Roda ágil: uma excelente ferramenta para medir a agilidade do seu time

Você não pode impor a produtividade, você deve fornecer as ferramentas para permitir que as pessoas se transformem no seu melhor.
David Allen

Gostaria de compartilhar com vocês, leitores, uma boa experiência que tive com uma dessas ferramentas transformadoras. Pesquisando sobre novos métodos para aplicar nas Retrospectives (retrô para os íntimos) do time no qual trabalho, me deparei com uma incrível ferramenta (vou tratar como uma ferramenta para avaliação) desenvolvida pela Agile Coach, Ana Paula Soares.

A ferramenta em questão se chama Roda Ágil e trata-se de um assessment de mensuração da maturidade de times que trabalham com desenvolvimento ágil.

Mas Natacha, o que diacho é um assessment ?

Assessment é um termo usado no ambiente empresarial. Trata-se de uma avaliação de competências que permite conhecer as pessoas com maior eficiência e critério, falicitando a busca por autoconhecimento e promovendo uma melhor gestão do conhecimento individual e coletiva.

Humm, entendi. E o que seria essa tal Roda Ágil?

Bem, antes de responder essa pergunta, é importante falar que a Ana Paula estudou e validou a ferramenta durante um ano com as equipes nas quais trabalha como Agile Coach, o que resultou em um modelo muito simples, adaptável e de fácil compreensão.

A ferramenta de avaliação foi criada a partir dos quatro domínios da agilidade (Cultural, Organizacional, Técnico e Negócios) — onde cada domínio possui seus pontos específicos.

Os materiais para aplicação da ferramenta são: uma folha A4 com o desenho da Roda Ágil impresso e 3 canetas coloridas (verde, amarelo e vermelha). Na proposta é ressaltada a importância da característica manual da aplicação, mostrando-se essencial para o engajamento e o resultado do time, que por sua vez, coloca a mão na massa ao colorir cada item.

De acordo com a autora o tipo de pontuação fica a escolha do time, podendo variar de 1 a 5 (números inteiros) ou 1.0, 1.25, 2.0, etc. A sugestão é que os níveis mais baixos sejam coloridos de vermelho, os medianos de amarelo e os maiores de verde.

Depois de analisar a Roda Ágil, tomei a liberdade de acrescentar círculos para facilitar na hora de colorir cada nível (mostro o resultado mais abaixo). Para aplicar seguimos os seguintes passos:

  1. Começamos entendendo o conceito da ferramenta;
  2. Definimos que a escala das notas para cada item seria de 1 a 5;
  3. Combinamos que usaríamos o app de scrum pocker (que utilizamos nas Plannings), com uma pequena adaptação, já que o app não possui o número 4 (ahh esse fibonacci!!!) — utilizamos então, o 144 para identificar o número 4;
  4. Iniciamos pelo quadrante ‘Cultural’ aprofundando conceitualmente item a item. Só depois de bem entendidos, jogávamos os valores;
  5. Quando havia divergências entre as notas as discussões ficavam mais intensas, cada um defendendo seu ponto de vista até que o time entrasse em um consenso;
  6. Enfim, com as notas definidas, os itens eram coloridos de acordo com a sua pontuação até que todos os quadrantes estivessem finalizados.

Depois de quase 3 horas de reunião, chegamos a esse resultado:

Resultado da Roda Ágil

Ao examinar o resultado da autoavaliação da equipe, observamos que os pontos mais fortes foram os relacionados a colaboração, compartilhamento, comprometimento e a relação com o cliente. Por outro lado, a equipe considera que a interdisciplinaridade, a automação dos processos e quebra das atividades precisam de mais atenção. Pontos como as métricas aplicadas no dia a dia, as práticas ágeis, e a abrangência dos testes se mostraram críticos, precisando de atenção e de ações de melhoria. Depois de observar os pontos mais críticos, começamos a realizar ações para melhorar os itens em amarelo e principalmente os em vermelho. Observamos que as métricas da equipe estavam equivocadas, o que gerava uma falsa sensação de alta produtividade.

Minhas considerações

Comparando o resultado da aplicação da Roda Ágil com os métodos que utilizamos em retrôs passadas, a Roda Ágil se mostrou mais eficiente, engajando mais a equipe em discussões de pontos muito importantes como as métricas que vínhamos utilizando e sobre a importância do código sustentável.

Como a ferramenta nos traz um ‘guia’ de características essenciais para que um time seja considerado ágil, as discussões se mostraram orientadas a um objetivo específico, o que não ocorria em retrôs passadas, em que os pontos eram levantados aleatoriamente pelo time.

O tempo de duração da cerimônia dessa retrô foi maior, por ter sido a primeira vez que aplicamos. Foi preciso entrar ponto a ponto elucidando termos que a equipe não conhecia como por exemplo Kaizen que é a prática da melhoria continua. As próximas aplicações serão mais rápidas, já que os termos já estão esclarecidos.

A folha A4 com a Roda Ágil preenchida foi exposta na nossa sala de reuniões. Por ser bem visual, conseguimos identificar rapidamente todos os pontos que precisam ser reforçados — o fato de a visualizarmos diariamente fortalece esse compromisso. Definimos que a aplicação da ferramenta será trimestral, tendo assim, um bom período para evolução de todo o time.

Extra

Todo final de sprint geramos um relatório com o desempenho do time, nele reportamos também os pontos discutidos nas retrôs. Para anexar a Roda no relatório, nosso UX —Stéfano Girardelli (talentosíssimo) — vetorizou a Roda Ágil facilitando este trabalho.

Roda Ágil vetorizada

Vou disponibilizar o arquivo em formato .ai.pdf para quem interessar.

Obrigada, até a próxima! 😉