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Republicanos contra republicanos

Em busca dos eleitores independentes, a direção do partido prefere candidatos moderados. Só falta combinar com a base ultra-conservadora

Não chega a ser novidade. Desde os anos 1950, a escolha dos candidatos à presidência coloca a direção do Partido Republicano em rota de colisão com a base conservadora. Os dirigentes trabalham para emplacar políticos moderados; a direita suspira por quem faz discursos exaltados contra gays, imigrantes e a mão pesada do Estado em favor de minorias e desfavorecidos.

Claro que para se tornar presidente, um candidato — de qualquer partido que seja— precisa dos votos de sua base. Contar só com eles, porém, não basta. Somados, os estados que historicamente votam nos republicanos conseguiriam eleger no máximo 180 delegados no Colégio Eleitoral. Um presidente só se instala no Salão Oval se tiver 270 delegados ao seu lado.

Como os americanos não podem contar com o PMDB, dificilmente um delegado eleito para apioar um determinado candidato muda de lado… ;-P

O jeito, então, é conquistar os chamados eleitores independentes. São aqueles cidadão que não têm alinhamento pré-definido e estão dispostos a considerar as plataformas de todos os concorrentes. Esses são os caras que realmente definem a eleição.

Daí vem a insistência do establishment republicano em apoiar moderados. Para a direção, a chama que inflama conservadores é a mesma que queima as pontes para os eleitores independentes. E sem eles, nada de Casa Branca.

Ronald Reagan, último republicano eleito com folga. Foto: Republican Party Historical Society

A revoada da base — Em geral, a base fundamentalista perde a disputa. No passado, os eleitores evangélicos e do Tea Party ficavam contrariados, mas votavam no escolhido pela convenção. Afinal, um republicano, ainda que “frouxo”, era sempre melhor que um democrata satânico.

Recentemente, porém, isso vem mudando. Como o voto não é obrigatório, os conservadores simplesmente estão deixando de votar. É uma forma de protesto por não se sentirem respeitados pela direção partidária.

Esse movimento fica claro na análise dos números de eleições passadas. Os últimos republicanos a conquistar vitórias acachapantes foram Ronald Reagan (489 delegados em 1980 e 525 em 1984) e George H. W. Bush (426 delegados em 1988).

Depois disso, o partido só venceu duas vezes, com George W. Bush, mas em ambas com margens apertadas (271 delegados em 2000 e 286 em 2004). Em três das quatro derrotas sofridas nos demais pleitos, os candidatos ficaram abaixo de 180 delegados. O único a superar esse o número foi Mitt Romney (206 delegados conquistados em 2012).

Nas próximas eleições, o Partido Republicano tem a seu favor um fator histórico. É muito raro um mesmo partido emplacar três administrações seguidas. (Aconteceu com Reagan-Bush nos anos 1980, e antes com Franklin Delano Roosevelt nos anos 1930–40, quando o próprio Roosevelt foi eleito quatro vezes num tempo em que a Constituição ainda não proibia múltiplos mandatos consecutivos para um mesmo presidente.)

Resta saber se o partido vai achar um nome que comova a moderados e conservadores para, assim, tirar vantagem do fato de os democratas estarem no fim de um segundo mandato com índices apenas medianos de aprovação.