Leão marinho ou cicatriz na mão?

Meu amigo, Vitor Timóteo. Após algumas horas de dor nas pernas por causa da minha primeira aula no spinning, juntamente com a reflexão por eu não poder te encontrar hoje, encontrei o elo que precisava pra colocar um pouco do tom das palavras que não terei com você, frente a frente, na noite de hoje (e nem você comigo, que escuta meus desabafos).

Pois bem, este texto era pra se chamar “Minha perna esquerda”, é ela a que está doendo mais no momento e que me rendeu um desabafo mental durante a manhã, desabafo que não foi parar no papel virtual. Mas como escrever um texto é parecido com o ato de viver, o início, meio e fim nem sempre saem como planejamos (que dor por não te ver hoje e porque fui burra de fazer spinning sem ter resistência física hahahaha parei), te dedicarei algumas palavras que pensei algumas semanas atrás.

No dia que eu decidi começar a praticar o exercício de escrita sugerido pelo Tales Gubes, eu travei. É, estava determinada a sentar e escrever sobre o ser vivo ou não vivo observado e acabei não o fazendo. Neste dia, pela manhã, eu estava fazendo esteira na academia (ó, coincidência ou não, parece que está tudo conectado, não é mesmo?) e vi a reportagem dos leões marinhos se aglomerando na costa litorânea do sul do Brasil. Tudo muito divertido de ver, fofinhos, os sulistas surpresos, eu lembrando da história do pinguim que ficou amigo fiel de um brasileiro. E então, senti que pimba! O tema pro exercício de escrita, após breve observação do cotidiano, tinha sido escolhido.

Mais tarde, no mesmo dia, enquanto eu voltava do trabalho e me encontrava dentro do ônibus a caminho de casa, fiquei reparando um senhor sentado perto de mim com algumas cicatrizes nas mãos. Olhei (tentei ser discreta, juro, e acho que consegui porque ele estava de costas pra mim, rá!) por um tempo e assumo que a vontade de trocar o tema do exercício de escrita bateu, viu. Quando a pessoa ao lado dele se levantou e ele trocou de cadeira para deixar o lugar do lado vazio, notei mais cicatrizes nos braços e aí o coração apertou de vez, só pensei “putz, eu querendo escrever sobre leão marinho e tem tanto assunto mais importante, sentimental e delicado que precisa ser falado…”. Desde então, não nasceu nenhum leão marinho ou cicatriz na mão, pelo menos não pelos dedos da minha mão (ou melhor falar pelo meu Drive?).

É, meu amigo, a vida é mesmo essa dualidade estranha que às vezes nos paralisa, faz a gente refletir sobre o que tem relevância pra nossa alma, inclusive na hora de escrever um texto. Não sei se você se lembra, há uns anos quando eu (veterana) e você (calouro) não tínhamos amizade forte, tanta intimidade, ou as merdas pra falar um com o outro e você me observava de longe, eu te observava de longe também e sei lá se o cosmos aquela época já estava tramando pra gente ser amigo (ó a observação aí de novo hahahaha). Pois bem novamente, espero que este texto supra um pouquinho da minha ausência no dia de hoje. Obrigada, de nada.