Danilo Motta
Sep 30, 2016 · 3 min read

Fred Buriti é candidato a vereador de Belo Horizonte pelo PSOL. Veja o que ele tem a dizer:

Porque você quer ser vereador?

Porque Belo Horizonte possui 41 vagas na Câmara Municipal e nenhuma delas é ocupada por pessoas assumidamente LGBTIQs. Isso diminui a representatividade desse segmento da população que fica a mercê de pessoas que não enfrentam problemas relacionados à discriminação e preconceito enfrentados por pessoas LGBTIQs no seu dia a dia. Militar como cidadão é importante, mas é preciso ocupar os espaços institucionais para fazer valer nossa voz, nossas demandas e nossos direitos.

Como avalia a importância de candidaturas LGBT?

Avalio como um ato político de coragem, de engajamento e de empoderamento. Somos considerados minorias pelo modelo vigente de sociedade heteronormativa binária, mas, assim como as mulheres e as populações negra e indígena, por exemplo, somos um grande contingente que é sistematicamente excluído e alijado em seus direitos e garantias fundamentais.

Em sua página no Facebook há uma série de postagens criticando o machismo. Na sua opinião, como deve se dar a participação dos homens na luta feminista?

Participei da campanha 33 dias sem machismo tendo em vista meu assombro perante o caso de estupro daquela jovem no estado Rio de Janeiro. Diariamente, dezenas de mulheres são violentadas, massacradas e oprimidas pelo simples fato de serem mulheres. Recentemente, descobri que uma colega de trabalho anda com medida protetiva por ter sido agredida por um ex-namorado que não aceitou o término do namoro. Fiquei assombrado, porque não tinha conhecimento de um caso de agressão tão perto de mim. Entretanto, o machismo não se resume a à agressões físicas, ele perpassa todo o sistema cultural e comportamental da nossa sociedade. Ainda me surpreendo sendo machista, muitas vezes, muitas vezes mesmo. E é grande a dificuldade em perceber o machismo em si próprio, mas necessário. Penso que os homens que se propõem serem feministas devem aprender a escutar, precisam aceitar o protagonismo das mulheres, têm que respeitarem as mulheres e suas opiniões, seu jeito de ser, de viver, de se expressar, têm que valorizar feminino porque, embora diferente, ele têm o mesmo valor do masculino. Ser feminino, ser mulher não é menos, não é ruim. A gente (homens) aprende isso desde criança e o resultado disso é o machismo. Apesar de a campanha ter “terminado” a campanha dos 33 dias sem machismo no Facebook, continuo com minha campanha individual em meu dia a dia, pois todo dia é dia de treino.

Quais projetos devem ser priorizados em seu eventual mandato?

Quero ajudar no fortalecimento do Centro de Referência de LGBTs da Capital, aumentando sua interação com a sociedade por meio de audiências, assembleias, pela internet etc. A mim interessa muito estudar a ampliação da Lei Rosa para espaços públicos para coibir a discriminação e o preconceito contra esta população. Minha plataforma ainda é ligada à necessidade de auditarmos a dívida pública municipal, especialmente a PBH ATIVOS S.A., à ampliação da coleta seletiva em BH, à substituição dos ônibus a diesel pelos elétricos e à fluoretação da água. E é claro, todas essas pautas estão intrinsecamente ligadas ao fortalecimento da educação e da saúde da população.

Como você avalia a gestão municipal do prefeito Márcio Lacerda no que diz respeito a políticas voltadas para LGBTs?

São tímidas. O município pouco avançou nestas questões durante a gestão do prefeito. Um pedido de informação realizado por meio da Lei de Acesso à Informação demonstra que pouco recurso é destinado ao CRLGBT o que demonstra que as políticas públicas para este segmento não são prioridade.

Por que escolheu pelo PSOL?

Escolhi o PSOL porque as bandeira defendidas pelo partido são diretamente ligadas aos direitos humanos, a uma sociedade mais justa e igualitária, à distribuição das riquezas que estão concentradas com a elite deste país, bem como devido à atuação inspiradora e ética de parlamentares e demais militantes do Partido.

Empoderamento LGBT

Este espaço é dedicado a destacar a participação política de LGBTs. Fique à vontade para enviar sugestões de pauta!

Danilo Motta

Written by

O terror da concorrência || jornalistadmotta@gmail.com

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