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Uma década depois de chegar onde estou, um passo à frente na evolução, digamos assim, eu começo a entender certas coisas.

Foi preciso ver as pessoas “de cima” para entender o quanto a maioria delas consegue e tem garra para enfrentar os problemas cotidianos.

Meus problemas agora são outros. Diferentes, mas não maiores ou especiais. Aprendi que todos os problemas são problemas. Não sou eu ou quem está de fora que vai ou deve julgar seu tamanho.

Ontem, deparei-me com um homem que entrou em uma farmácia armado, pronto para assaltá-la. Quando cheguei, ele nem apresentou resistência. Sentou e chorou. Implorou misericórdia. Não vi ódio ou perigo em seus olhos. Era mais um homem desempregado e desesperado pelo sustento dos filhos.

Foi preso justamente. Pelo menos do ponto de vista da Lei. Mas sabemos que a Lei não é perfeita, principalmente se levarmos em conta quem as criou. Homens brancos e privilegiados pensando em um método eficaz de protegerem uns aos outros. Isso, infelizmente, eu não posso mudar.

Eis a maior das minhas fraquezas.

Não sou nada além de um paliativo forte o suficiente para enfrentar ameaças maiores ou externas e insuficiente para mudar a realidade de quem precisa e de quem merece.

Venci a maioria das minha batalhas. Batalhas pequenas e curtas se comparadas às que todo o resto da humanidade enfrenta, cotidianamente. Uma batalha interminável.

Mas eles, meros mortais, seguem tentando. Jamais se dão por vencidos.

Eu não sei o que é isso. Eu sempre venço.

Por isso os admiro.