O roubo.

Ela roubou tudo.

Absolutamente tudo.

Não sei bem como aconteceu, foi mais rápido do que eu esperava, quando parei para notar, ela já tinha roubado.

Meus momentos de solidão e reflexão na madrugada já não tenho mais, ela roubou. As músicas que ouço enquanto viajo e as músicas em que viajo enquanto ouço, ela também invadiu. Sem bater nem pedir por permissão, simplesmente invadiu, com a naturalidade de que sempre estivera ali. E agora era até mesmo difícil dizer se ela estivera. Não, não estivera. Ou estivera? Acho que ela também roubou um pedaço das minhas lembranças.

Roubou minhas estrelas no céu e as pichações sobre amor que leio nos muros. Os momentos que precedem meu sono e os pensamentos logo que desperto. Roubou meu sono e invadiu o meu sonhar.

Roubou minha sensatez, minha paz e a tranquilidade em um trago de cigarro. Roubou meu coração.

Ladra.

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