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Neuromancer e a cultura cyberpunk.

"O céu sobre o porto tinha cor de televisão num canal fora do ar." (Neuromancer — pág 23).

Ilustração da capa da versão brasileira da editora Aleph, por Josan Gonzalez a.k.a: Death Burger

Neuromancer, a obra de Willian Gibson, é um dos maiores clássicos da ficção científica, e considerada, por muitos, a obra precursora do movimento cyberpunk no mundo. Além disso, influenciou os irmãos Wachowski na trilogia "Matrix" e também muitas outras obras sobre ficção científica. O livro de 1984 foi um divisor de águas, trazendo um emaranhado de questões socioculturais, atreladas a uma tecnologia futurista imaginária. Colapso do futuro no presente, pós-humanidade, controle de megacorporações "tomando" o papel do estado, próteses e extensões que mudam a fisiologia humana, sociedades marginalizadas, território informacional, globalização, megalópoles decadentes e perigosas, vigilância corporativa tecnológica, IA's. Tudo isso e muito mais são catalisados pela obra Neuromancer, estabelecendo na cultura pop, o movimento cyberpunk.

Neuromancer conta a história de Case (o clássico anti-herói), um cowboy do ciberespaço (também conhecido como hacker). Como punição por tentar enganar seus patrões, uma neurotoxina é inserida em seu sistema nervoso impedindo-o de se conectar com o espaço virtual. Então ele acaba vagando pelas ruas de Tóquio, cometendo pequenos crimes para sobreviver. Case se envolve com mais personagens, dentre eles: Molly, um típico arquétipo do herói (atribuído por um papel feminino), e Armitage que faz o papel do chefe linha dura. Juntos se envolvem em uma jornada que mudará a realidade para sempre.

Os personagens de Neuromancer são complexos e interessantes, carregam em si diversos problemas cotidianos atrelados às complexidades que aquela sociedade futurista e pós-humana lhes traz. Cada um tem uma motivação própria que se relaciona entre o mundo virtual e o mundo real. Apesar da narrativa ser em 3ª pessoa, a perspectiva de Case é a que mais se destaca, caindo em seus pensamentos, sensações e delírios.

O autor mergulha o leitor dentro de um universo rico e apresenta uma narrativa extremamente visual, com passagens descritivas muito sensoriais, sendo a leitura um exercício imagético constante. É preciso se desprender de alguns conceitos e deixar a narrativa fluir com a sua própria imaginação. Gibson não introduz o universo, é preciso ir pescando dentro da história e ir construindo a suas próprias interpretações, o que deixa a leitura ainda mais interessante e sensitiva.

Neuromancer é uma apresentação crua e sombria de como os seres humanos podem se envolver com a tecnologia, é uma face nada romantizada, um futuro distópico, mas é também uma história incrível e aclamada pela crítica.

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Entrelivros é um blog de reviews literários e discussões sobre o mundo

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