Brasil…
(re)histórias e (re)políticas

Isso aqui ioiô, é um pouquinho de Brasil iaiá…
Arte: Ricardo Machado
Apresentamos, a seguir, um pouquinho de nossa história e de nossa política reconstruindo o quebra-cabeças dos últimos cinco séculos e revelando outros contornos de nossa conjuntura, este tema tão complexo e tão importante às análises que o nosso tempo exige.
Ao trabalho!

Por Ricardo Machado | Enade Unisinos


Da Colônia à República

Capitanias Hereditárias

"O sol que dura / Só um dia / A cada dia / O sol diário / Contra o que for hereditário", assim soa a canção de Arnaldo Antunes. Mas no Brasil Colônia, em 1534, a história era bem diferente. Dom João III (1502–1557) destinou quatorze faixas de terra brasileiras a portugueses nobres e fidalgos com a responsabilidade de povoarem. Tais áreas eram as chamadas Capitanias Hereditárias, cuja maior parte fracassou neste projeto político, que consistia na administração de extensas faixas de terras por famílias tradicionais que tinham a responsabilidade de desenvolver os territórios. Tratava-se, aos seus modos, de uma espécie de "privatização" dos espaços comuns, que até então eram de todos e passaram a ser propriedades. Os conflitos indígenas, a distância das "metrópoles" da época e a falta de um órgão centralizador que organizasse as capitanias foram os principais motivos delas não terem funcionado. Entretanto, as Capitanias de São Vicente e Pernambuco foram as prósperas.

Império

Nos primeiros dias de 1822, Dom Pedro I é convocado por seu pai, Dom João VI, a retornar para Portugal e no dia 9 de janeiro diz "não", data que ficou conhecida como Dia do Fico. Nove anos mais tarde, em 1831, abdica o trono e o Brasil é governado por regentes até 1841, quando Dom Pedro II, aos quinze anos, assume o Império. Durante a Regência Trina Provisória, a partir 1831, o Brasil assina um acordo com a Inglaterra proibindo a entrada de escravos africanos, mas a prática continuou durante boa parte do século XIX.


Proclamação República

Após 20 anos de campanha política para desgastar a monarquia, no dia 15 de novembro de 1889 o Brasil é declarado República. Um ano antes a princesa Isabel, em 13 de maio de 1888, proclamou a Lei Áurea, tornando os escravos legalmente livres, mas isso não impediu que se mantivessem socialmente marginalizados. Os negros continuaram trabalhando sob regimes exaustivos e sem direito a nenhuma propriedade (ao contrário do que ocorreu com imigrantes europeus desde a segunda metade século XIX, que foram os primeiros "cotistas" do Brasil ao receberem lotes de terras e ferramentas para colonizar o interior do país, sobretudo nas regiões de geografia mais acidentada do Sul e Sudeste). Dom Pedro II, o último imperador brasileiro, deixou o continente e rumou para Paris, na França, dois dias após a Proclamação da República, onde viveu até 1891.

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Agora é hora de dar uma relaxada. Enquanto você faz um lanchinho, assista esse minidocumentário sobre a história do Brasil que faz uma revisão do período histórico apresentado e introduz o debate dos próximos tópicos.
Documentário com animação e locução contando a história do Brasil,resumido em 15 minutos, a contar de 1822 aos dias de hoje, abordando o desenvolvimento da política, da arte, da imigração etc…

Século XX

A convulsão das primeiras décadas

Inspirada pela estrutura liberal federativa dos Estados Unidos, em 1891 é promulgada a segunda Constituição Brasileira, sendo a primeira do período conhecido como República da Espada ou Primeira República. Até 1930 o país foi palco de diversas disputas e resistências ao republicanismo aristocrático do começo do século XX (republicanismo que, em alguma medida, se reproduz até hoje).

Em 1904 ocorreu a Revolta da Vacina, motivada pela imposição do Estado à população de que todas pessoas eram obrigadas a vacinarem-se contra a varíola, e em 1910 a Revolta da Chibata, contra os maus tratos dos oficiais aos praças da Marinha, ambas no Rio de Janeiro; em 1911 é a vez da Revolta de Juazeiro, embate entre as oligarquias cearenses e o Estado Federal; entre 1912 e 1915, Santa Catarina e Paraná travaram uma disputa territorial chamada de Contestado; a partir de 1922, com a Revolta do Forte de Copacabana, começa o Movimento Tenentista; a Coluna Prestes percorre o Brasil depois de 1924, mas fracassa na tentativa de derrubar o presidente Washington Luís; o intento é levado a cabo por Getúlio Vargas, em 1930, depois de Washington Luís ser deposto por ministros militares após o assassinato do paraibano João Pessoa, que transformou-se em um fato "político". O estancieiro gaúcho assume o governo provisório, dá-se início a Era Vargas, com a Revolução de 1930, cujo caminho foi aberto e a partir de então se encerra o Movimento Tenentista.

Getúlio Vargas

Getúlio Vargas pôs fim à República Velha ao depor Washigton Luís e impedir a posse de Júlio Prestes, eleito em 1° de março de 1930. Instaurou-se, então, o “Governo Provisório” até 1934; depois, até 1937, quando Getúlio foi eleito presidente da república pela Assembleia Nacional Constituinte.

Entre 1937 e 1945, Vargas governou sob o regime do Estado Novo após um golpe, seu período mais marcadamente autoritário de onde vem a pecha de ditador. Em 1943, publicou a Consolidação das Leis Trabalhistas — CLT (justamente a legislação que vem sendo flexibilizada pelo Projeto de Lei 4330/2004 que está na pauta do Congresso e trata, entre outros temas, da Terceirização da Atividade fim das empresas).

Vargas, como positivista e nacionalista, levara a economia nacional da época a um aprofundamento do processo de industrialização, substituindo as importações de bens de consumo não duráveis, como roupas e alimentos. Investiu com maior ênfase nos setores de metalurgia e siderurgia. Foram criadas a Companhia Vale do Rio Doce, a Siderúrgica Nacional, Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico — BNDE e o Conselho Nacional do Petróleo, que futuramente resultaria na Petrobras, já em seu governo no período de 1950 a 1954.

Em 1954, Getúlio Vargas sofria dura oposição do deputado udenista Carlos Lacerda, que havia sido vítima de um atentado, no dia 5 de agosto, cuja culpa recaíra sobre Gregório Fortunato, o "Anjo Negro", chefe da guarda pessoal de Vargas. Nos dezenove dias que antecederam o suicídio de Vargas, os generais militares exigiram em manifesto a renúncia do presidente.

“Saio da vida para entrar na história”. Assim encerrava a carta de despedida de Getúlio Vargas encontrada, no dia 24 de agosto de 1954, no cômodo onde se matou com um tiro no peito, no Palácio do Catete no Rio de Janeiro.

Kubitschek, Brasília e a emergência de um Brasil interrompido

Juscelino Kubitschek de Oliveira, mais conhecido como JK, foi presidente do Brasil entre 1956 e 1961 e responsável pela construção de Brasília, além de ter aberto a indústria nacional a empresas estrangeiras, como, por exemplo, a montadora de automóveis Volkswagen.

A atual capital nacional, Brasília, foi fundada no dia 21 de abril de 1960, mas toda sua concepção e construção ocorreram durante a década de 1950 no período do governo JK. Com 112 quilômetros quadrados, é a maior área tombada pelo Patrimônio Cultural da Unesco.

Reformas de Base

Depois da renúncia de Jânio Quadros, que governou o país entre janeiro e agosto de 1961, João Goulart — Jango, que havia sido Ministro do Trabalho de Vargas, assumiu o comando do país, afinal, era o vice-presidente da república, ainda que de um partido diferente do de Jânio. Defensor das Reformas de Base, que estavam na pauta desde 1958, Jango, quando assumiu o país, em 1961, retomou a agenda que buscava a redução da desigualdade no Brasil.

O guarda-chuva das “Reformas de Base” reunia um conjunto de iniciativas que visavam, principalmente, as reformas agrária, urbana e universitária, mas também as reformas bancária, fiscal e administrativa. Em 1963, lançou Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social e ensaiava a aplicação das reformas de base.

O processo que levou Jango a comandar o Brasil, após a renúncia de Jânio Quadros, foi absolutamente tenso e só foi levado a cabo depois de uma exitosa Campanha da Legalidade, capitaneada pelo governador gaúcho da época, Leonel Brizola. Frente um cenário desfavorável em Brasília, Jango aceitou assumir o posto como Primeiro Ministro. Resistiu no poder até 31 de março de 1964, quando foi deposto pelos militares que assumiram um governo que duraria 21 anos a partir do dia 1° de abril.

Golpe Civil-Militar de 1964


// 1964 // Ato Institucional 1 — AI-1

Publicado no dia 9 de abril, o AI-1 cassou mandatos, suspendeu a imunidade parlamentar e os direitos políticos de quem foi cassado. Dois dias depois Humberto de Alencar Castelo Branco foi empossado presidente.

// 1965 // Ato Institucional 2 — AI-2

Os partidos políticos foram extintos pelo AI-2 e o Ato Complementar n° 4 instituiu o bipartidarismo materializado na Aliança Renovadora Nacional — Arena (governista) e o Movimento Democrático Brasileiro — MDB (oposição).

// 1966 e 1967 // Ato Institucional 3 e 4 — AI-3 e AI-4

Nos primeiros meses de 1966 foi instituído o AI-3 que determinou a eleição indireta para o governo dos Estados. O Congresso, que havia sido fechado, devido a cassação de vários deputados, foi reconvocado pelo AI-4 e, em janeiro de 1967, a sexta Constituição brasileira foi promulgada. Arthur da Costa e Silva foi referendado pelo Congresso e passou a ser presidente brasileiro.

// 1968 // Ato Institucional 5 — AI-5

O mais célebre e o mais duro de todos Atos Institucionais, o AI-5 fechou o Congresso, cassou mandatos, suspendeu o recurso jurídico do habeas corpus e tornou "legal" a repressão. As portas do inferno haviam sido abertas, a tortura se tornou um expediente de Estado. A década subsequente foi a mais dura e violenta do regime militar, vitimando milhares de pessoas entre elas Vladimir Herzog, Rubens Paiva e Carlos Lamarca. No mesmo período morrem Jango, Kubistchek e Lacerda, todos sob circunstâncias suspeitas, embora nunca tenha sido provado que eles foram assassinados.

O que é isso, Companheiro?

O Que É Isso, Companheiro? é um filme brasileiro de 1997, dirigido por Bruno Barreto, com roteiro parcialmente baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira, escrito em 1979. Produzido por Luiz Carlos Barreto, é estrelado por Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Cláudia Abreu, Matheus Nachtergaele, Luiz Fernando Guimarães e tem uma participação especial de Fernanda Montenegro e do ator norte-americano Alan Arkin no papel de Charles Burke Elbrick, entre outros. Fonte: Wikipedia

// 1979 //

João Batista Figueiredo, o último presidente militar, assina a Lei da Anistia. Em seguida, o pluripartidarismo é reestabelecido, a Arena se transforma em PDS, o MDB passa a ser PMDB, surge o PT e partidos como o PDT e PTB renascem. No município de Ronda Alta, no interior do Rio Grande do Sul, trabalhadores rurais que haviam ocupado uma reserva são expulsos, dando início ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra — MST, que lutam, desde então, por reforma agrária.


Redemocratização

Convocada pelo Partido dos Trabalhadores-PT, a primeira manifestação pública pelas Diretas Já ocorreu em 1983 e contou com a participação do PMDB, PDT, centrais sindicais e a Central Única dos Trabalhadores — CUT, recém fundada. Em 1984, a campanha ganha força e a Rede Globo passa a apoiar o movimento, que inicialmente fora silenciado pela emissora. Em 1985, Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática formada pelo PMDB e o PFL, partido que se origina de dissidentes do PDS, é eleito presidente por meio de eleições indiretas.

Ultima foto oficial de Tancredo Neves

Na véspera do fatídico dia 15 de março, data em que os presidentes do regime de exceção eram empossados, Tancredo, em vez de assumir a presidência nacional, nesse dia, em 1985, é internado e não assume o cargo. No dia 21 de abril a morte de Tancredo é anunciada e José Sarney (eleito vice-presidente)assume, definitivamente, o posto de presidente da República.

Charge feita por Henfil.

Constituição 1988

A Constituição de 1988 é a atual carta magna da República Federativa do Brasil. Foi elaborada no espaço de 20 meses por 558 constituintes entre deputados e senadores à época, e trata-se da sétima na história do país desde sua independência.

Promulgada no dia 5 de outubro de 1988, ganhou quase que imediatamente o apelido de constituição cidadã, por ser considerada a mais completa entre as constituições brasileiras, com destaque para os vários aspectos que garantem o acesso à cidadania.

Tais valores permanecem em constante construção. Passar da letra fria da lei para a efetividade da vida social exige forte pressão e mobilização política da sociedade, processo no qual ainda estamos imersos, buscando formas para concretizar os direitos que a Constituição reconhece e assegura.

O mundo Globalizado
e o "Fim da Era Vargas"

O muro de Berlim, que dividiu a Alemanha, foi derrubado em 1989, e em 25 de dezembro de 1991 Mikhail Gorbachev renunciou à presidência da União Soviética, acabando definitivamente com a Guerra Fria.

No Brasil, depois de vencer as eleições diretas em 1989, Fernando Collor — que contou com o famoso caso de manipulação do debate na TV Globo — foi eleito com o slogan “O caçador de marajás”. Menos de dois anos depois de sua posse, uma mobilização social foi às ruas quando Collor congelou a caderneta de poupança em nome de um “ajuste fiscal”, sem contar os casos de desvio de recursos públicos. O impeachment não tardou. No dia 29 de setembro de 1992, após aprovação na Câmara Federal, por 441 votos a favor e 38 contra, Collor acabou, nos termos da Constituição Federal, deposto. Itamar Franco assumiu a presidência.

Fernando Henrique Cardoso, como ministro da Fazenda, chefiou o grupo responsável pela implantação do Plano Real, que estabilizou a inflação à época. Em seu último discurso no Senado Federal, em dezembro de 1994, declarou: “A era Vargas acabou!” (a seguir, um pequeno trecho de seu discurso).

"Eu acredito firmemente que o autoritarismo é uma página virada na História do Brasil. Resta, contudo, um pedaço do nosso passado político que ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas — ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista."

Neoliberalismo

Após o fim da Guerra Fria, a lógica econômica do Neoliberalismo ganha força em escala global, processo que também é conhecido como Consenso de Washington. Os preceitos que fundamentam essa dinâmica são a desregulamentação da economia, a circulação livre de capitais, as privatizações e a minimização do Estado nas decisões econômicas. Isso tudo faz emergir a globalização de mercado, que se caracteriza pelo crescimento da produção e do comércio, mas ao mesmo tempo aprofunda a desigualdade entre as nações.

Privatizações

Extração de minério de ferro em Carajás, no Pará | Foto: Ricardo Funari

A racionalidade neoliberal foi assumida por Fernando Henrique, que presidiu o país na segunda metade da década de 1990. Segundo esta lógica, era necessário entregar à iniciativa privada o que o poder público “não sabia” administrar. Itamar Franco foi quem começou o processo de privatizações das estatais que haviam sido criadas no governo Vargas, iniciando com a Companhia Siderúrgica Nacional, em 1993.

Depois de 1996, todas as ferrovias nacionais foram privatizadas, companhias de telefonia e de distribuição de energia elétrica seguiram o mesmo caminho. A Vale do Rio Doce, na época a maior mineradora do mundo, também foi vendida e as denúncias de corrupção nos leilões são matéria jurídica ainda hoje. O pretexto foi a redução da dívida pública, cuja maior parte foi contraída no governo militar, mas na prática o débito de US$ 269 bilhões em 1996 pulou para US$ 881 bilhões em 2002.


Partido dos Trabalhadores, 13 anos

Desde 2003, o Executivo Federal é chefiado pelo Partido dos Trabalhadores-PT, que passou a enfrentar a partir do começo de 2015 sua pior crise política, cuja resistência emerge da base aliada, o PMDB, sobretudo na figura do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A principal crítica de esquerda ao atual governo é de que ele nunca rompeu com o sistema financeiro internacional. Ao contrário, o partido nos últimos meses tem optado por um projeto de austeridade financeira que corta direitos dos trabalhadores, cuja figura central destas políticas é o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Carta ao povo brasileiro

Lida em junho de 2002, meses antes do pleito do mesmo ano, a Carta ao povo brasileiro apresentada por Luiz Inácio Lula da Silva visava “acalmar” o mercado financeiro ao anunciar, de antemão, o nome de Henrique Meirelles como futuro ministro da Fazenda, caso fosse eleito (Meirelles foi o único brasileiro a presidir o Banco de Boston). A questão de fundo era, ao que parece, um compromisso do PT com o sistema financeiro mundial. Há teses, não comprovadas, de que esta carta teria sido negociada por José Dirceu junto com o partdo Republicano dos Estados Unidos. Nada foi provado, porém até hoje nunca foi feita uma auditoria da dívida pública, cuja previsão de recursos em 2015 é de 47% do PIB nacional, conforme a Auditoria Cidadã da Dívida.

Este livro conta a história da ofensiva diplomática de Lula e FHC para quebrar a resistência do governo norte-americano ao PT nas eleições de 2002 (18 DIAS — Matias Spektor. Objetiva: Rio de Janeiro, 2014)

No dia 1º de janeiro de 2003, Lula assumiu a presidência da Repúbica. Anteriormente, porém, contou com o apoio de Fernando Henrique Cardoso para ser apresentado a George W. Bush, com quem teve uma audiência nos EUA antes mesmo de tomar posse.

FHC não ajudou Lula por simpatia, senão por preocupação pela continuidade de seu plano monetário instaurado, na ocasião, há oito anos, o Real. Lula chefiou o Executivo federal até o final de 2010. Dilma Rousseff governa o país desde então.

Cidadania e desigualdade

A principal aposta do Partido dos Trabalhadores — que na prática reduziu a desigualdade social — para garantir cidadania à população foi por meio do consumo, sobretudo na realização de programas sociais tais como o Bolsa Família. Este programa reúne uma série de benefícios sociais praticados desde a década de 1990 e é destinado a famílias em estado de pobreza extrema com crianças e jovens de até 15 anos, desde que possuam frequência escolar de no mínimo 85%.

Outro programa de transferência de renda bastante conhecido é o Programa Universidade para Todos-Prouni, instituído em 2004, que tem como meta possibilitar o ingresso de jovens de baixa renda ao ensino superior.


Corrupção — Os mensalões

Durante décadas o Partido dos Trabalhadores-PT acusou as demais siglas de serem corruptas. Mas uma investigação do Ministério Público Federal, baseada em denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), deu início à Ação Penal 470, midiaticamente intitulada de Mensalão, cujo principal alvo era justamente o PT, que pagaria parlamentares para aprovarem projetos de lei apresentados pelo Executivo. O líder do esquema seria o então Ministro da Casa Civil José Dirceu. Jefferson, que havia sido o estopim da crise, durante seu julgamento, em 2011, afirmou que o "Mensalão não teria sido fato, mas retórica". Dirceu, Jefferson e outros 23 nomes foram condenados após o julgamento.

Esse caso, porém, não foi exclusivo. Com muito menos repercussão nos meios de comunicação, o chamado Mensalão Tucano desviou recursos e praticou lavagem de dinheiro com vistas à reeleição de Eduardo Azeredo, do PSDB, em Minas Gerais, em 1998. No ano de 2009 foi a vez de José Roberto Arruda, do DEM, governador do Distrito Federal, ser alvo de investigação da Polícia Federal, por desvio de verbas públicas para compra de apoio parlamentar e enriquecimento pessoal.

Lava-Jato X Operação Zelotes

Segundo dados da Tax Justice Network, o Brasil ocupa o 69° lugar no ranking da corrupção mundial e a vice-liderança na listagem dos países onde mais se sonega impostos.

Lava-Jato

A Operação Lava-Jato investiga um esquema de desvio e lavagem de dinheiro no alto escalão administrativo da Petrobras, cujo montante dos valores irregulares alcança aproximadamente R$ 2 bilhões (o processo ainda está em julgamento). A lista dos políticos envolvidos na investigação contabiliza 12 senadores e 22 deputados da ativa. Na soma de todos os envolvidos esse número chega a 53 pessoas, sendo: 33 políticos do Partido Progressista — PP; nove correligionários do PMDB, oito do PT; dois do PSDB; e um do PTB, justamente, Fernando Collor.

Operação Zelotes

A operação da Polícia Federal de combate à sonegação fiscal de grandes corporações, chamada Operação Zelotes, já confirmou um prejuízo de R$ 6 bilhões aos cofres públicos (três vezes o valor desviado no sofisticado esquema de corrupção da Petrobras, também conhecido como Operação Lava-Jato). Caso os valores estimados pela Operação Zelotes sejam confirmados, entrariam nos cofres públicos R$ 19 bilhões, dinheiro suficiente para bancar todo o ajuste proposto por Joaquim Levy.

Sistema Político Brasileiro


Manifestações de 2015

Nos dias 13 e 15 de março, dois pólos da sociedade brasileira foram às ruas, os primeiros muito identificados com as centrais sindicais e os últimos mais identificados com uma direita conservadora que pedia do impeachment de Dilma à intervenção militar.

Fonte: http://diariodeumbobodacorte.blogspot.com.br

No dia 12 de abril este último grupo voltou às ruas, com menos intensidade, sob palavras de ordem de retirada do governo do PT. A corrupção foi o principal pretexto que levou a população às ruas, mas não houve uma pauta unificadora que consistisse em pedidos concretos de reforma política ou econômica.

Os reclames não incluíram os importantes retrocessos sociais ocorridos entre o fim de 2014 e o começo de 2015, como, por exemplo, o ajuste fiscal, os cortes nos direitos trabalhistas e a redução em R$ 9,4 bilhões do orçamento da educação. A massa que está nas manifestações não se caracteriza somente por integrantes da elite (que sofrem menos os impactos dos cortes e que, por outro lado, estabelecem a dimensão narrativa das manifestações), há, também, outras camadas sociais descontentes.

Reforma Política

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O gritos de junho de 2013, que ecoaram timidamente no discurso de Dilma Rousseff em que defendia (retoricamente ou não) uma reforma política com base nos apelos das ruas, foram silenciados. Durante a campanha eleitoral, o tema voltou e novamente foi calado.

Eduardo Cunha (foto), presidente da Câmara dos Deputados, colocou o tema na pauta do Congresso, mas aos seus moldes, ou seja, ignorando os clamores da multidão de 2013. Na opinião do juiz eleitoral do Maranhão Márlon Reis, diretor do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), um dos artífices da lei da Ficha Limpa, as ações de Cunha tratam-se de um ato antidemocrático.

Na última semana de maio, depois do financiamento privado de campanha ser extinto em votação no Congresso, Cunha, em uma manobra política, recolocou a pauta em votação e aprovou novamente o financiamento privado. Leia a crítica de Chico Whitaker.

“Precisamos falar de reforma política desde as manifestações de junho de 2013. Já se fala disso há muito tempo na sociedade. Ao mesmo tempo, a sociedade continua a se mobilizar por uma verdadeira reforma política, com coisas que efetivamente mudem o quadro, como o controle do financiamento de campanha. Isso, sim, é um escândalo nacional, porque a OAB já entrou com moção no Supremo, tem a maioria de seis votos favoráveis e o Gilmar Mendes, simplesmente, sentou em cima”, Chico Whitaker, do Movimento Fé e Política e do Fórum Social Temático da Reforma Política — Pela Democratização do Poder.

Longe de ser linear e lógica, a história humana e, consequentemente, a do Brasil é cheia de contradições, de movimentos complexos e de uma política (no modo hegemônico) que sempre tendeu às oligarquias nacionais, pouco importando o período histórico. O que acabamos de apresentar não é a evolução, no sentido cartesiano, de uma Colônia Portuguesa a uma República pós-moderna, mas sim o universo de complexidades que marcam a gênese de nosso país.
Feito tudo isso, o que cabe a cada um de nós é (re)construir a história do Brasil não de maneira definitiva, mas ampliando os contornos de nosso conhecimento histórico a partir das relações que se estabelecem nos episódios que desembocam no Século XXI.

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