Como foi o “Entre Elas”

O Grito de Maria

Aconteceu no Espaço Liberdade, às 19 horas do dia 18. Idealizado pelo INATEP (Instituto Nacional de Treinamento Técnico e Profissionalizante) e Núcleo Criativo de Ubatuba, o evento trouxe algumas convidadas para abordar o empreendedorismo e empoderamento das mulheres. Isabella Vianna Vassão e Gabriela Pavani Daltro foram as expositoras da noite. A primeira discutiu as possibilidades femininas na fundação de empresas e em cargos de liderança; já a última, psicóloga, falou sobre sexualidade da mulher e autoestima. Apresentações culturais como a dança flamenca de Barbara Buck, música do grupo O Grito de Maria e sorteios diversos também marcaram o Entre Elas.

No piso superior era possível conversar com empreendedoras exitosas e se inspirar para o desafio de abrir o próprio negócio. Val, da loja de moda Lucky (Av. Prof. Thomaz Galhardo) não nasceu em Ubatuba, mas tem feito seus anos na cidade produtivos: além da Lucky, Val é gerente de hotel e trabalha exclusivamente com mulheres nele. Patrícia, dona da Hot Sauce Sex Shop (Av. Dona Maria Alves) é chefe há pouco mais de dois anos e está feliz com a conquista. Tais histórias reais de sucesso foram cruciais para validar a tese da expositora Isabella.

Isabella palestrando

Isabella Vassão utilizou-se de números e estatísticas para relembrar uma realidade latente. Em cargos de igual qualificação, idade e função, mulheres ganham 75% do salário masculino. A presença feminina em cargos de chefia e representação política é quase nula no Brasil. Ela cita a licença maternidade como um possível obstáculo para os empregadores e contesta a dinâmica atual: “Por que não uma licença paternidade igualitária também? 50% da responsabilidade é do pai.” Isabella considera o empreendedorismo e a capacitação como uma saída para as mulheres, uma forma de extravasar sua criatividade e tornar possível um novo cenário no mercado de trabalho. Tal protagonismo nas empresas resultaria em mais direitos para as profissionais, que continuam hoje buscando independência econômica e social. Ela ainda ressalta a importância das políticas públicas visarem a melhora daquelas estatísticas iniciais.

Em seguida, a professora de dança Barbara Buck performou uma coreografia carregada de sentimento. Momentos de dor e resiliência permearam os de leveza e alegria. Barbara representou as belezas da maternidade, a montanha-russa da vida e a força da mulher. Os passos do flamenco se intensificaram ao final como trovões, fazendo as vezes de uma voz que se eleva. Buck dedicou o presente “às suas irmãs”, e pediu sororidade. Ela faz parte do programa “Voz de Mulher” na rádio Gaivota FM (104,9 ou http://www.gaivota.fm.br/) que vai ao ar toda terça-feira às 20:30.

Flamenco de Barbara

Já a psicóloga Gabriela Daltro, sexóloga, falou também de números. Desafiou as presentes a dedicar 30 minutos diários para a própria sexualidade e refletiu sobre como esta não deveria ser uma tarefa tão hercúlea. “Não pode se sentir culpada por estar sendo ‘egoísta’ ou ‘abandonar a família’. É preciso desconstruir aquela frase de que ‘a mulher precisa estar bem para fazer sexo e o homem faz sexo para ficar bem’”. Apresentou a metáfora do avião caindo: “é preciso antes colocar a máscara em você, e só depois no próximo”. Gabriela ressalta que é uma longa luta, e que só recentemente os primeiros passos foram dados com os métodos contraceptivos e maior acesso a informação. Ela conta quatro importantes pontos para obter a libertação: se priorizar, se aceitar, se conhecer e se comunicar.

Com o microfone, Gabriela

O encerramento se deu com sorteios diversos — desde bolsas em cursos profissionalizantes até tratamentos de beleza e produtos da Sex Shop de Patrícia — e a apresentação do grupo O Grito de Maria. O ritmo energizou o salão e todos puderam dançar ao som dos batuques. As saias e instrumentos coloridos e a bela diversidade das musicistas refletem a riqueza cultural brasileira e caiçara. O Grito de Maria se reúne toda segunda-feira às 18 horas na Casa da Cultura.

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