O preço dos poetas
Daqueles textos que achei na caixa que fiz ao nosso amor

Não acredite no que escrevo, amor. Não são palavras ao seu coração, sequer ao meu. São conselhos, sonhares desatinados, lições dos medos que tenho em mim, escritos de pirita em caixa de madeira leve. Eu não coloquei seu nome lá, amor, logo, em momento algum seriam palavras caladas a você.
Não engula o que entende mal, amor. Cuspa tudo em mim e não deixe mal-entendidos azedarem nossa pequena estória de sabores intensos, nosso conto malcontado, nosso romance desromanceado. Se não há seu nome lá e não citei seus belos olhos, não seriam sequer do seu tempo, amor.
Não se entristeça com a minha pseudo-angústia, amor. Não deveria já saber que apenas a falta da sua pele me angustia? Aprenda, amado-sol, que dispenso a nós apenas palavras doces aos seus ouvidos. Se eu não o citei, não eram palavras a você.
Não pense que algum debate sobre homens maus teria qualquer vínculo a um ser menino amado, coração talhado em rabiscos de lilith, caráter forjado em ouro e cobre. Meu menino e minha lei, rei-sol. Você é a perfeição que me obriga a usar tu, apenas para dizer o quanto amado és tu e o quanto agraciada me sinto eu.
Não me abandone pela minha escrita, amor. Não me faça desejar não ser eu para tê-lo em mim. Quando disse que admirava esta escrita vã, eu o amei mais. Não deseje um outro eu de você, pois eu amei seus erros como se fossem meus acertos, amor.

