O que te define são suas ações e não suas intenções

Les Demoiselles d’Avignon, Paris, June-July 1907 — Pablo Picasso

Não adianta criarmos uma imagem diferente da que refletimos pro outro. Acredito que seja muito difícil a ideia do “brincar de ser” algo que não somos. Querendo ou não é perceptível, nota-se que há um personagem em cena.

Nossas manias sofrem modificações, o defeito gritante que não foi percebido no primeiro encontro é estampado em nossa face do tamanho do outdoor da próxima esquina e cabe também o reconhecimento de uma maliciosa e oculta contradição.

A arte de seduzir ignora qualquer parâmetro intelectual ou de aparência. Vale muito mais o que deixamos transparecer do que todo o status de vida ou o silicone aplicado à dois meses atrás.

Na hora de amar é necessário que estejamos nús de roupa, ambições, desejos materiais, de preocupações e matéria.

Na hora de amar deixa-se livre. Deixa ser com alma e sorrir não só com a boca, mas com os olhos.

Deixa-se não contar novas histórias e pára para relembrar das passadas, das histórias vividas ao lado do outro em outras vidas;

Preenche-te de boas memórias.

Há um fascínio em olhar pro outro e enxergar a verdade.

Um encanto repentino que me faz aumentar a profundidade do poço da ingenuidade, aumenta minha esperança em confiar e acreditar novamente nas pessoas.

É ficar vulnerável à qualquer malícia humana por aceitar ter uma alma pura e livre de qualquer tipo de más intenções.

É aceitar ficar cega por querer e sem-querer, viver os momentos mais incríveis.