Ensino híbrido: vantagens e desafios do modelo que mais cresce no mundo.

Luiza Braga
Oct 2 · 11 min read
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Efeitos da pandemia na educação brasileira

As escolas Brasileiras pararam por mais tempo do que a média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Isso é o que revela o Education at a Glance, uma publicação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que reúne estatísticas educacionais do Brasil e mais de 40 países, ou Panorama da Educação numa tradução livre para o português Até o fim do mês de Junho, a média da OCDE era de 14 semanas. No Brasil, até aquele momento, as escolas permaneciam fechadas há 16 semanas — o que deve impactar na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades dos estudantes.

O debate sobre os impactos do fechamento das escolas é amplo — não há um único lado nesse debate. Relatos de professores indicam que a experiência de Ensino Digital permitiu que alunos antes pouco participativos em sala de aula demonstraram um lado de maior interesse e engajamento nas aulas online, como relata Hugo Pena, professor de Matemática do Colégio Physics, no Pará: “Notei alunos que não participavam das aulas presencialmente começando a mudar — a participar mais.”.

Algumas escolas que já retornaram ao ensino presencial, por outro lado, têm indicado prejuízos no desenvolvimento das crianças, especialmente em função da ansiedade decorrente das incertezas do momento. O Diretor da Escola Primeiro Passo, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo relata: ‘’As crianças se sentiram menos apreensivas por conta das liberações que estão acontecendo aos poucos. (…) Mas sentimos que houve um retrocesso socioemocional, cognitivo”.

A existência de prejuízos à formação das crianças já era, de certa forma, previsível. Afinal, já são quase seis meses sem frequentar salas de aula. Isso nunca aconteceu antes — então, é natural que o processo de adaptação tenha sido descentralizado, com as escolas buscando boas práticas e descobrindo o que funcionava à medida que o tempo corria.

Você já leu sobre Avaliação Diagnóstica?

Nesses últimos meses, muitas ideias e planos foram surgindo para que alunos não fossem afetados academicamente, pelo distanciamento social, e nem tivessem sua saúde comprometida. As escolas do Brasil e do mundo precisaram buscar alternativas de emergência para contornar a situação e criar o ensino remoto improvisado em período de pandemia à sua própria maneira, o que gerou muitas dúvidas e inseguranças ao longo do caminho.

Hora de repensar para evoluir e criar novos hábitos para sobreviver.

Grandes crises nos fazem quebrar hábitos que foram estabelecidos ao longo de bastante tempo. Por isso, elas nos fazem nos sentirmos tristes, desesperançosos, frustrados e inseguros: elas quebram rotinas que, de uma forma ou de outra, funcionavam, e jogam nossa produtividade para um vale. Na escola, quebraram-se as rotinas já estabelecidas de sala de aula, a forma de transmitir conhecimento, de se comunicar com alunos e de acompanhar suas dificuldades.

Por outro lado, é justamente após momentos de grandes dificuldades que descobrimos possibilidades que antes não precisavam ser exploradas. Como crises são terríveis, a sociedade busca, incessantemente, formas de superá-la. Neste processo, cria novos hábitos, descobre novas ferramentas e desenvolve novas habilidades. Esse conjunto de recursos não se esvai quando a crise se encerra: ele fica conosco. O que aprendemos continua sendo útil e nos permite ir além do acreditávamos ser possível anteriormente.

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As ferramentas que têm sido utilizadas para nos permitir a realizar nossas rotinas escolares durante o distanciamento social já estavam aqui antes da necessidade de nos afastarmos fisicamente. E elas já poderiam ser usadas em escala muito maior do que eram. Quantas reuniões com famílias, por exemplo, tinham baixo comparecimento por exigir que muitas pessoas se deslocassem, após um dia cansativo de trabalho, para a escola? Vários coordenadores e diretores têm reportado um enorme aumento da presença e engajamento de famílias, agora que elas podem participar destes momentos de forma virtual, graças às ferramentas de videoconferência.

Nos últimos 6 meses, cada docente e gestor escolar desenvolveu proficiência em um novo conjunto de habilidades e ferramentas que poderia ter levado alguns anos para se desenvolver em uma situação “normal”. Há de se deixar claro que este fato não torna anula os prejuízos, dificuldades e sentimentos negativos que ainda estão sendo vividos nesta crise que estamos enfrentando. É apenas uma constatação de que, olhando para o futuro, certamente estaremos mais bem preparados para os desafios que virão, pois toda crise, apesar de seus aspectos nefários, nos ajuda a desenvolver instrumentos que nos permitem sermos mais capazes e fortes.

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Situações de crise nos fazem ter a necessidade e precisar criar a disciplina para termos novos hábitos. As tecnologias já estavam disponíveis. Agora estamos aprendendo a usá-las.

Neste segundo semestre de 2020, a educação pós-pandemia habita um cenário que se apresenta de forma clara para as Instituições de Ensino em todo o país: a inevitabilidade em se adaptar para operar em um modelo híbrido de ensino. Protocolos como o de Biossegurança do MEC e o Protocolo de Retorno de São Paulo, foram enfáticos na adoção desse modelo.

O Departamento Educacional dos Estados Unidos afirmou que o ensino híbrido vem se tornando mais efetivo do que a educação 100% presencial e do que o ensino 100% digital. Essa afirmação é sustentada pelo estudo de Avaliação de práticas baseadas em evidências em Aprendizagem online, disponível em inglês, onde é possível entender mais sobre métodos, estratégias e implicações deste modelo.

“Eu não acho que as escolas físicas irão desaparecer, mas acredito que as pessoas estão acordando para a ideia de que “ir para a escola” não significa apenas se dirigir a um espaço físico.”

Bruce Friend, diretor de operações da organização de educação Aurora Institute

O que é o ensino híbrido?

O termo “Híbrido”, por definição, sinaliza que temos uma combinação de elementos de naturezas diversas, que compõem uma nova forma. Neste caso, o Ensino Híbrido é definido pela união de elementos do ensino presencial a recursos digitais que permitam benefícios como maior personalização da aprendizagem, mais eficiência para processos educacionais “burocráticos” e maior aproveitamento do tempo e das possibilidades de intervenção com alunos.

O conceito de Ensino Híbrido não é novo. Entretanto, a sua implementação prática é um processo lento, que vem ocorrendo, especialmente, ao longo da última década.. Com o distanciamento social, entretanto, as escolas se viram obrigadas, do dia para a noite, a executarem todas as suas rotinas pedagógicas de forma 100% digital — um passo extremo e que vai além do híbrido. Com isso, gestores e docentes acabaram por ter que acelerar sua formação nas competências digitais, fazendo com que o Ensino Híbrido se tornasse uma realidade e uma alternativa fundamentada e recomendada para retomada das aulas.

Quais são os benefícios práticos de adotar um modelo híbrido?

Autonomia

Tornar os alunos mais autônomos em relação ao aprendizado e estudo é uma premissas do ensino híbrido, uma vez que, ao unir o incentivo de pesquisa e estudo independente com tecnologias e ferramentas a disposição, o desenvolvimento da capacidade de aprender é estimulado continuamente e cresce de maneira natural.

Essa autonomia é fundamental para a construção do conhecimento, uma vez que entendemos que cada indivíduo aprende de uma maneira e encontra-se em diferentes níveis de conhecimento.

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Conexão entre os alunos e professores

Com as aulas acontecendo no digital, a conexão vai além de estarem todos no mesmo ambiente virtual. Visando promover a interação e participação dos estudantes, as aulas tendem a ser menos expositivas e mais participativas, o que acaba proporcionando maior proximidade entre os próprios alunos.

O compartilhamento de informações e conhecimentos para solucionar uma possível questão aumenta a interatividade da turma e esse é um dos motivos que fazem com que esse método dê tão certo.

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Flexibilidade do ambiente de aprendizagem

Uma das principais vantagens do ensino híbrido é permitir que o estudante tenha flexibilidade de horário e ambiente para estudar, sem que perca o contato com professores e colegas de sala.

Estando em sala (ensino presencial), o aluno atende às atividades propostas pelos professores e, com isso, vive a disciplina e o relacionamento interpessoal através da interação com os demais. Hoje, já é totalmente possível levar todos esses elementos fundamentais para a sala virtual também.

Trilhas de aprendizagem, cadernos de estudos, fóruns de debate e principalmente videoconferências são algumas das tecnologias que sustentam e defendem a possibilidade estruturada e assertiva de unir interatividade com aprendizagem significativa em ambientes digitais.

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Construção do conhecimento e melhor aproveitamento do conteúdo

Conteúdos e materiais proporcionados pela escola que sirvam de base para as discussões em sala e o estudo individual do aluno tem mais chances de serem melhor aproveitados no ensino híbrido, uma vez que, em metodologias como a sala da aula invertida, que consiste em estudar previamente todo o conteúdo que será abordado em sala, o aluno não depende mais exclusivamente do professor para absorção do conhecimento.

Podendo sozinho pesquisar e estudar em casa e utilizar a sala de aula para proporcionar dinamismo na aprendizagem, com exercícios práticos em grupo e dinâmicas, o conteúdo é melhor aproveitado e o momento de interação com professores e colegas fica ainda mais rico.

Isso é um reflexo da autonomia proporcionada pelo formato digital que permite que o aluno revise conteúdos no seu tempo, onde e quantas vezes for necessário por meio das plataformas virtuais.

Otimização da experiência de aprendizagem

O ensino híbrido promove as competências e habilidades dos alunos de forma orgânica. A tecnologia prega um papel essencial no sistema de ensino híbrido, onde tanto professor quanto alunos precisam aprender a trabalharem com ela. O plano pedagógico é voltado para a incentivar e potencializar todo o conteúdo abordado pelo professor.

Como vimos, a metodologia de ensino híbrido traz grandes benefícios para o processo de conhecimento do aluno. Esse método inovador é utilizado por instituições que visam educar de forma integral, protagonizando seus alunos no processo de aprendizagem.

Otimiza o tempo do professor

Outras vantagens do ensino híbrido estão no planejamento dos docentes. Com um fluxo de conteúdos otimizado e melhor adequação dos alunos, os professores conseguem dedicar tempo em atividades que são imprescindíveis, como o acompanhamento desses estudantes e feedbacks constantes.

Além disso, até o período estipulado para correções de atividades ou avaliações podem ser otimizados por meio de uma plataforma de aprendizagem.

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Funcionalidade de correção automática da plataforma qmágico, da Eduqo

Prepara a escola para o futuro

Sabemos que as tecnologias sempre estiveram presentes (mesmo que não utilizadas) e que a cada novo ciclo de inovações e descobertas aprendemos ainda mais sobre as diversas formas de aprender e ensinar as novas gerações.

Pensando nisso, além dos benefícios pedagógicos, um dos principais ganhos do ensino híbrido é a preparação das Instituições de ensino para atender às modalidades de aprendizagem e as tendências do mercado.

Estudos comprovam que o ensino online será ainda mais comum em um futuro próximo, como é o caso da pesquisa realizada pela Pearson onde 80% dos respondentes concordam com essa afirmação. Por essas e outras repostas do mercado educacional, é perceptível que quanto mais recursos uma instituição tiver, melhor será o desenvolvimento dela em resposta ao momento atual e mais sustentação terá para projeções de crescimento.

Quais podem ser os desafios de implantação?

Por mais que pareça óbvio, é importante que tiremos, antes de qualquer coisa, um ponto da frente: não existe uma receita pronta e determinada para ser empregada para todas as realidades. As soluções a serem implantadas dependerão dos recursos disponíveis, do nível de formação do corpo docente, das expectativas das famílias e de vários outros fatores.

Nessa situação, resta aos educadores, familiares e estudantes abraçar o conceito por trás do hibridismo e entender que não existe uma forma única de aprender e que a aprendizagem é um processo contínuo.

Ainda em dúvida de qual solução atende as necessidades da sua escola?

Formação continuada de professores

Diante de um território pouco ou nada explorado, fica ainda mais evidente a importância da formação dos professores para que eles utilizem as tecnologias disponíveis para integrar o ensino e não substituí-lo. As tecnologias digitais, se utilizadas corretamente, podem ajudar na personalização do ensino aprendizagem e como consequência, levar um ganho excepcional para os estudantes e docentes.

Dica: Realize treinamentos e ambientações dos professores com a(s) ferramenta(s) que a escola decidiu usar e mostre, na prática, como pode o uso pode contribuir no planejamento e execução das aulas, assim como na comunicação com pais e alunos.

Aumento na Carga de Atividades

O primeiro desafio dos professores e coordenadores de ensino é que, além de se preocupar com as aulas presenciais, eles devem continuar ofertando atividades para os alunos que estão em casa.

Portanto, os professores devem dar as aulas em sala de aula, se programar para entregar atividades e planos de estudo de forma que, com o rodízio, as crianças em casa possam continuar com seus estudos.

Dica: professores poderão fazer lives das aulas em sala de aula, de forma que os alunos em casa possam ver simultaneamente.

Quer assistir especialistas falando sobre o assunto?

Adaptação do formato das aulas para o meio digital

Preparar e fazer aulas digitais da mesma maneira das aulas presenciais já se provou não ser muito efetivo: cada formato funciona melhor em um ambiente, por isso é importante abrir mão do que está ‘’faltando’’ e focar nas vantagens de cada um.

Dica: Experimente focar nos pontos fortes dos recursos digitais disponíveis como a consulta imediata de uma imagem, criação simultânea, compartilhamento de vídeo e outros.

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Acompanhamento e Desenvolvimento da Turma

Como o retorno sugerido é de maneira alternada, o rodízio de alunos implicará também no rodízio de professores e funcionários, o que exigirá um acompanhamento mais planejado e próximo do desenvolvimento do aprendizado dos alunos.

Acompanhar a garantia de aprendizagem é um desafio antigo e que agora requer ainda mais atenção, não é justo esperar que as dificuldades enfrentadas dentro do ambiente escolar (todos em sala de aula), onde cada aluno tem sua maneira e tempo para aprender, sejam superadas fora dele. O professor terá que ter atenção redobrada para identificar os alunos com mais dificuldades e ajudá-los a alcançar o mesmo passo da turma.

Dica: use recursos que proporcionem acompanhamento contínuo sobre a aprendizagem dos alunos para ter entender a evolução de cada aluno e para ter mais clareza nas intervenções pedagógicas.

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Parte de um relatório diagnóstico que permite que o professor identifique os alunos com mais dificuldade em determinada disciplina

Comunicação com as famílias

Em meio a tantos desafios e mudanças de hábito que as escolas estão vivendo e compartilhando, uma comunicação truncada entre escola e família agrava ainda mais a percepção de crise e o sentimento de medo, angústia e preocupação dos pais e responsáveis. Mas mesmo assim, esse assunto não deve ser deixado para trás, visto que o relacionamento entre a família e a escola tem impacto direto no desenvolvimento dos estudantes, na satisfação das famílias e também na retenção de alunos.

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Luiza Braga

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Comunicadora e professora apaixonada, analista de Marketing de formação e curiosa pelo mundo.

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As melhores soluções para escolas que querem tornar o Ensino Híbrido uma realidade, Personalizar a Aprendizagem, Engajar Professores, Fidelizar seus alunos e Captar mais alunos.

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