Ponto de vista

De longe eu vi que o olhar se aproximava.
Tentei desviar o meu,
jogá-lo no rio,
para debaixo dos carros,
para cima das árvores, 
para além das pessoas
que estavam do outro lado da calçada…
Enfim, sem ter para onde correr,
olhei para os meus pés,
tão estranhos!
Olhei então para minhas mãos,
tão nervosas!
Em seguida olhei para a ponta do meu nariz…
Era o único lugar para o qual restara
para que eu pudesse desviar o olhar.
Daí, se aproximou.
Estava eu em posição de cheque-mate.
Você disse ‘oi’ e eu só 
conseguia olhar você.