Volte ou busca-me

Ontem estive naquela cafeteria, estivestes lá? pensei ter te visto. Amanhã irei naquele lago, aquele que tem aquelas arvores esquisitas, estarás lá também? hoje eu sei que estás aqui, eu sei, eu sei. Palpável és aos sentidos de quem ama-te. Sinto seu espirito perto de mim, sussurrando em meus ouvidos, cantando doces segredos, dançando aventuras, rodopiando em ciranda, telepatiando lembranças tão nossas, outrora marginas, tão errantes, e que a cada dia faz-se mais e mais distantes.

O piano toca sozinho, Debussy? sempre acertas o que quero ouvir, conheces-me mais que eu mesmo, e se de fato é assim, por que? por que não estás aqui?
Vem em meu alento, vem que te sustento, dou-te minha alma como alimento.

Dizem que os espíritos rondam a terra, ronda-me então. Perturba-me. Suga-me até o último estágio de consciência. Não interessa-me o sol se ele não puder espelhar teu brilho. Não interessa-me o vento se não puder trazer-te para mim. Não interessa-me nada, se tudo que quero estar em ti.

Já vai embora? a noite ainda estarei aqui, volte! ou busca-me. Estou a sua própria sorte. Sem viver minha vida. Vivendo tão somente a sua morte.