Ressaca

preenchido de ressaca me sinto um vazio só. devia ter parado antes, mas estava tão bom…

dilema interessante esse: se a felicidade está no momento, ontem eu estava feliz, mas em detrimento da ruína da felicidade de hoje. (se bem que arruinar um dia de trabalho enfadonho deveria me render uma estátua!) então, por este raciocínio, na média estou mais feliz.

mas felicidade se acumula? como assim mais feliz? eu estive feliz ontem, mas como a temporada nova de uma competição qualquer, tudo começa do zero no dia de hoje. portanto, porque ficar contente com a felicidade de ontem, se o que me importa é o agora? talvez porque a memória de ontem me deixa mais leve hoje…

mas então é fácil hackear a felicidade! apenas tenha memórias boas. diria mais: apenas tenha pensamentos bons como pregam os livros de auto ajuda! . daí serei feliz o tempo todo, inclusive sem a necessidade de viver momentos felizes, pois basta apenas imaginá-los.

ah, mas sou cabra difícil de ser convencido. não me enganaria com subterfúgio tão barato. daí, não me convencendo com essa lógica, serei apenas um idiota de sorriso fácil e papo chato.

fora que o vazio continuará lá; continuará me preenchendo e me sufocando. porque o vazio, na verdade se cria com a negação de que temos mais que a felicidade. nossa vida completa é repleta de tristeza, raiva, ciúmes, inveja e outros sentimentos a serem escondidos deste mundo não humano que insistimos ser o normal. adoramos a vida vazia, como adoramos santos de barro. a diferença é que quando a vida vazia nos leva ao chão, ela se amalgama com a felicidade, nos dando a sensação de completude humana. Não se estilhaça, não quebra, apenas mostra a face inteira da riqueza que a vida humana é ao ser vivida plenamente.