De todas as viagens que já fiz…

Essa foi de longe a mais incrível!

Estive longe.

Estive longe de mim e essa foi a melhor experiência das últimas duas décadas. Ganhei as passagens da vida de ida e volta, nada foi planejado por mim e tudo ocorreu bem.

Sabe aqueles dias em que você acorda antes do despertador, abre os olhos, fixa o olhar no teto do quarto e pensa sobre as últimas coisas que aconteceram ou vem acontecendo contigo?! Então …

Era um dia de semana, não quis me importar com a aula na faculdade às 07:30 e não quis lembrar de olhar e responder emails. Por alguns instantes quis esquecer da minha rotina.

Essa foi a terceira vez em que me pego fazendo isso. É incrível como eu me desligo de tudo. As vezes tenho a impressão de que meu cérebro foi programado pra isso por alguém em algum lugar e o mais estranho é que já espero que aconteça novamente daqui a um tempo, só não sei quando.

Quando relaxei, os primeiros fatos que lembrei foram sobre o livro.


Em 2015 fui convidada para participar de um grande projeto. A ideia do projeto em si, consistia em escrever o primeiro tratado de Computação Forense do Brasil. Aceitei o convite e fiquei entre dezessete peritos federais, especialistas e professores da área de muito reconhecimento. Final de julho do mesmo ano entreguei meu capítulo completo sobre Exames Forenses em Computação em Nuvem, área a qual pesquiso já faz uns quatro anos mais ou menos.


Lembrei do meu primeiro semestre que se resumiu ao caos, tristeza e vitória. Exatamente nesta ordem. Lembrei de decisões que tomei quando estava de cabeça quente, outras mais tranquilas e decisões que mudariam minha vida. Lembrei do falecimento da minha avó e as lições que aprendi com este fato. Lembrei das pessoas que conheci, das que eu já conheço e das pessoas que tive que me reapresentar. Sim! Me reapresentei de forma discreta a pessoas que já conhecia.


É muito bom se reapresentar a pessoas que já se conhecia. É legal o fato de você passar a enxergar a real essência do outro. As vezes acreditávamos que algumas coisas eram de verdade, que existia um certo respeito na relação (pessoal, profissional, familiar e até mesmo fraterna), mas depois que você acorda e observa que não era nada daquilo, se arrepende. Dessa vez eu não quis só me arrepender, ficar de cara feia, me culpa por ter sido tola por muito tempo. Quis apenas me reapresentar a esta mesma pessoa. Quis enxergá-la de outra forma e passar a demonstrar que eu mudei, não em palavras, mas sim em gestos, ações e tentar ajudá-la a perceber seus próprios erros. É um pouco difícil, mas só sabe ver, quem quer enxergar.


De todas as lembranças que tive naquela manhã, a que mais me impactou foi esta. As pessoas tem um poder enorme de interferir de forma positiva ou negativa em nossas vidas e foi exatamente isso que me deixou mais pra baixo. Comecei, então a filtrar as pessoas que estavam ao meu lado e queriam o meu bem, daquelas que por algum motivo eu tinha ao meu lado, mas que talvez eu não estivesse ao lado delas, por exemplo. Digamos que foi como uma nova virada de século em minha vida, mesmo aos vinte e dois anos. Agora, tenho dois tempos: Joice antes da terceira viagem e Joice depois da terceira viagem.

Então, o fato do livro acarretou numa série de novas responsabilidades que eu não imaginava. É uma parada muito foda e ao mesmo tempo assustadora ( pelo menos pra mim). Por outro lado é gratificante ver as pessoas te reconhecendo na internet e falar o quão legal é o livro, te mencionar em posts relacionados a sua área de pesquisa — confesso que nunca pensei que faria isso com pouca idade, mas enfim.

Outro ponto que pensei bastante foi com relação ao meu tempo. Fiz uma aritmética básica relacionando a quantidade de horas que tinha no dia versus a quantidade de coisas que eu tinha pra fazer e olha … não fiquei feliz. Eu teria que ter no mínimo umas 30 horas por dia (só pra mim). Meu planejamento semanal era sempre fazer tudo (tarefas, trabalhos da faculdade e estágio) até o sábado e ter o domingo só pra mim, pra me cuidar, mas não dá! Hoje em dia, tá foda pra caralho. Antes da viagem eu tinha tempo as vezes depois do trabalho pra pegar um cinema, jantar com alguém e hoje, não. Quando não tenho reunião com sobre trabalhos da faculdade, tenho conferência da AAFS ou tenho que ler algo do TCC. — preciso reorganizar meu planejamento.

A parte boa nisso tudo, é que estou me enxergando de uma outra forma. Meus pais, meus amigos e minha irmã, notam isso e eu — sinceramente — não sei do ponto de vista deles detalhadamente, mas pra mim tá fazendo um bem danado. Dizem que é característica de capricornianos ser tão focados no que querem, mas depois disso tudo, sinto que estou no caminho certo do que eu quero de fato, mas também estou muito menos tolerante para algumas coisas, bastante crítica pra outras e com muita paciência — para o que e quem realmente me interessa.

Voltei a tocar violão em qualquer dia da semana (não só os dias em que eu estava estressada com algo), tenho dois novos livros de cabeceira pra ler, voltei a escrever hoje no Medium, vou realinhar algumas coisas com o pessoal da TRENDR e já estou preparando a estrutura pro meu capítulo da segunda edição do Tratado.

Tá tudo muito corrido, intenso, tá dolorido pra caralho, mas olha …

Eu quero é mais! — A música abaixo é para ilustrar o momento :)

Don’t Stop me Now — QUEEN (OFFICIAL VIDEO) From: Youtube.com — eu amo essa música!

Se curte a área de forense e quer saber mais sobre o livro, veja mais detalhes aqui

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Se quer me perguntar algo sobre minha viagem sem sair de casa, olhando pro teto e pensando em tudo, me mande um email: joice.dts@gmail.com

Fico feliz que tenha chegado até aqui. Volte sempre, beijos!

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