Diário de Filmes — Crepúsculo (2008, Catherine Hardwicke)

Em 07 de outubro de 2019

Jota Gaivota
Oct 9 · 4 min read

Eu estou um pouco surpreso do quantos detalhes eu tinha perdido deste filme desde a primeira vez que o vi. A má vontade com a obra, na época, era grande! A dez anos atrás eu estava no cético grupo de nerds que estavam incomodados com a popularidade da obra sem motivo nenhum. Eu só assisti graças a Fernanda, minha irmã, que de saco cheio me botou pra vê-lo.

Sobre o filme

É muito chamativo o uso da maquiagem nos personagens prejudica a expressão facial deles. Principalmente dos vampiros mas, estranhamente, Bella também. Uma coisa que vou levar do filme é o nome de uma cor: Cerceta. É um verde-azulado conhecido em inglês como ‘teal’ e a combinação com o laranja é muito utilizado em posters de filme. Dá um contraste bacana. No filme não fica bom, a maior parte das cenas acaba pintada de azul pra mostrar o quão desconfortável está Bella nesse litoral sempre nublado. E o laranja quase nunca é visto.

O que nós vemos | O que Catherine Hardwicke vê. Fonte: twilightrenaissance

Isso só muda da primeira vez que eles acabam ficando sozinhos e confortáveis, no restaurante depois dele afugentar um grupo de assediadores. Finalmente cores quentes, mas aí já passou um terço do filme. Outra cena em que ela fica confortável é num restaurante com o pai que tiveram dez anos de distância física mas não emocional. Um relacionamento baseado num respeito invejável entre a adolescente e seu pai.

O que eu considero mérito do filme, aliás do livro, é evitar de retratar Bella como uma adolescente em busca de autodestruição. Ela é somente apaixonada e curiosa, nem qualquer discussão sobre a idade avançada de Edward. É uma obra bem inocente, que olha pro próprio umbigo enquanto explora sua sensualidade.

A melhor piada do filme.

O filme de Hardwicke é sério, até demais. O pouco humor espalhado pelo roteiro de Melissa Rosenberg, responsável pela excelente série da Jessica Jones (a qual só vi a primeira temporada), acaba se perdendo na maioria das vezes. Ela expõe, até demais, temas atualíssimos como o veganismo: tanto de Bella quanto o dos Cullen, que se alimentam de sangue animal e não de humanos. Também a abstinência sexual no fato de Edward evitar morder Bella para não transforma-la numa vampira. Aliás nunca desconfiaria que 11 anos mais tarde a Ministra Damares proporia-a como abordagem nas disciplinas de educação sexual.

Admito que a diretora teve a tarefa de fazer um filme de romance, com fantasia, num orçamento de US$ 37 milhões. Uma obra baratíssima para o padrão estadunidense. Isso prejudica a linguagem do filme, que acaba parecendo uma produção para televisão, com o uso excessivo do plano holandês, por exemplo, na cena do jogo de basebol. Enquanto ela vacila pelas limitações das grandes cenas eu considero dois acertos simples e eficazes. O primeiro quando Bella entra na sala de aula e se depara com Edward pela primeira vez. O movimento fica desacelerado e o cabelo dela voa, pra enfatizar o impacto do encontro mas também para ilustrar a reação quanto para demonstrar o cheiro dela chegando a Edward e sua imediata luta pra manter o controle de si. A outra cena é a dele tocando piano para ela. A qual eu não sei da onde mas sinto que já vi a mesma situação em outras obras pra representar esse romance.

O sentimento geral que tive é de vergonha por ter criticado tanto um filme que sabia tão pouco, faz parte de ser jovem assim como aceitar isso faz parte de amadurecer. Mas isso não isenta o filme de ter exposição demais e alienar a personagem principal de todo o mundo a sua volta numa idade em que, no geral, as pessoas se politizam, buscam uma identidade própria dado sua experiência em Aos Treze (2003, Catherine Hardwicke).

Links Relacionados

O artigo Teenage Thirst: “Twilight” Ten Years Later, por Kelley Dong, no Mubi.

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