Danilo Motta
May 8, 2016 · 4 min read

Mais LGBTs estão disputando cargos eleitorais a cada ano. São pessoas interessadas em agir politicamente, de modo a batalhar por garantia de direitos, respeito e tratamento igualitário. Com a proximidade das eleições municipais deste ano, decidi bater um papo com militantes da causa que pretendem se candidatar. O primeiro da série é o DJ e produtor André Pomba, candidato a vereador de São Paulo pelo Partido Verde.

Se você é ou tem sugestões de pré-candidatos LGBTs na sua cidade, pode me mandar por e-mail (jornalistadmotta@gmail.com) que terei o maior prazer em entrar em contato!

O papo que eu bati com o Pomba você confere aqui:

Danilo Motta: Por que você quer ser vereador?

André Pomba: Primeiramente porque depois de 37 anos de militância e ativismo em várias áreas, creio que tenho que ampliar a minha atuação para fazer um contraponto ao conservadorismo crescente na política brasileira. Também tenho a convicção que poucos como eu conhecem a cidade como um todo e não somente as áreas centrais ou o seu bairro de atuação. Embora eu lute muito pela revalorização do centro de São Paulo, eu conheço muito bem a necessidade de trabalhar pelo empoderamento das regiões periféricas da cidade.

DM: Por que a escolha pelo Partido Verde?

AP: Porque é o partido que melhor me acolheu e está em busca de resgatar as pautas que nortearam a fundação do PV há 30 anos. Tenho total liberdade de atuação, respaldo da direção em nossas demandas e inclusive para criticar nossos parlamentares que não defendem as causas determinadas pelo nosso Estatuto, como por exemplo a liberdade de orientação sexual, a defesa do aborto e da descriminalização do uso de drogas. A própria criação do PV Diversidade hoje é uma mostra de como o partido vem abraçando a causa LGBT.

DM: Quais projetos serão tratados como prioridade em seu mandato?

AP: Costumo dizer que minha atuação será focada em 3 itens: Cultura, diversidade e sustentabilidade. Dentro da área cultural, pretendo revalorizar as casas de cultura nos bairros, hoje abandonadas; quero cobrar a implantação de um programa de incentivo municipal de cultura; quero efetivar a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas e reforçar o caráter de inclusão social através da cultura, e ter um programa efetivo de valorização da noite de São Paulo. Na área de diversidade, quero discutir a criação de casas de acolhida, para jovens e adolescentes LGBT que são expulsos ou vítimas de violência em suas casas; pretendo apresentar uma lei anti-discriminação municipal que puna toda forma de preconceito (racismo, machismo, homofobia, transfobia, de origem, contra pessoas com deficiência etc); e vou investigar o aparelhamento partidário de equipamentos voltados à população LGBT. Na área de sustentabilidade, pretendo focar na questão do lixo (reciclagem e compostagem), bem como defender com unhas e dentes as parcas áreas verdes da cidade hoje ameaçadas pela especulação imobiliária.

DM: Qual a importância de eleger um candidato LGBT?

AP: Acho emblemático que mais candidatos LGBT se elejam, por conta da visibilidade das nossas pautas hoje ameaçadas pelo fundamentalismo. Mas também quero mostrar à população em geral que um candidato LGBT pode defender assuntos que afligem todos os cidadãos, conquistando com isso mais apoio para as nossas demandas. Também acho importante que sejam eleitos candidatos LGBT que atuem em prol da nossa população durante todo o ano e não somente apareçam pedindo votos em período eleitoral. Eu tenho plena consciência de que me dediquei ao máximo em toda minha vida pel@s LGBTs, fui conselheiro municipal por dois mandatos, participei de conferências municipais, estaduais e até na nacional LGBT, bem como também visitei toda periferia, ajudando a organizar conferências livres.

Como avalia a atual gestão municipal, sob o comando do prefeito Fernando Haddad, no que diz respeito a políticas voltadas para LGBTs?

Claro que houve bem vindos avanços, porém no sentido de melhorarem programas que já existiam. O programa Transcidadania é uma evolução do POT (Programa Operação Trabalho) e o Centro de Cidadania LGBT é uma ampliação do antigo Centro de Combate à Homofobia e por aí vai. De negativo, a desativação e posterior desconstrução do Conselho Municipal LGBT, bem como o aparelhamento partidário extremo, que prejudica a efetividade das políticas públicas que foram transformadas num cabide de empregos em detrimento da verdadeira militância que vem na batalha há anos.

Este ano acontece a 20ª Parada LGBT de SP. Na sua opinião, o que mudou na sociedade desde a primeira edição?

Muita gente critica a Parada por ela supostamente ter perdido sua veia reivindicatória e ter se transformado em um carnaval fora de época. Ora, no mundo todo as Paradas tem esse formato de cobrar direitos através da festa, de expor nossa visibilidade e o nosso orgulho. Quem podia andar de mãos dadas e se beijar livremente por São Paulo em 1997? E é claro que foi a Parada que, através da sua magnitude e beleza, ajudou nossa causa a ficar em evidência. E em que pese os fundamentalistas viverem de atacar nossos direitos, é evidente que foi graças às Paradas que ganhamos peso político e midiático.

Empoderamento LGBT

Este espaço é dedicado a destacar a participação política de LGBTs. Fique à vontade para enviar sugestões de pauta!

Danilo Motta

Written by

O terror da concorrência || jornalistadmotta@gmail.com

Empoderamento LGBT

Este espaço é dedicado a destacar a participação política de LGBTs. Fique à vontade para enviar sugestões de pauta!

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade