Cristiane

Cristiane Santana mora em Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade de São Paulo, região de periferia com alta vulnerabilidade social. Em 2007, ela teve que sair do emprego para cuidar de sua filha porque não tinha com quem a deixar. Pensando em complementar a renda de casa, Cristiane se inscreveu em um curso à distância de fabricação de bijuterias. Foi assim que entrou no universo do artesanato.

“Você ser criativo na periferia é sinônimo de vagabundo, você não tem incentivo”

Com o passar do tempo, esse trabalho ganhou importância para Cristiane, que recuperou sua independência financeira e percebeu que poderia fazer disso um negócio rentável.

“Eu precisava aperfeiçoar meu trabalho, porque existiam trabalhos mais lindos que o meu… aprendi na raça, tutorial tá aí pra isso”

Quando ela descobriu que tinha na poupança R$ 600,00 que não sabia, investiu todo o dinheiro na abertura de uma loja na garagem de sua casa, para vender suas peças e outras adquiridas no centro da cidade.

Nos primeiros anos, a loja não dava mostras de que ia dar certo: peças encalhadas, taxas administrativas não pagas que levaram ao congelamento da empresa, dúvidas em relação a como planejar, administrar e comunicar seu trabalho.

“Por não ter muito acesso a cultura, o pessoal de bairro é muito preso a modismos, ostentação, a televisão acaba virando um parâmetro… eu queria trazer pra minha loja, além da venda do material, um pouco mais de cultura… consumo consciente”

Foi nesse contexto que, em 2015, Cristiane ouviu falar do curso de Empreendedorismo e Economia Criativa que aconteceria em seu bairro.

“Eu saí do curso e mudei tudo!”

Após o curso, Cristiane decidiu investir em seu trabalho autoral e deixar de lado as peças compradas prontas. Reorganizou e redecorou a loja. Criou um slogan e uma identidade visual, que passou a acompanhar cada peça levando junto seu contato. Começou a vender pela internet. Decidiu agregar trabalhos de outros artesãos e artistas em sua loja com um modelo de parceria de divulgação. Passou a oferecer cursos de amarração de turbante e outras atividades relacionadas à cultura afro, que passou a ser o centro conceitual de seu trabalho.

“Aqui é um dos lugares que mais tem essa mistura, o povo negro… Fazendo esse trabalho de autoestima eu comecei a ter mais acesso a minha cultura… o meu bairro tá conhecendo meu trabalho. Eu quero que as pessoas daqui conheçam.”

Mais segura,consciente das possibilidades e atenta às necessidades de seu público-alvo, Cristiane hoje é convidada para a maioria das feiras de artesanato da cidade, anuncia e vende peças em seu site, vem conseguindo organizar sua vida financeira e tem como plano reinvestir o dinheiro que ganhar em seu negócio.

Veja a entrevista completa:

“Ubuntu significa ‘quando eu vou, todos nós vamos’. Como eu posso falar em empoderamento da população negra, em crescimento da periferia, se eu quero ir sozinha?”

Cristiane e outros empreendedores, formadores, agentes de desenvolvimento local e financiadores do projeto contam um pouco da sua experiência com os treinamentos de Empreendedorismo e Economia Criativa em São Paulo neste videodocumentário.

O projeto é uma parceria do Conselho Britânico com a Agência São Paulo de Desenvolvimento.