sou o que passou
sou efêmero
apodreço em vida
eu sou seu medo
sua ferida

sou aquele desconhecido
que passa ao seu lado
sem chamar atenção
sem ser notado

sou ar, sou lixo
sou pó, sou chão
o invisível do não visto
visita indesejada

eu sou malquisto
eu sou um nada!

até minha própria história já foi melhor contada
eu sou a cópia da cópia adulterada

eu sou o poeta morto
que um dia sentado
escreveu essas linhas

pouco, eu sou pouco

sou seu passado
em noites vazias