Diabo sem sentido

Bifurcado, no fim da tarde de um domingo solitário

O vento frio anuncia uma chuva fina que carrega o céu negro para cima dos prédios moribundos

Revira as folhas de jornais pelas ruas desertas, repletas de tédio

Tento lembrar o exato momento em que decidi me abandonar

Dez anos atrás? Talvez

Quais foram as escolhas erradas que tomei?

Não acho que haja tempo de consertar

Não sei…

Meus olhos se enchem de lágrimas e o vento sopra forte minha alma que se esvazia

É claro que há…

Há tempo para tudo

Ela sorri e pede para ser abraçada

Boa noite, amor, você já não faz parte da minha vida, graças à deus

Seu beijo está triste e salgado mais uma vez

Não seremos nós dois nunca mais

Um mendigo me pede dinheiro

Minha carteira está cheia de notas, mas não movo uma palha, só vejo o fundo da minha alma

Não tenho trocado, irmão

Irmão…

Ele dá um grito de cachaça

Irmão!

Olha para trás e mostra os dentes com os olhos de fogo

Diabo sem sentido