Com passos de menina.

Carta para Catarina Pepe.

Querida Catarina,

As portas se abriram.

Minutos antes arrumei o vestido e entortei o pé direito como sempre fiz. Balancei os ombros com um leve chacoalho. Preparei-me, mas não consegui mover.

Atrás da porta havia flores, luzes, dança, movimento, vida.

Parei tensa, travada olhando o mundo encantado que sempre sonhei mas não consegui alcançá-lo.

O que houve?

Infelizmente não fui capaz. Capaz de receber os presentes, sustentar escolhas de ter o que desejo, como desejo, onde desejo.

E então, o mundo sorriu.

Entendeu que ainda existem músculos a serem trabalhados. Posturas a construir. Amadurecimento para conquistar e confiar que tudo é possível e eu posso tudo.

Sim, ele entende.

Entende e conforta. Acredita no crescimento daqueles que as asas batem tão forte que tudo ao redor estremece. O brilho vem radiante ofuscando e inspirando para renascer bela, completa e inteira.

Alguém lá em cima sabe a hora de entregar os presentes e ficará muito feliz quando aceito agradecida e sabiamente.

Minha história se mistura à sua.

Permita-se fluir, liberte-se do que torna sua vida morosa.

A verdadeira liberdade é quando nos tornamos responsáveis por sermos nós mesmos. Lembre-se de quem você é.

O amor te convida olhar com cuidado suas feridas e ter certeza de que sim, irão cicatrizar. O passado nos lembra que estamos vivos, nossa atuação acontece no presente e o futuro é fruto das escolhas neste instante.

O que você escolhe?

O leão branco que habita seu peito pede passagem para encontrar com minha borboleta e tantas outras formas que criamos para significar o nosso sentir.

Que os símbolos acompanhem a sua nova jornada. Que a transformação aconteça fortalecida e caminhar convicto de que nada é por acaso.

Siga as sincronicidades. Acompanhe os sinais. Transmute-se o quanto precisar sem perder a essência.

Com amor,

Elisa.