Seguindo o pior caminho

“Não sei se alguém algum dia lerá esse texto, nem sei se existem mais humanos vivos, além de mim. Mesmo assim, até como uma maneira de manter minha sanidade, eu faço este registro antes de morrer.

Há cerca de 3 anos, uma onda conservadora e fascista assolou todos os países como uma praga. As políticas contras aqueles que eram considerados diferentes tomou proporções extremas. Isso gerou convulsões sociais por todo o globo.

Em pouco tempo, esses governos, buscando manter-se no poder, endureceram ainda mais sua políticas internas, tirando sistematicamente o direito das pessoas e desviando o foco do problema para as nações que eles classificavam como terroristas. Em pouco tempo, mais da metade do Oriente Médio estava com governos de ocupação, explorando o povo e os recursos naturais.

Não demorou para antigos aliados se tornarem inimigos e as rodas da guerra começarem a rodar pelo mundo. Durante dois anos, cada país se armou e militarizou seu povo até o limite que podiam. A paz armada que eles estabeleceram era fraca e muito sensível. Foi quando aconteceu o “Natal Negro”: ninguém sabe quem realmente fez o atentado, mas foi o primeiro atentado nuclear da história, bem no coração de Manhattan. Milhões morreram, em poucos dias, a radiação fez outros milhões ficarem doentes.

O governo americano acusou outros governos pelo atentado, ou por vender a ogiva, ou por financiarem o atentado. E antes que houvesse uma investigação, ou uma conversa sensata entre os líderes, forças americanas tinham tomado a região petrolífera do sul da Rússia. Aliados americanos colocaram suas tropas na fronteira ocidental russa. Mas a reação russa foi assustadoramente inesperada. Em desvantagem tecnológica e com suas tropas sucateadas, o governo russo usa uma nova versão da tática de Terra Arrasada, e faz um ataque nuclear em seu próprio território ocupado ao sul. As baixas são gigantescas e a retaliação menos sensata possível.

Em 3 meses, a guerra nuclear tinha arrasado quase todo o planeta. Os poucos sobreviventes vagavam doentes pelos escombros que restaram após a guerra. E se não bastasse a radiação e a escassez de alimentos e água, o inverno nuclear era absurdamente cruel e intenso.

Infelizmente o destino me fez sobreviver e sofrer todas as consequências da insensatez humana. Nunca acreditei em outros planos e em vida após a morte, mas agora, espero sinceramente estar errado, para poder reencontrar as pessoas amadas que eu perdi.

Espero que ninguém encontre esse documento, pois não quero que mais ninguém esteja sobrevivendo neste inferno que nosso planeta se tornou.”