
Retorno
“…Sou como rês desgarrada/ Nessa multidão boiada caminhando a esmo..." (Lamento Sertanejo, de Dominguinhos)
Ter entrado em um lapso psíquico foi como entrar em um labirinto mágico, onde a entrada e a saída não estão somente localizadas em partes diferentes. Estão em mundos opostos. Ou seria o mesmo mundo em escombros? Não há aquele momento “ufa, achei”, há o assombramento de não reconhecer o chão que pisa ou se mesmo é chão tamanha sua inconsistência, ora mole como o lodo do pântano, ora inquebrantável. Lamacento ou reflexivo e cortante, espelho cegando incautos com a luz.
E por falar em espelhos…
Neste Triângulo das Bermudas, onde desapareci em mim mesma (bússolas loucas rodando como cata-vento), voltei diferente. Estranha. Estrangeira.
Alienígena (Alienada? Não. Tem vezes que bem queria).
Estou como nunca estive ou pensei que estaria. E também sou mais, mais, mais eu. A ponto de querer tapar os ouvidos por não me aguentar mais reverberando como um eco. Você…Você…Você!
Eu.
A que me estranha, enoja e me mesmeriza. A quem estranham, nem gralha nem pavão como a fábula, olhando de canto, desconfiados.
Que olhem. Eu continuo aqui, ainda.

