Uma Pequena Tragédia.

De gota em gota o vaso transborda.

Na árida areia, do branco solo.

No lugar aonde não podemos diferenciar o que é a areia do que é pólvora.

Donde resquícios de morte se encontram no chão, esquecidos pelo tempo, e ocultados pelo vento.

O lugar aonde pode-se ouvir o eco do passado, e que agora, parece ressoar nos ouvidos de uma pequena pessoa.

Ali se encontra uma pequena menina. Vestindo um batido vestido, e sapatos desgastados. Em seus braços se encontra um pequenino ursinho de pelúcia, maltratado pelos empecilhos e sujo de poeira. Seus olhos. Os olhos da menina, são azuis. Sua pele é negra. O vestido é branco. Sua alma é nova. E seu coração é vazio. Não é vazio porque ela quer, e sim porque outros quiseram, outros que ela nem sequer imagina conhecer.

Ela não tinha, e não tem culpa. E nunca terá, pois sua linha vital será cortada pelos fragmentos, fragmentos desse confronto, que agora sobrevoavam sua cabeça, caindo perto de suas costas, e a atirando longe.

Esses fragmentos tinham um gosto amargo de sangue, o qual é confundido com suor, suor de escravos de uma guerra por números.

Seu corpo ensanguentou-se. Sentiu-se turva mas não hesitou em se por de pé novamente. Nenhuma lágrima ela escorreu, ela apenas correu, ou tentou correr, para onde seu pequeno ursinho havia voado. Ela caminhou com dificuldade mas chegou perto dele, e se atirou e o abraçou.

Ela abraçou com toda sua força aquele urso, como se fosse sua mãe, ou seu pai, ou até seu irmão, os quais ela nem sequer conviveu direito. Aquele urso. Aquele pequeno bolo de tecido e algodão era sua única família, e ela não o deixaria numa hora difícil, em um campo solitário, em uma guerra sem sentido.

E enquanto ela o abraçava. Uma lágrima se escorreu, apenas uma, e ali a menina morreu, enrolada no urso, que agora também chorava.

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