O Jardim das Aflições (2017, Josias Teófilo)

Jota Gaivota
Sep 10 · 3 min read
Fonte: IMDB

Na segunda-feira, 02 de setembro, tinha acabado de chegar em casa com minha filha. A Maga já estava em casa. Meu celular vibra com uma mensagem perguntando se eu estaria livre pra gravar um podcast no sábado. O tema? “Cultura Cinematográfica da Direita”. Topei.

O convite veio do meu primo Lucas Monteiro que tem trabalhado pra montar o próprio estúdio e produtora de podcasts, a Casa de Vó. Segundo ele ideia é ser um lugar onde se pode brincar e experimentar com o meio. Uma proposta interessante sendo executada com bastante trabalho e nenhum financiamento. O programa que participei chama-se Café e Política e apesar de não ter ganho café a conversa foi muito boa. O programa é diário e acho que você deve dar uma chance dele te conquistar. Eu tenho usado ele pra me manter atualizado da política geral sem passar o dia todo lendo notícias e caindo em armadilhas que afetam minha saúde mental.

Como preparação um dos documentários que assisti foi O Jardim das Aflições de Josias Teófilo, lançado em 2017.

O filme

Uma verdadeira surpresa! Não do ponto de vista técnico, mas no conteúdo. A anos eu acredito que o cinema feito em Pernambuco é o melhor do Brasil. O que não é diferente aqui, a fotografia nítida se contrapõe a figura que aparece nos vídeos de menor qualidade que faz. A iluminação do mundo me pareceu fria, no geral, enquanto dentro do escritório era quente e dourada como se fosse lá, no local de trabalho dele, que tivesse algo de especial.

Essa visão que, pra mim, foi surpreendente pois o Olavo apresentado no filme: calmo, controlado e até elegante. Um retrato diametralmente diferente do conspiratório e vulgar — tido como algo que o torna verdadeiro, assim como Bolsonaro.

Quando Olavo brevemente cita o cinema Josias se sente em casa para colocar inserções dos filmes: Ivan, O Terrível (1944, Sergei Einsenstein) e No Tempo das Diligências (1939, John Ford). Aliás sobre o western ele faz um comentário acertado de que o gênero em geral tratava de uma luta da ‘civilidade’ contra a ‘barbárie’. Algo meio solto, sem explicar a cultura americana ou criticar o genocídio indígena. Talvez tenha sido cortado na sala de edição.

Outro acerto foi afirmar que Dilma foi um presente de consolação do poder estabelecido para manter sua posição. Todo restante das explicações era tão “densa”, nas palavras do Sérgio Moro, que não deu pra acompanhar direito. Mas até um relógio quebrado está certo duas vezes ao dia.

Links Recomendados

O podcast Café e Política, do Casa de Vó, é uma dose diária de jornalismo no mundo amargo.

O artigo Um mergulho em Olavo de Carvalho, o Guru Bolsonarista, do The Intercept Brasil, por Alexandre Andrada.

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