Cerimônia indiana de entrega do corpo ao Ganges.

Nascemos sozinhos, partiremos sozinhos.

Eu hoje sigo mais leve. Um entendimento profundo me traz essa leveza, mais do que isso, um entendimento e uma vivência.

Nascemos sozinhos, morremos sozinhos.
Dois grandes momentos na nossa passagem por esta Terra.

Os pais, nossos progenitores.

Progenitores: Aqueles que nos geraram para esta vida.
Daí a expressão de nascer: dar à Luz.

Esta foi a grande tarefa dos nossos pais: Trazer-nos a esta vida.

Isso tira um peso imenso das relações familiares. Há muita expectativa, muitos padrões (uns criados por nós, outros formatados) na nossa mente e que, quando não satisfeitos causam-nos dor, mágoa, ressentimento, sofrimento e, em última instância, peso. Um peso que fica nos nossos corpos, principalmente no coração. E este peso nos impede de avançar.

Os pais, nossos progenitores. Simples assim.

Observando a Natureza e o comportamento das outras espécies conseguimos perceber o que é mais *natural*.

Não é obrigação de um progenitor amar, não é obrigação dar atenção, não é obrigação cuidar sempre. Um progenitor gera. E cuida o necessário — o estritamente necessário — para que a cria dê os seus primeiros passos. Esta é a obrigação, é o dever com a Natureza. Depois a cria segue o seu caminho.

Saiu o Peso

Hoje com esta profunda constatação no meu ser, saiu o peso. O peso da cobrança interior por aquela família amorosa, compreensiva, cheia de afetos ao redor da mesa de domingo, saiu. A dor do desejo de ter a aceitação, a mágoa de não ter o amor correspondido, tudo saiu. A expectativa de vê-los seguir um outro caminho, saiu. Houve perdão e o resto saiu.

Ficou um vazio.

Entrou algo…

No vazio que ficou, algo se proporcionou — a constatação:

Se o meu pai mostrou-me o mundo lá fora, foi a minha mãe que me empurrou do ninho. E eu encarei o abismo. E eu aprendi a voar.

Tenho gratidão no meu coração. Sou grata por ambos. O meu pai com a sua indignação pela vida que tínhamos e a minha mãe com a sua coragem e forma particular de me proporcionar o que me era necessário.

E por fim, abri a porta. Abri a porta e deixei que os meus progenitores saíssem. Deixei que o conceito que deles eu tinha, saísse.

E ficou uma certeza…

Se houver amor, melhor. Isto traz uma implicação importante e fundamental que é parte do amor: espontaneidade, vontade.

O amor só pode ser quando, por consciência voluntária, as partes o permitem ser. O amor é uma escolha. E aí reside a beleza, no livre arbítrio de cada um. Escolher o Amor.

O Amor não está ali para impor-se, mas sim para manifestar-se.
E isso exige permitir. Permitir o Amor. Escolher o Amor.

… E outra também

Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma
.

A minha história não me define. A minha história só mostra os meus passos no caminho. E eu estou feliz e em paz com o meu caminho.

Agora sigo, mais livre, mais eu.