ASPIRINA DEFEITUOSA

A porta 
Que você deixou entreaberta
Se abriu, meu bem
E o vento frio balançou as cortinas
Que serpentinam no ar
Tocam o céu
E o chão
Em uma dança milenar

A cabeça lateja
As aspirinas não querem mais me salvar
Passo o café
Folheio o jornal
Mas frases bem escritas
Não consigo mais assimilar
Por que partiu
Sabendo que eu ainda tinha tanta coisa
Pra te dar?