Claudia e Ana

“Sabe Ana, eu acho que nascemos para ficarmos juntas”.

As palavras ecoaram pelo quarto e fizeram estremecer as pernas de Claudia. Estavam ambas ali, sentadas na cama, com os seus rostos próximos um ao outro. Um silêncio eterno pareceu vagar até que alguém resolvesse se mexer.

A mão de Claudia tinham um tom de pele rosado. Seus dedos, finos e delicados, iam se movendo vagarosamente no ar. Um leve toque, até que repousaram carinhosamente sobre a mão de Ana.

“Eu…não sei. É cedo demais pra isso”.

Suas palavras pareciam incertas, assim como a sua personalidade.

Ana e Claudia eram como fogo e água, dia e noite. O que Claudia tinha de insegurança e timidez, Ana tinha de assertividade.

E com o seu fogo, tirou a sua mão dali e desceu para as pernas de Claudia com uma pegada firme, que começava próxima aos joelhos e ia subindo vagarosamente até a virilha.

“Cedo demais, Claudia? Estamos sempre juntas desde que eu me conheço como gente. E eu sei que você também quer!”.

Ambas estavam ofegantes. Podiam sentir os batimentos cardíacos uma da outra, como um só coração pulsante e em chamas.

“Mas o que vão achar disso? Mamãe me mataria se soubesse…”.

“Que se dane a opinião dos outros! São tempos modernos. Só porque somos mulheres?, retrucou Ana, sussurrando já com certa impaciência. Sua mão navegava por debaixo das roupas de Claudia, que não se esforçava muito para impedi-la. Verdade seja dita, era a que mais desejava por aquele momento.

Não é isso…a nossa mãe não vai gostar disso”.

De súbito os movimentos pararam, junto com as respirações.

Sim. Ana e Claudia haviam saído do mesmo ventre, porém se amavam e se desejavam. Por terem nascido no mesmo dia, possuíam uma ligação incomum.

A moral deve sobrepujar as emoções? Difícil dizer, ou pelo menos, deveria ser para as duas. Um turbilhão de pensamentos passava pelo pequeno quarto, quando uma simples frase parecia trazer uma conclusão.

“Eu te amo, Claudia. É isso o que importa…”

Um beijo irrompeu o silêncio desconfortável que permanecia naquele quarto. Era a primeira vez que aquelas três palavras mágicas haviam sido ditas uma para a outra.

E o que começou com um beijo, caminhou para as carícias e terminou…você sabe como.

Era a primeira vez de Ana Claudia. Unidas, duas cabeças em um só corpo. Como siamesas que criavam um dos casos de amor mais complexos da humanidade.

Incesto ou amor próprio? Sexo ou masturbação?

Pelo menos era assim que se via. Ela e sua contraparte. Uma única pessoa cheia de personalidades e complexidades. Por um lado aquilo que era, mas por outro, aquilo que gostaria de ser.

E do amor de Ana e Claudia, nascia uma nova pessoa. Alguém que aceitava as suas partes mais obscuras.

Ana Claudia, prazer.


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