Venda de sacolés e produtos de beleza, além do Bolsa Família, auxiliam Eli a manter seus filhos e neta créditos: Márcia Ribeiro

O aperto do bolso dói no peito

Sustentar uma família na realidade dos moradores do bairro Vicentina pode não ser tarefa tão fácil

Atentas aos desenhos da televisão, três crianças passam a manhã de sábado pulando entre um sofá e outro. Concentradas nos personagens que trazem a risada inocente que toma conta da casa de cinco cômodos da habitação Minha Casa Minha Vida, no bairro Vicentina. A jovem mãe, de 22 anos, Grazieli Machado Maiske, desempregada, com pouco estudo e sem conseguir uma creche para deixar os dois filhos menores, recebe o sustento da família através do programa Bolsa Família.

Mãe aos 15 anos, precisou assumir desde cedo a resposabilidade de cuidar de uma nova vida em seus braços. Hoje, a responsabilidade triplicou e os gastos precisam ser controlados. Com três filhos para cuidar ela recebe R$ 35 de auxílio para cada. O apertado orçamento de R$ 105,00 não permite que a mãe realize os desejos dos peque-nos que pedem roupas novas e brinquedos que assistem nos comerciais.

Morando há oito anos no bairro, mudou-se para a casa sem muitos acabamentos desde que sua mãe foi embora para Cachoeirinha com seus cinco irmãos. Ao contar sua história, aflorou o amor de mãe e não segurou as lágrimas ao dizer que seu sonho é: “melhorar a vida dos filhos, poder dar o que eles pedem, fazer o melhor para que eles tenham conforto e um bom futuro”.

A realidade de Grazieli também repete-se com outras famílias do Vicentina que vivem com o benefício. Não muito longe dali, na avenida principal do loteamento, uma placa de “vende-se sacolé” escrita à mão chama atenção da garotada que passa em frente à casa. Dona Eli, também vende os cosméticos da Natura buscando uma renda extra para manter o lar. Moradora há quatro anos do Vicentina, saiu da cidade de Santo Augusto, a 438 km da Capital. A vinda para São Leopoldo foi motivada pela busca de novas oportunidades no mercado de trabalho com o sonho de melhorar a vida dos filhos.

Deixou o marido no interior que uma vez por mês enfrenta a viagem de quase seis horas para matar a saudade da família. Há três anos fora do mercado de trabalho em virtude da gravidez e depois de um ano e oito meses do nascimento do filho, Eli Batista Bueno, 39 anos, aguarda uma vaga na creche municipal. Somente com a matrícula do caçula, poderá voltar a trabalhar como doméstica.

A casa de seis peças

acomoda bem a família que construiu o terceiro quarto nos fundos da moradia. Na residência vivem Eli e suas filhas, Jussara, de 18 anos, Cinara, 11 anos, a neta de dois anos e dois meses e o filho caçula de um ano e oito meses.

O orçamento de um salário mínimo e mais R$ 147 reais do programa assistencial resultam em R$ 935 para manter cinco pessoas por mês. As despesas de água, luz e o pagamento da prestação do financiamento habitacional

comprometem R$ 230 reais. Criado em 2003, o programa Bolsa Família é parte do Plano Brasil Sem Miséria, do Governo Federal. Considerado uma referência em assistência social, beneficia mais de 14 milhões de lares brasileiros, com o incentivo de retirá-las da extrema pobreza. As famílias recebem o valor de R$ 35 por criança, limitando o valor de até R$ 175 do benefício.

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