O Brasil e o mundo
As relações, as tensões e as nuances de nosso país em âmbito global

No mundo globalizado, os problemas, os desafios e as soluções estão sempre mais próximos e são sempre mais complexos do que podemos supor . Focar as questões contemporâneas exige transpor as fronteiras dos estados-nação e pensar suas inter-relações.
Texto |Rico Machado | Jornalista e doutorando em Comunicação |
Política internacional do Brasil com outros países
No Brasil, o órgão responsável pelas relações internacionais é o Ministério das Relações Exteriores, também chamado de Itamaraty. Vinculado ao Executivo, o corpo de diplomatas brasileiros atua como a representação nacional em diversas partes do mundo, em vários assuntos estratégicos, desde questões diplomáticas mais simples na participação de eventos oficiais nos países onde possui embaixada até mediações e negociações políticas e econômicas.
Historicamente o Brasil desempenhou diferentes papéis no cenário da política global.
- Na época da Primeira República, a atuação do Barão do Rio Branco foi fundamental para a guinada da política externa que, até então, estava muito vinculada à Europa e voltou-se para os Estados Unidos. Nessa época, o centro diplomático brasileiro mudou-se de Londres, na Inglaterra, para Washington.
- Na Era Vargas, o Brasil optou por se aproximar de nações que pudessem colaborar com o projeto nacional-desenvolvimentista de Getúlio, o que levou o país a manter relações estratégicas com a Alemanha e os Estados Unidos, inimigos na Segunda Guerra Mundial, conforme a conveniência do projeto varguista. Isso durou até 1942, quando o Brasil optou por apoiar os Aliados no conflito armado mundial. Os Aliados eram as forças opositoras ao regime nazista de Adolf Hitler e Fascista de Benito Mussolini. Os quatro grandes países que formaram o bloco dos A União Soviética, os Estados Unidos, o Império Britânico e a China.
- Entre 1946 e 1961, o Brasil, a partir do governo do presidente Gaspar Dutra, aposta em uma intensificação nas relações com os Estados Unidos, em pleno contexto de Guerra Fria.
- Na história brasileira, o momento de maior autonomia do Brasil república em relação aos Estados Unidos ocorre entre 1961 e 1964, durante os governos Jânio Quadros e João Goulart — Jango. Por isso mesmo, nessa época a postura nacional é chamada de Política Externa Independente.
- Como o regime militar no Brasil durou 20 anos, torna-se incorreto dizer que houve uma única estratégia durante essas duas décadas. O fato é que o país adotou medidas de aproximação e de distanciamento dos Estados Unidos, buscando fortalecer o projeto de desenvolvimentismo nacional, apostando no pragmatismo diplomático.
- Nos anos 1990, especialmente na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil aposta na política do neoliberalismo. Com isso o Brasil passa a assinar uma série de tratados internacionais e a participar mais efetivamente em órgãos internacionais de regulação. Isso inclui a participação em órgãos de economia até a regulação do uso e produção de armas nucleares.
- A partir dos anos 2002, especialmente depois do governo Lula, Novamente o Itamaraty aposta em uma política exterior independente dos Estados Unidos e propõe uma reaproximação com diversos países da América Latina e nações consideradas “terceiro mundistas”, ampliando a relação Sul-Sul. Participa e é membro ativo dos acordos de cooperação entre Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul — BRICS, Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul — IBAS e do bloco composto pelos doze países da América do Sul — Unasul.
O Brasil no cenário global atual
Uma das finalidades do Ministério das Relações Exteriores é promover o desenvolvimento nacional por meio de parcerias com outros países. Contudo, com a globalização e o aumento do fluxo de dinheiro entre as nações, inclusive por meio de parcerias bilaterais, o Ministério das Relações Exteriores se viu frente a desafios que, anteriormente, tendiam a ficar restritos ao território nacional, entre eles, a corrupção. Esse é, justamente, o atual calcanhar de aquiles da política externa brasileira. Levando em conta somente os crimes em que a construtora Odebrecht está sendo investigada, são 12 países com políticos envolvidos na acusação de terem recebido propina. A América Latina é onde está concentrada a maior parte dos casos.
Presidentes da América do Sul
Clique em cada um dos pontos laranjas para acessar mais informações sobre os presidentes dos países vizinhos, seus mandatos e um breve aspecto sobre sua conjuntura política.
A América do Sul entrou no século XXI mergulhada em uma nova onda política, chamada por alguns setores de “a onda progressista”, em que, pela primeira vez na história, vários mandatários dos países latinos eram de partidos ligados à esquerda. No Brasil, Lula e Dilma; na Argentina, Cristina Kirchner; no Paraguai, Fernando Lugo (por pouco tempo, sofreu impeachment); na Bolívia, Evo Morales; no Chile, Michele Bachelet; no Equador, Rafael Correa; na Colômbia, Juan Manuel Santos; e, na Venezuela, Hugo Chavez e Nicolás Maduro. Contudo, desde 2015 as populações dos países latino-americanos têm dado uma guinada no perfil político de seus mandatários, apostando em chefes de estado mais à direita no espectro político.
Argentina
Na Argentina, Mauricio Macri, então prefeito da cidade de Buenos Aires, venceu o governador da mesma província e sucessor político de Cristina Kircner, Daniel Scioli. O pleito ocorreu em novembro de 2015.
Guatemala
Na Guatemala, Jimmy Morales, um comediante, conservador e religioso, apostou no discurso contra a corrupção e se alçou ao posto de presidente com a preferência de 69% da população. A vitória de Jimmy é, em certo sentido, uma vitória da “não-política”, uma vez que essa foi a tônica de sua campanha quando derrotou a ex-primeira dama Sandra Torres, de inspiração social-democrata, nas eleições de 2015.
Peru
Em 2016, o Peru realizou eleições presidenciais e escolheu para o cargo de mandatário Pedro Pablo Kuczynski, com Keiko Fujimori, filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori, em segundo lugar. Um ano depois de assumir o Executivo, Kuczynski vive uma crise de governo com greves gerais, diminuição do Produto Interno Bruto — PIB e um cenário negativo em âmbito global com as acusações de corrupção de seu antecessor Ollanta Humala, envolvido em corrupção com a Odebrecht.
Equador
Lenín Moreno é o sucessor político do ex-presidente equatoriano Rafael Correa. Ele está há três meses no poder, tempo suficiente para subir seu conceito na opinião pública na mesma medida em que se distanciou do ex-presidente e companheiro político, a ponto de ser chamado de traidor. Antes de sair do Executivo, Correa passou por uma crise em seu governo devido à queda do preço do petróleo, recuou em sua política de proteção ambiental e dos povos indígenas, além de autorizar a extração de petróleo no Parque Yasuní.
Chile
O Chile realizará em novembro eleições presidenciais. Oito candidatos disputam a corrida para ao Palácio de La Moneda. Concorrem o ex-presidente Sebastián Piñera, Alejandro Guillier, Carolina Goic, Beatriz Sánchez, Alejandro Navarro, José Antonio Kast e Eduardo Artés. O pleito ocorre no dia 19 de novembro.
Venezuela
No dia 31 de julho a Venezuela realizou um plebiscito para saber se a população concordava com a realização de uma nova assembleia constituinte. Segundo dados oficiais, 8 milhões de pessoas votaram a favor do projeto de Nicolás Maduro, atual presidente. Duas semanas da votação oficial, a oposição venezuelana também realizou um plebiscito não-oficial para saber se a população era a favor ou contra a realização da constituinte e o resultado foi de 7,1 milhões de pessoas contrárias à proposta. Antes de apontar qualquer caminho, o resultado das votações mostra um país dividido e imerso em uma crise social e política muito difícil, com mais de 100 mortos, oficialmente reconhecidos, em 2017. A situação se agrava ainda mais com a queda no valor do barril de petróleo venezuelano, cuja estimativa real é muito imprecisa, mas gira na faixa dos 35 dólares. Na época de ouro da Venezuela, o petróleo, principal commodity* vendida no país e fiel da balança comercial, chegou a ser vendido a 100 dólares.
* O termo commodity se refere a qualquer tipo de bem em estado bruto ou in natura. Podem ser commodities grãos, minérios e vegetais sem valor agregado.
A Era Trump

O Dicionário Oxford definiu como a palavra do ano de 2016 o termo “pós-verdade”. Também pudera, afinal poucos verbetes foram tantas vezes repetidos quanto esse antes, durante e depois das eleições que alçaram Donald Trump ao posto de presidente dos Estados Unidos da América. Isso porque durante a corrida eleitoral um fenômeno até então marginalizado, as fake news (notícias falsas), tornou-se central na campanha presidencial. Para se ter uma dimensão mais precisa do que significa a propagação das chamadas fake news, tomemos em conta o seguinte cenário. No primeiro trimestre da campanha eleitoral nos Estados Unidos, entre fevereiro e março de 2016, o engajamento nas redes sociais de notícias baseadas em fatos reais era de 12 milhões de interações, contra 3 milhões das notícias falsas. À medida que o dia da eleição foi se aproximando, as proporções inverteram-se, até que na semana da votação as notícias falsas alcançaram 8,7 milhões de compartilhamentos e ultrapassaram as verdadeiras, com 7,3 milhões de interações. A apuração leva em conta o relatório apresentado pelo site buzzsumo.com, que mede engajamento de conteúdos web. A revista IHU On-Line publicou uma reportagem sobre o assunto.

As mudanças da chamada Era Obama para a Era Trump são absolutamente radicais. Nas relações internacionais, Obama tinha uma postura mais conciliadora, tanto que refez o acordo de negociação com Cuba, um feito histórico depois de mais de 50 anos de embargo conercial dos produtos da ilha. Trump, por seu turno, revogou o acordo. Aproximou-se cada vez mais da Rússia de Vladimir Putin (à esq na foto), o ex-agente da KGB — agência de espionagem da União Soviética. A reputação de Putin é cheia de controvérsias, acusado inclusive de ter usado o serviço secreto russo para espionar Hilary Clinton. Tais informações teriam sido passadas ao filho de Donald Trump, o homônimo Donald Trump Jr, durante a campanha eleitoral. Trump ainda luta no Congresso dos EUA para derrubar o chamado Obama Care, uma espécie de plano de saúde público, a exemplo do SUS brasileiro, para atender as populações mais carentes dos EUA.
Um episódio recente, ocorrido na cidade de Charlotesville, na Virgínia, em que neonazistas e supremacistas brancos marcharam contra os direitos da população negra dos Estados Unidos foi recebido por Trump com ares de amenidade, que em discurso disse: "’Há culpa dos dois lados". A repercussão foi tão negativa, que o presidente dos Estados Unidos, pouco afeito a retratações, recuou e, depois, condenou a Ku Kux Klan pela realização do ato.
O risco de uma Guerra Nuclear
As disputas política no cenário global entre os EUA e a Coreia do Norte despertou um perigoso gigante adomercido: a possibilidade de uma guerra nuclear. Enquanto Kim Jung Woon, líder da Coreia do Norte, testa seus mísseis intercontinentais cruzando os céus do Japão, Donald Trump esbraveja e diz que a resposta virá “com fogo e fúria jamais vistos pelo mundo”. O ponto, é que os riscos de um combate nuclear, deixa vulnerável não somente a população civil dos países em conflito, mas todo o Norte global.

Um dos principais problemas é que os efeitos desse tipo de munição nuclear são muito extensivos, seja em territorialidade, seja em efeitos devastadores, difíceis de serem dimensionados. A questão é tão delicada, que Rússia e China, historicamente opositores aos EUA, pediram moderação à Coreia do Norte para evitar o acirramento do conflito.
Migrações e refugiados
Desde a Segunda Guerra Mundial não havia tantas pessoas em deslocamento forçado em escala global. Atualmente o número de migrações bate na casa dos 65,6 milhões de pessoas, que são obrigadas a deixar suas casas, conforme aponta o relatório Tendências Globais 2017, realizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiado — ACNUR, vinculado à ONU. Desse total de refugiados, pelos menos a metade são crianças.
As principais razões para o êxodo em massa são os conflitos armados internos e guerras, especialmente na Síria, Afeganistão, Iraque, Sul do Sudão, Iêmen, Burundi, Ucrânia e República Centro Africana; e queda na solução dos problemas dos refugiados e deslocados internos. Somente o conflito sírio gerou um número de refugiados na ordem dos 5,5 milhões.
No Sudão do Sul, ao todo, 1,4 milhão de pessoas migrou. No entanto, a busca por uma vida melhor tem gerado milhares de mortes pelas perigosas travessias, por terra e por água, que os migrantes e refugiados precisam enfrentar, que, somente no Mar Mediterrâneo, geraram cerca de 6,4 mil mortes entre 2016 e 2017. Na procura por um novo lar os migrantes ficam à mercê dos traficantes, fato que fez com que o tráfico humano se tornasse um dos principais desafios da nossa época.
A Europa, principal destino dos emigrados — de janeiro até julho deste ano já havia recebido mais de 100 mil migrantes e refugiados — , demonstra profunda incapacidade de lidar com o drama das pessoas. Na maior parte dos países, as políticas são restritivas aos pedidos de asilo e abrigo e a comunidade europeia tem se fechado, cada vez mais, à entrada de imigrantes nos países do bloco.
Imigração do Brasil
A grande onda imigratória no Brasil começou no final do século XIX, com a chegada dos imigrantes europeus, fugindo da pobreza que assolava o continente submergido em inúmeras guerras de unificação de territórios. Atualmente, o país recebe imigrantes e refugiados de vários países do mundo, principalmente do Haiti, desde o terremoto que assolou o país em 2004. A partir de 2015, muitos venezuelanos têm se deslocado para o Brasil. Ainda há a contínua migração de pessoas do continente africano. Os sírios também têm encontrado refúgio no Brasil, fugindo da guerra civil.
O Brasil, que historicamente teve uma política externa de acolhimentos aos refugiados, deu marcha à ré no início do ano. Desde o dia 1º de janeiro de 2017, entrou em vigor a Nota Informativa 09/2016, da Divisão de Polícia de Imigração, que estabeleceu a obrigatoriedade de visto a portadores de protocolo de solicitação de refúgio que viajam ao exterior. Já no ano passado houve uma redução de 28% na concessão de vistos a refugiados que pediram asilo no país. Em 24 de maio de 2017, houve, contudo, um avanço nas garantias aos migrantes, com a sanção à Lei nº. 13.445, Lei das Migrações, que dispõe sobre a garantia para o imigrante da condição de igualdade com os nacionais, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, e o acesso aos serviços públicos de saúde e educação, bem como registro da documentação, que permite ingresso no mercado de trabalho e direito à previdência social.
Oriente Médio
Não há possibilidade de compreender o Oriente Médio sem um resgate histórico. Dois pontos ganham grande importância: 1) O Oriente Médio é o berço das três grandes religiões monoteístas — Judaísmo, Cristianismo e Islamismo; 2) a região é riquíssima em fontes de petróleo e se encontra em uma posição estratégica no que se refere a distribuição global, seja para o Ocidente ou para o Oriente. Para não nos delongarmos muito, explicando mais de 2 mil anos de história, apresentamos o vídeo a seguir, que faz uma minuciosa explicação com 15 mapas históricos sobre o Oriente Médio.
Terrorismo
O terrorismo tornou-se, infelizmente, um termo cotidiano, pelo menos desde a queda das torres gêmeas do World Trade Center, em Manhatan, Nova Iorque, 11 de setembro em 2001. Segundo a Global Terrorism Database — GTD, que faz levantamento sobre ataques realizados desde 1970, as ações que podem ser classificadas como terrorismo devem, ao menos, corresponder aos seguintes critérios: ter tido motivações políticas, sociais ou religiosas; ter sido concebido para gerar o maior potencial de estragos; e não ter acontecido durante guerras internacionalmente reconhecidas.
Apesar de haver um grande apelo midiático em torno de ações terroristas, segundo os dados da GTD, ataques em massa ainda são raros. Dos 156 mil ataques registrados, desde 1970, apenas 17 ultrapassaram o número de 300 vítimas. Para se ter uma ideia do que isso significa, em 2016, segundo dados da ONU, 15 milhões de crianças morreram de fome ao redor do globo.

Outro erro primário é reduzir os ataques terroristas ao ISIS (sigla em inglês para Estado Islâmico). Se de um lado há indivíduos que não têm vínculos reconhecidos com nenhuma organização extremista, por outro há grupos altamente organizados e que persistem ao longo do tempo. Além disso, entre os dois extremos há grupos dispersos — por exemplo, os neonazistas ou islamitas radicais — o que explica a capilarização e fluidez desses grupos.

No dia 17 de agosto, ocorreu um ataque terrorista que ganhou dimensões globais, em Barcelona, na Catalunha. Uma van atropelou dezenas de pessoas na rambla — uma espécie de calçadão sem trânsito de automóveis—de Barcelona e 13 pessoas morreram.
TOP 10
Dos dez países que mais concentram ataques terrorista no mundo nenhum fica na Europa. Eles correspondem a mais de 75% dos casos de ataques de grupos radicais. São eles: Iraque, Afeganistão, Índia, Paquistão, Filipinas, Somália, Turquia, Nigéria, Iêmen e Síria.
Papa Francisco e o protagonismo como chefe de Estado

Eleito em 2013, Jorge Mario Bergoglio, atual papa Francisco, vem exercendo um importante papel como líder de Estado. Seu protagonismo contribuiu na reaproximação dos Estados Unidos e Cuba, no Acordo de Paz da Colômbia e na defesa do meio ambiente. Ele levantou a voz em favor dos migrantes, refugiados e mais pobres, além de ser um grande defensor da paz. Abaixo, listamos algumas ações importantes, do ponto de vista diplomático, de Bergóglio, um papa que veio da Argentina.
Lampedusa
Viagem à ilha de Lampedusa, no Mediterrâneo, em 08/07/2013: o papa alerta a Europa e o mundo sobre o drama de milhões de refugiados que precisam deixar suas casas;

Cuba e Estados Unidos
Durante o ano de 2014, Bergoglio escreveu diversas cartas ao ex-presidente Barack Obama e a Raúl Castro atuando na reaproximação entre os dois países, que culminou, em 17/12/2014, no restabelecimento das relações diplomáticas entre as duas nações. Donald Trump, contudo, revogou o tratado.
Laudato Si’
A Encíclica Laudato Si’. Sobre o cuidado da casa comum é um importante documento publicado em junho de 2015 que trata da relevância da proteção ao meio ambiente, a partir de um olhar complexo sobre as mudanças climáticas.
Economia
No discurso “Esta economia mata”, do papa Francisco, em maio de 2015, por ocasião do Encontro Mundial do Movimentos Populares, alertou acerca das desigualdades geradas pelo sistema econômico mundial vigente, o que gerou repercusão em âmbito global.
Visita a Cuba
Na primeira missa realizada em Cuba, em setembro de 2015, Francisco dedicou boa parte da homilia para pedir o fim do conflito colombiano. Ele obteve uma reposta positiva das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia — FARC. O acordo foi firmado em agosto de 2016.
Encontro de Assis
No encontro em Assis, Itália, em setembro de 2016, Francisco participou do Dia Mundial de Oração pela Paz, com mais de 400 líderes religiosos, dando destaque à importância ao ecumenismo entre as religiões.
Papa e Trump
Em 2017, o papa recebeu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um contexto de avanço nos pedidos de sobriedade de conciliação para firmar geopolíticas voltadas à paz. Com cara de poucos amigos, o evento contou, inclusive, com uma breve montagem em vídeo fazendo graça do encontro.
Eleições em 2017
Alemanha

Em 27 de setembro de 2017 a Alemanha vai decidir a nova formação do Bundestag (espécie de congresso), em que os parlamentares têm a tarefa de escolher o novo chanceler, ocupado desde 2005 por Angela Merkel. Na Alemanha, o Chanceler é o chefe do Executivo (semelhante ao cargo de presidente no Brasil), ao passo que o presidente é o representante alemão em cerimônias oficiais, exerce um poder mais simbólico que político. O sistema eleitoral germânico é distinto ao brasileiro, pois lá o voto é facultativo. Para eleger a composição do Bundestag, cada eleitor tem direito a dois votos: direto e em legenda. Com o primeiro voto, ele escolhe um candidato para representar seu distrito eleitoral; os representantes eleitos por voto direto compõem metade dos 598 assentos do Parlamento alemão. A outra metade dos membros é definida pelo voto na legenda, o que irá determinar a força política de cada partido dentro do parlamento. Vale lembrar a influência que a Alemanha exerce na União Europeia, ou seja, um novo líder pode tomar decisões geopolíticas que capazes de afetar os países do bloco.
França
Na França, o chefe do Executivo é o Primeiro-Ministro. O novo presidente francês, eleito em maio de 2017, Emmanuel Macron, ex-Ministro da Economia, de perfil centrista liberal, pró-mercado e forte defensor da União Europeia, enfrentou no segundo turno a ultradireitista Marine Le Pen, após ambos derrotarem François Fillón (acusado de corrupção), Jean-Luc Mélenchon (candidato à esquerda no espectro político e que prometia revisar a permanência do país na União Europeia) e Benoît Hamon (candidato de esquerda).
Holanda
A Holanda é uma monarquia constitucional, isto é, seu chefe de Estado é um rei ou uma rainha. A atual rainha é Máxima Zorreguieta Cerruti. No país, após as eleições parlamentares, o líder do partido ou coalizão majoritário é nomeado Primeiro-Ministro para um mandato de quatro anos. O Conselho dos Ministros é escolhido pelo monarca ou por indicação do Primeiro-Ministro. Já o Poder Legislativo é bicameral. O parlamento, chamado de Estados Gerais, têm duas câmaras: a Primeira Câmara (alta) e a Segunda Câmara (baixa). O governo tem o direito de dissolver o parlamento.
Em março houve eleições para o parlamento holandês. O partido de Mark Rutte, um liberal moderado de direita, manteve-se com a maioria das cadeiras no parlamento, e ele continua como primeiro ministro da Holanda. Khadiya Arib, uma holandesa de origem marroqina, foi eleita a presidenta do parlamento.
Hong Kong
O Conselho Legislativo de Hong Kong é a legislatura unicameral da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK), pertencente à República Popular da China. Carrie Lam foi eleita, em março passado para um mandato de cinco anos. Ela é a primeira mulher a chefiar o governo de Hong Kong por meio dos votos de um seleto grupo de 1.163 membros de um comitê, que é formado pela elite política e empresarial. Devido ao restritivo sistema eleitoral que escolhe o chefe de governo, em 2014 houve uma grande manifestação, conhecida como a “revolta dos guarda-chuvas”, que foram usados para a população se proteger do gás jogado pela polícia e virou símbolo de resistência. Os manifestantes lutavam por mais democracia.
Irã
No Irã é eleito um presidente (chefe de governo), o Majlis (uma legislatura) e uma Assembleia de Peritos. O presidente é eleito pela população, o Parlamento é composto por 290 membros. Os candidatos precisam passar pela aprovação do Conselho de Guardiões, que é um órgão do sistema político iraniano. Hassan Rohani foi reeleito como presidente do Irã em 2017 para um novo mandato de quatro anos. Rohani promete manter a abertura comercial ao exterior e realizar reformas internas.
Angola
O atual sistema eleitoral de Angola é o presidencialismo, aprovado pela Constituição de 2010. Não há divisão entre os poderes legislativo, executivo e judiciário, pois o chefe de estado tem poderes legislativo e é ele quem escolhe o supremo tribunal. No entanto, esse que parece ser um regime democrático, é considerado, por alguns especialistas, uma “falsa” democracia. José Eduardo dos Santos, que há 37 anos está no poder, pela primeira vez não concorreu.
Em agosto de 2017, concorreram ao pleito Isaías Samakuva, Abel Chivukuvuku, Lucas Ngonda, Quintino Moreira, Benedito Daniel e João Lourenço, do mesmo partido que está no poder desde a independência, e que foi o vencedor das eleições de 2017. Essa curiosa continuidade é o motivo pelo qual os angolanos defendem uma revisão no sistema eleitoral.
Coreia do Sul
A Coreia do Sul é uma democracia presidencialista que elege seu presidente por voto direto. É ele quem nomeia o Primeiro-Ministro, após a aprovação do parlamento, que é o chefe de governo. O parlamento é unicameral, composto por 299 membros, sendo 245 eleitos por voto regional e 54 são distribuídos por representação popular.
Em maio passado Moon Jae-In, liberal veterano na luta pelos direitos humanos e simpatizante à aproximação com a Coreia do Norte, venceu as eleições presidenciais da Coreia do Sul. As eleições ocorreram em um tenso clima político por conta do escândalo de corrupção que resultou no impeachment da presidente Park Geun-Hye . Recentemente a Coreia do Sul e os Estados Unidos realizaram exercícios de guerra em virtude dos testes com misseis de longo alcance realizados pela vizinha Coreia do Norte.
Vivemos a era da Aldeia Global, como disse McLuhan. Se as repostas não se dão de pronto, o debate, ao menos, está posto. Dar visibilidade a estes fenômenos torna-se importante para compreendermos as disputas em jogo e a posição das peças no tabuleiro global.

