Danilo Motta
Sep 9, 2016 · 4 min read

Elisabete Fernandes tem 32 anos e é candidata a vereadora de Joinville (SC). Ela é casada, mãe adotiva e milita nos direitos das mulheres e LGBTs. Veja o que ela tem a dizer:

Por que você está se candidatando?

Candidatei-me por acreditar em uma Joinville livre e democrática de verdade. Resolvi entrar na política, quase como uma consequência natural da minha militância junto ao movimento LGBT; para lutar contra todas as formas de desigualdade e opressões, por uma sociedade mais justa, plural, igualitária e humana, na defesa intransigente da dignidade e por direitos; para promover e garantir as liberdades individuais da população LGBT na Câmara de Vereadores, travando essa luta em âmbito municipal, no propósito de transformar a política num instrumento real e efetivo à favor da democracia. A comunidade LGBT começa a conscientizar-se que ocupando a política iremos avançar em nossos direitos. Ocupar a política hoje é lutar contra o fundamentalismo e em defesa dos direitos humanos, na construção de uma bancada libertária, por direitos civis igualitários.

Qual a importância de termos LGBTs no legislativo?

É de suma importância termos representatividade política LGBTs. Por um país realmente laico, menos segregador, mais inclusivo e livre. Apesar de obtermos um aparente avanço de direitos, temos um LGBT assassinado a cada 28 horas no Brasil. Precisamos de mudanças reais, que respeitem à diversidade. Precisamos ocupar a política com representação de direitos, para que não haja mais espaço para o conservadorismo, o machismo enraizado, homolesbotransfobia e a falta de representatividade, lutando por uma sociedade livre de preconceitos e discriminações. O amor não é um privilégio heterossexual: o amor entre iguais precisa ser visível, livre e respeitado. Para isso, é necessário nos posicionarmos, ocupando espaços e pela exigência de nossos direitos. Representatividade e Diversidade já!

Como avalia a atual gestão municipal, sob o comando do prefeito Udo Dohler, em relação a políticas públicas para LGBTs?

No plano de governo de Udo Dohler, o termo LGBT não é citado nenhuma vez, nunca houve participação ativa em relação à pauta LGBT. Falta transparência, carência de diálogo com as entidades, movimentos sociais e com a população, faltam entidades de proteção e defesa dos direitos LGBT. Por intolerância, certamente, não criou políticas públicas para atender as principais demandas desta população, como inclusão no mercado de trabalho, atendimento especializado na saúde, educação adequada para o público LGBT e combate a violência física e simbólica. Recentemente, o Legislativo Municipal de Joinville retirou do Plano Municipal de Educação as discussões sobre gênero e diversidade sexual. O PME (Plano Municipal de Educação), que estabelece metas e diretrizes da área para os próximos dez anos na cidade, deve ser sancionado pelo prefeito Udo Dohler nesta semana. [A entrevista foi realizada no dia 7/9/2016]. Em sua metodologia de elaboração foram retirados os artigos que faziam menção às questões de gênero e sexualidade.

Quais serão suas prioridades em um potencial mandato?

Tenho como prioridades a representação da diversidade, defesa dos direitos humanos, dos direitos LGBT’s e da cidadania de travestis e transexuais, inserindo-as no mercado formal de trabalho. Pelo fortalecimento de atividades artístico-culturais nos bairros. Fomentar a Cultura Drag e a Arte LGBT, nas diversas áreas da cidade ou manifestações culturais. Trabalhar pela inclusão social, dialogando com a comunidade em busca da construção de projetos coletivos. Apoio à realização de paradas e atos [no] Dia da Visibilidade de Travestis e Transexuais (29 de Janeiro); Dia Internacional do Orgulho Gay (28 de junho); Dia Nacional da Visibilidade Lésbica (29 de Agosto). [Vou] propor a Criação de um Centro Municipal de Cidadania LGBT, espaço de serviço integrado e atendimento especializado à população LGBT, com apoio jurídico, psicológico e serviço social, além de promover debates e palestras ao público em geral e LGBT’s. São as propostas que vamos priorizar. Convido vocês a partilhar dessa construção. As demais propostas estão sendo divulgadas em nossa página no Facebook.

E por que escolheu o PPS?

Recebi o convite para filiar-me ao PPS e entrei por acreditar nesse partido como uma ferramenta de transformação da sociedade. Identifiquei no partido uma vontade em atuar fortemente pelos direitos humanos. ​O PPS possui uma história de luta efetiva na construção de uma sociedade justa, mais respeitosa e igualitária, que respeita e promove a diversidade, dando voz e visibilidade aos grupos sociais que nunca tiveram espaço e representação na política tradicional brasileira. É hora de avançarmos e fortalecermos a bancada LGBT. Ademais, o PPS tem como suas bandeiras programáticas mais importantes, a luta por garantia de espaço para as mulheres, com foco no incentivo da representatividade feminina no poder.

Empoderamento LGBT

Este espaço é dedicado a destacar a participação política de LGBTs. Fique à vontade para enviar sugestões de pauta!

Danilo Motta

Written by

O terror da concorrência || jornalistadmotta@gmail.com

Empoderamento LGBT

Este espaço é dedicado a destacar a participação política de LGBTs. Fique à vontade para enviar sugestões de pauta!

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade