Pintura

Foi assim, deixando fazer pintura de mim, que me descobri verdadeiramente. Desenhada nua no sofá daquela sala vazia, gélida e inexpressiva.

“Fique imóvel!” exigia ele. Nem sorrir eu podia, mesmo a luz do dia, com o sol nos convidando a dar risadas. Contudo, ele insistia em querer a minha imobilidade, fazer o quê? Chamam isso de arte.

Rabiscando em seu papel branco, dava formas ao meu corpo brando, que seu lápis ia bordando, que mesmo sem aquele doce encanto, me fez gostar dessa brincadeira maluca de ser pintura.

“Você vai receber muitos aplausos” sentenciava o pintor. Porém, será mesmo que eu iria querer? Olhar-me na galeria e perceber que virei apenas um ser retratado em uma simples tela. Imobilizada no mundo real para dar vida a fantasia emoldurada na parede fria.

Talvez isso faça parte do que dizem ser a “vida imitando a arte”. Que de tanto imitar transformou-se em palco o que de mais belo a mentira tem para nos mostrar.


Gostou? Clica no ❤ e faça com que esse singelo texto alcance mais pessoas. Me diz o que achou, vou adorar bater um papo com você.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Tandra’s story.