Ernesto das Necessidades — Capítulo 31

Ernesto ficou tão empolgado com aquela descoberta sobre as necessidades! Ele havia achado uma maneira de não se sentir mais tão rude com as pessoas que amava. Por isso queria aplicá-la a todo momento. Porém, iria perceber que a prática não era tão fácil e mecânica assim…


Voltaram ao centro. Desta vez, levaram as crianças. O senhor Rosa tinha dito que elas iriam se divertir lá na parte de trás. Ernesto tinha medo de que Bruno e Guilherme tocassem o terror naquele local tão silencioso e pacífico, mas resolveram arriscar.

— Oi, meninos, tudo bem? E você, Nice, como está passando?

— Não muito bem, seu Rosa.

— Ernesto, porque não leva os meninos pra brincarem lá fora enquanto converso um pouco com sua esposa?

Ernesto queria ficar ali e aprender mais com Rosa, mas também queria muito ver Nice bem e mais calma. Concordou e foi com as crianças pra área.

Assim que viram as árvores e o labirinto cheio de pedras, correram pra lá.

— Que maneiro!

— Não corram, meninos! — percebeu que sua voz tinha saído alta demais. Sussurou: — tenham cuidado!

Mas as crianças já estavam longe, correndo e pulando pelas pedras do labirinto que Nice tinha conhecido em sua última visita ao centro.

Ernesto foi ficando nervoso.

Bruno era o mais animado. Pulava pra lá e pra cá entre as pedras. Já Guilherme ficou encucado com aquela construção. Decidiu modificá-la. Pegou uma pedra e mudou de lugar. Pensou em fechar alguns caminhos e abrir outros.

— Não mexam aí, meninos. — Ernesto ficou ainda mais nervoso.

Bruno também se interessou pela brincadeira.

— O que você está fazendo?

— No Minecraft fiz um labirinto maneiro. Tô tentando fazer ele aqui.

— Vou ajudar!

— Não mexe, Bruno, você vai estragar meu labirinto!!

Guilherme empurrou Bruno, que tropeçou numa pedra e caiu de bunda. Começou a chorar, mais pela rejeição do que por ter se machucado.

Mas não deu pra saber. Ernesto puxou Guilherme pelo braço, e foi levando-o até o banco embaixo de uma árvore.

— FALEI PRA NÃO MEXEREM NAS PEDRAS!

— Ai, pai!

Lembrou-se das necessidades. Decidiu comunicá-las.

— Quero que você fique aqui sentado, quieto. Vou ver se o Bruno se machucou.

Ernesto se aproximou de Guilherme para abraçá-lo. Este por sua vez deu um pulo pro outro extremo do banco.

— Não!

Ernesto tinha comunicado sua necessidade. Porque daquela vez não tinha dado certo?

Viu o senhor Rosa se dirigindo a eles.