Certo dia…

Certo dia, sem maiores explicações, ela vai entrar pela porta da sua vida com toda a bagagem de quem há muito deixou de ser menina e vai se espalhar por cada aposento, sem licença, sem desculpa e sem receio. Certo dia, o caminho que a induziu a peregrinar pela vida perseguindo moinhos, iluminação espiritual, canalhas e aquele algo a mais que nunca foi encontrado, vai desembocar na sua sala, no seu quarto e no seu corpo. Certo dia, ela vai sentar ao seu lado e te contar como ela aprendeu a dançar, cozinhar, confiar em estranhos, tocar flauta doce e a andar de skate. Vai te ensinar sobre a filosofia hindu que andou estudando e te falar da vez em que precisou aprender um pouco de chinês: vai prender sua atenção e seu interesse pela vida afora. Certo dia, o tempo vai passar mais depressa e você vai perceber o motivo de não ter dado certo com mais ninguém. Certo dia, ela vai te contar sobre cada música, cada livro e cada poema que ela aprecia, vai te mostrar o que ela escreveu para um cara qualquer há uns anos, vai te cantar uma música que ela compôs num domingo à toa e que nunca mostrou para ninguém. Certo dia, com o medo já dissipado e um sorriso tatuado na cara, ela vai transbordar em sua alma e vai te fazer sorrir também. Certo dia pode não ser hoje nem amanhã, mas é logo ali.

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