Exigências escondidas em pedidos — Capítulo 32

Rosa ouviu os gritos e decidiu interromper a conversa com Nice para acudir o pai irritado. Ernesto tinha voltado ao seu habitual comportamento de impor o medo para conseguir a obediência de Bruno e Guilherme.

— Ernesto, você está nervoso com seus filhos.

— Claro! Eles destruíram o caminho do labirinto! Parecem vândalos!

— Eles são crianças, Ernesto. Precisam brincar.

— Mas ia inutilizar o labirinto…

— Sim, e seria uma linda oportunidade de vocês o construírem de novo… o que acham, meninos? Querem tentar fazer um novo labirinto?

Bruno e Guilherme já iam sair correndo quando Rosa os parou com um último comunicado:

— Mas antes quero que ouçam o seu pai.

Os meninos ficaram desanimados. Lá vinha bronca de novo. Rosa se virou para Ernesto. Nice,que acompanhava de longe, ficou um pouco com os meninos para que Rosa falasse com Ernesto.

— Diga pra eles o que está sentindo, e o que aflorou esses sentimentos. Ou seja, que necessidades não foram atendidas.

— Mas eu fiz isso. Tentei comunicar a eles minha necessidade de que ficassem quietos e comportados. Achei que iria funcionar, que eles iriam obedecer.

— Ernesto, quando fazemos um pedido e queremos que os outros obrigatoriamente o atendam, isso deixa de ser um pedido e se torna uma exigência. E exigências nos afastam do outros.

— Eu sou pai, Rosa. Preciso que as crianças tenham limites. Entende?

—Entendo. E o que esses limites vão proporcionar a eles?

— Segurança, proteção, saúde, amigos, amor.

— E quais destas coisas você acha que ficaram ameaçadas quando seus filhos brincaram no labirinto?

—Hmm, segurança, saúde.

— Ficar quietos e comportados é uma maneira deles terem segurança e saúde né.

— Isso! Finalmente você entendeu!

Rosa deu um tapa no braço de Ernesto, que simulou um “ai”.

— Mas não é a única, Ernesto! E digo mais, quando uma criança fica quieta e comportada, ou ela está dormindo ou está doente! Agora pense em quais necessidades Bruno e Guilherme têm quando estão ali no labirinto brincando.

Curiosamente, Ernesto pensou na pirâmide.

— Brincar? — refletiu um pouco mais.

— Divertir, imaginar, criar. Realizar!

Um pensamento veio como um raio a Ernesto: as crianças querem realizar coisas! As necessidades dele próprio, e dos pais em geral, estavam mais na base da pirâmide. As de Bruno e Guilherme estavam lá no topo: Realização e Propósito. Ele como pai também precisava criar condições para que seus filhos tivessem essas necessidades atendidas.

Rosa percebeu o brilho nos olhos de Ernesto e deu outro tapa em seu braço.

— Agora vai lá e conversa com eles…

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