Quando eu crescer.

Um texto sobre as possibilidades infinitas de ser e cobrar por isso.

Quando eu crescer quero ser muitas coisas.

Quero ser uma boa mãe, daquelas que tem paciência, que dá comida na hora certa, que brinca o dia todo, que mostra o mundo, que é super lúdica, antroposofica, leva ao teatro, compra somente orgânicos, não deixa sem banho, sem escovar os dentes, sem broncas.

Quero ser uma pessoa equilibrada, que faz yoga, respira fundo antes de agir, que sabe ser humilde, ter compaixão e que encontrou seu propósito.

Quero ser abundante, estar sempre sorrindo, ganhar dinheiro com dedicação e pouco esforço, quero ser convidada, quero ser vista, quero estar inteira.

Quero ser a boa filha, a boa irmã, a boa cunhada, que sabe a hora certa de falar e agir, que tem paciência, que ajuda sempre que é chamada, que não se irrita com manias, que não provoca e não participa das fofocas.

Quero ser uma linda mulher, com um corpão de revista, barriga chapada, bumbum durinho, e com assuntos sempre cults.

Quero ser espiritualizada, não perder os dias de trabalho, seguir as orientações, rezar todas as noites, não me confrontar, me amar, amar a Deus acima de todas as coisas, amar ao próximo como a mim mesmo.

Quero ser saudável, fazendo exercícios três vezes na semana, quero comer direitinho com 5 cores no prato, parar com os sociais alcoolicos, usar roupas veganas, fazer escolhas sustentáveis, separar o lixo, ter uma horta.

Quero viajar ao mundo, bater fotos por todos os cantos, escrever um livro sobre, comer as comidas mais deliciosas, viver viajando e escrevendo, carregando apenas uma mochila e de mãos dadas com ela.

Quero parar de ter medo das opiniões, parar de querer fugir, para de achar que o melhor nunca é aonde estou e com quem estou, parar de ansiar, parar de culpar, parar de sabotar, parar de controlar.

Ufa!

Só quando eu crescer.