Eleições e empoderamento LGBT: Lenilso Silva (13.400)

Terminada a Olimpíada, voltamos à programação normal! Retomamos nossa sequência de entrevista com Lenilson Silva, candidato a vereador de Bluenau (SC). Confira o nosso papo:

Por que você quer ser vereador?

Sempre fui movido por valores que me estimularam buscar justiça social e enfrentar as desigualdades. Minha luta está pautada na defesa das minorias, meu compromisso é com a vida justa, quero ser vereador para honrar as pessoas, proteger as mais frágeis e trabalhar para todas. Vivemos um momento político que a resistência já não é uma opção, mas uma questão de sobrevivência para aqueles que necessitam da luta por ampliação de direitos. Estou em defesa da população LGBT. O conservadorismo cresce em nosso país, o fundamentalismo religioso toma conta do legislativo e nos impõem suas pautas preconceituosas. É possível eleger um vereador jovem, LGBT, conectado com os movimentos sociais, com as lutas populares e com o combate permanente ao conservadorismo. É evidente a crise de representatividade que vivemos no Brasil. Durante toda a história de nossa cidade, tivemos apenas um vereador negro. Em contrapartida, o ultimo censo mostrou, novamente, que mais da metade da população brasileira não se auto-declara branca. Precisamos nos fazer representar na Câmara de Vereadores e, para isso, temos que eleger ao menos um de nós.

Como avalia a importância de candidaturas LGBT?

Há algum tempo, um candidato assumir-se gay, representava a perda de votos, na verdade, uma campanha já sem perspectiva. Isso ainda é verdade para muitos candidatos e muitos partidos. No entanto, essa é uma virada possível para muitos, para aqueles que veem no orgulho a possibilidade de encontrar identificação. São vários os exemplos, nossa candidatura não é a primeira e seguramente não será a última, porque os rumos que a democracia mundial está tomando faz necessário que a gente ocupe esses lugares, por uma questão de sobrevivência mesmo.

Como avalia a gestão do prefeito Napoleão Bernardes?

É mais uma gestão que faz o obrigatório. A Conferencia Municipal LGBT, por exemplo, mesmo com diretriz nacional de que deveria ser um eixo abordado na Conferencia de Direitos Humanos, só aconteceu depois de pressão popular e de uma moção de repúdio. É também uma gestão que foi conivente com a decisão da Camara de Vereadores de excluir o debate de gênero do Plano Municipal de Educação, para os próximos anos. Entao, é mais do mesmo: um governo que, com medo de perder eleitor ao apoiar uma dita minoria, é conivente com os discursos de ódio propagados cotidianamente por seus parceiros políticos.

Quais projetos devem ser priorizados?

Coordenadoria de Direitos Humanos; Conselho Municipal de Direitos LGBT; Conselho Municipal de Igualdade Racial e Combate ao Racismo; Conselho das Mulheres; Direitos das trabalhadoras Trans em situação de rua; Debate de gênero na escola; Valorização dos trabalhadores da Cultura; Luta pela garantia do Estado Laico; Defesa de uma cidade sustentável e que respeite o meio ambiente; Luta pela valorização do servidores e do serviço publico.

Por que a escolha pelo PT?

O Partido dos Trabalhadores tem em toda sua trajetória e nos seus princípios uma estreita relação com as pautas de Direitos Humanos, mulheres, LGBT, cultura e igualdade racial. Esses princípios que me motivaram a escolher o PT como uma alternativa para transformação social e é nisso que acredito. Foi no governo Lula/Dilma que foi criado o Programa Brasil Sem Homofobia, o Disque 100 que recebe denuncias de LGBTfobia, a Secretaria Nacional de direitos Humanos com a Coordenação e Conselho Nacional LGBT, reconhecimento do nome social nos estabelecimentos públicos e as três edições das Conferencia nacional LGBT. Pela vez primeira Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros entraram na agenda da política nacional como sujeitos e direitos. Penso que poderíamos ter avançado mais se não tivéssemos um Congresso Nacional extremamente conservador e algumas vezes o governo ficou refém e retroagiu nos avanços — e essa autocrítica é importante. De qualquer forma penso que está a esquerda (e eu trabalho para que o PT fique nesse campo) o acumulo da pauta de Direitos Humanos e é com essa perspectiva que eu estou no campo de batalha.