Dia do Orgulho LGBTQA+

Nos últimos dias demos um novo passo dentro da Rede Ovelha Negra. Um passo diferente, importante, empolgante e sensível. Não, não é sobre o fechamento de um novo cliente, tampouco sobre um novo produto ou nova empresa. É sobre o que estamos aprendendo, sobre as novas pessoas que conhecemos e a vontade de sermos plataforma, palco, para que essas protagonistas brilhem, não tenham medo de se apresentarem, sejam respeitadas e possam simplesmente viver sendo quem realmente são!

Nosso papel aqui foi nos colocarmos vulneráveis ao que não sabíamos e sensíveis às falas que ouvimos.

Renata Taylor é mulher trans, presidente da ONG Gretta (Grupo de Resistência de Travestis, Transexuais e Transgêneros da Amazônia), secretária de Direitos Humanos pela Antra, empresária e um ser humano incrível, umas das melhores pessoas que conhecemos nos últimos tempos. Nos acolheu e vem ensinando o que precisamos entender, respeitar e reverberar sobre as diferenças.

Nosso primeiro aprendizado foi entender que as pessoas querem mais do que se reconhecer. Querem e precisam ocupar seus espaços de direito na sociedade e exercer seu lugar de fala. Alguém já se perguntou, parou para pensar, quem tá privando essas pessoas de existirem? Por quê? Eu tô colaborando para isso? Tem certeza que não está? Bom, nós não queremos colaborar, queremos ser agentes transformadores e estamos decididos a assumir o nosso papel.

Nossa segunda lição foi nos colocarmos em nosso lugar e entender nossa função. Como comunicadores nossa missão é fazer reverberar uma marca, produto, serviço, uma fala e o primeiro passo será levar a delas, das Travestis, a cada um de vocês.

A terceira lição foi com certeza uma das mais difíceis: a de ouvir. Deu nó no estômago, foi quase um soco, e, sinceramente, esperamos que vocês sintam o mesmo. Ouvimos que as ruas, apesar de serem um lugar violento, que as violenta todos os dias, é o único lugar que as aceita como são, não é simplesmente uma escolha e sim o último suspiro para poder viver.

Fomos até esses lugares, algumas ruas de Belém do Pará, no dia 27 de junho de 2017, às 20:30h. Guiados por nossa nova amiga Renata, conhecemos muitas outras pessoas, fomos bem recebidos, olhamos nos olhos uns dos outros e não éramos ameaça uns para os outros. Transitamos a noite toda pelos mesmos lugares, nos respeitamos, dividimos os espaços, e fica uma quarta lição para nós e para todos vocês: não foi difícil, aliás, foi bem normal, como andar pelo shopping dividindo o espaço com vários desconhecidos. Na verdade, teve uma diferença, sim, apesar de não estar tão bem iluminado como um shopping nós tivemos muito mais sorrisos e boa noites. Seguimos travestindo as ruas, colocando cartazes como gritos nas paredes, postes e onde mais estivesse ao alcance dos seus olhos para que elas e todos nós lembrássemos sempre que aquelas palavras não são pedidos, nem favor, são direitos!

Terminamos a noite com um abraço, que Renata puxou, e um obrigada pelo que estávamos fazendo. Mas, sabe, Renata e todas as outras meninas que conhecemos nesse percurso, nós é quem agradecemos por vocês existirem, resistirem e nos ensinarem a respeitar a melhor parte de nós: as diferenças. Não vamos esquecer jamais esses dias, essa noite e nem mesmo o que nos comprometemos. Esse é o começo, vamos tentar todos os dias sermos melhores pra vocês.

A ideia dos cartazes foi propor o diálogo e levar empoderamento para as Travestis que vivem por aqui. Eles vão estar disponíveis aqui para que você também possa ser um agente transformador por onde estiver.

Um beijo dos Ovelhas.

E confira o vídeo:

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