Troche

às vezes

às vezes eu sinto a tristeza do mundo. às vezes sinto alegria. às vezes não sinto nada. às vezes, a poesia, e cerro meus dentes com a mandíbula travada. guardo a luz do sol que brilha na minha boca. mas escapam voando, as palavras despudoradas. elas deixam minha alma rouca e vazia. e às vezes eu penso que vou morrer cedo. são pequenos surtos de uma loucura sombria. eles passam com uma tragada. às vezes eu fumo para dar um tempo de tudo. e fumo em pequenos surtos que deixam minha face afastada. às vezes eu escuto vozes que não são minhas. são vozes involuntárias. às vezes as vozes são minhas. são inevitáveis as vozes solitárias. às vezes estou pendurado no precipício do espaço vazio. segurando uma linha de costura. ela é fina mas me segura e minha mão dói porque corta. e começa a sangrar. eu não me solto e sei que ela não vai me soltar. então fecho os olhos e respiro fundo. para ignorar as vozes. ignorar o mundo. ignorar-me às vezes.