivessem sua saúde comprometida. As escolas do Brasil e do mundo precisaram buscar alternativas de emergência para contornar a situação e criar o ensino remoto improvisado em período de pandemia à sua própria maneira, o que gerou muitas dúvidas e inseguranças ao longo do caminho.

Leia sobre uma das ferramentas pedagógicas mais utilizadas durante a pandemia: Avaliação Diagnóstica: como usar na volta ás aulas? | Eduqo (medium.com)

Grandes crises nos fazem quebrar hábitos que foram estabelecidos ao longo de bastante tempo. Por isso, elas nos fazem nos sentirmos tristes, desesperançosos, frustrados e inseguros: elas quebram rotinas que, de uma forma ou de outra, funcionavam, e jogam nossa produtividade para um vale. Na escola, quebraram-se as rotinas já estabelecidas de sala de aula, a forma de transmitir conhecimento, de se comunicar com alunos e de acompanhar suas dificuldades.

Por outro lado, é justamente após momentos de grandes dificuldades que descobrimos possibilidades que antes não precisavam ser exploradas. Como crises são terríveis, a sociedade busca, incessantemente, formas de superá-la. Neste processo, cria novos hábitos, descobre novas ferramentas e desenvolve novas habilidades. Esse conjunto de recursos não se esvai quando a crise se encerra: ele fica conosco. O que aprendemos continua sendo útil e nos permite ir além do acreditávamos ser possível anteriormente.

As ferramentas que têm sido utilizadas para nos permitir a realizar nossas rotinas escolares durante o distanciamento social já estavam aqui antes da necessidade de nos afastarmos fisicamente. E elas já poderiam ser usadas em escala muito maior do que eram. Quantas reuniões com famílias, por exemplo, tinham baixo comparecimento por exigir que muitas pessoas se deslocassem, após um dia cansativo de trabalho, para a escola? Vários coordenadores e diretores têm reportado um enorme aumento da presença e engajamento de famílias, agora que elas podem participar destes momentos de forma virtual, graças às ferramentas de videoconferência.

Nos últimos 6 meses, cada docente e gestor escolar desenvolveu proficiência em um novo conjunto de habilidades e ferramentas que poderia ter levado alguns anos para se desenvolver em uma situação “normal”. Há de se deixar claro que este fato não torna anula os prejuízos, dificuldades e sentimentos negativos que ainda estão sendo vividos nesta crise que estamos enfrentando. É apenas uma constatação de que, olhando para o futuro, certamente estaremos mais bem preparados para os desafios que virão, pois toda crise, apesar de seus aspectos nefários, nos ajuda a desenvolver instrumentos que nos permitem sermos mais capazes e fortes.

Situações de crise nos fazem ter a necessidade e precisar criar a disciplina para termos novos hábitos. As tecnologias já estavam disponíveis. Agora estamos aprendendo a usá-las.

Neste segundo semestre de 2020, a educação pós-pandemia habita um cenário que se apresenta de forma clara para as Instituições de Ensino em todo o país: a inevitabilidade em se adaptar para operar em um modelo híbrido de ensino. Protocolos como o de Biossegurança do MEC e o Protocolo de Retorno de São Paulo, foram enfáticos na adoção desse modelo.

O Departamento Educacional dos Estados Unidos afirmou que o ensino híbrido vem se tornando mais efetivo do que a educação 100% presencial e do que o ensino 100% digital. Essa afirmação é sustentada pelo estudo de Avaliação de práticas baseadas em evidências em Aprendizagem online, disponível em inglês, onde é possível entender mais sobre métodos, estratégias e implicações deste modelo.

“Eu não acho que as escolas físicas irão desaparecer, mas acredito que as pessoas estão acordando para a ideia de que “ir para a escola” não significa apenas se dirigir a um espaço físico.”

Bruce Friend, diretor de operações da organização de educação Aurora Institute

Comunicadora e professora apaixonada, analista de Marketing de formação e curiosa pelo mundo.

By Eduqo

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