
Um dia o câncer será apenas um signo
Quem é você? Quantos anos você tem? Que você ama? Quais são os seus sonhos? Nós temos a vida toda para responder essas perguntas? Se você não consegue responder estas no momento, responda para si ao menos uma: Você já sentiu empatia por alguém ou por alguma causa?
Constantemente eu exercito a empatia, pois o espírito do nosso tempo nos direciona a sermos mais humanos, justos, solidários, engajados e a nos colocarmos no lugar do outro, para compreender o que nos é alheio.
Hoje fui tocada diretamente por um assunto que vi em um grupo do Facebook: uma vakinha online para ajudar o Gui Pagnoncelli, um rapaz que mora em Maceió (AL) e faz tratamento contra um câncer desde 2012 (descobriu com 22 anos). O Câncer — palavra forte, né? — começou no estômago e ele precisou fazer a retirada total deste e mais uma parte do duodeno. Após complicações, a doença atingiu o esôfago e o pulmão. Em Novembro/Dezembro de 2016 ele iniciou a quimioterapia, para diminuir os tumores e poder passar por um procedimento cirúrgico.
Recentemente o Gui recebeu a notícia que está fazendo um tratamento paliativo e que sua sobrevida é de 6 a 8 meses, caso não consiga ir aos Estado Unidos fazer uma cirurgia de transplante múltiplo de órgãos (estômago, intestino, pâncreas e fígado) e que custa 50 mil reais. Seus amigos e familiares criaram uma vakinha na internet.
A vakinha online, que trabalha no sistema de financiamento coletivo, já está com 41 mil reais — quando comecei a escrever o texto hoje de manhã só tinha 20 mil, faltava muita grana. Gui divulgou em sua conta no Instagram o seu relato e a internet ajudou a chegar até mim. Encontrei a história dele em um grupo que tem 600 mil pessoas. Um rapaz até comentou que se 5mil pessoas doassem 10 reais já bateríamos a meta do Gui e poderíamos fazer a diferença na vida dele.
Eu senti um soco no estômago, não consegui parar de chorar. Aquela energia de dor e tristeza não era minha, mas me senti tão ligada a ele, pois vivemos no mesmo universo, respiramos o mesmo ar… Quero que o Gui tenha as mesmas possibilidades que eu. Hoje ele deve ter a minha idade, só deve amar diferente de mim, sonhar diferente de mim, no entanto, eu quero que ele tenha toda a vida para responder as questões que ele ainda precisa responder. E sinta a mesma empatia por alguém ou alguma causa como eu senti por ele.
Converti essa energia em palavras e uma doação de 13 reais. Espero que este texto também toque alguém, que disponha destes 7 reais e assim formemos 20 reais e que esta corrente de amor e empatia chegue a mais pessoas em tempo hábil e possa proporcionar a perspectiva de vida que o Gui merece. Espero um dia que o câncer seja apenas um signo.
Os dados bancários estão no site da vakinha, quem não puder doar, compartilhe a história do Gui: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/forca-gui-o-cancer-um-dia-sera-apenas-um-signo
Com carinho,
Emanuele Corrêa
Filha de Eli Corrêa, que desde novembro de 2016 luta contra um câncer de mama.
