FRAGMENTADO | PQP, Shyamalan!

Shyamalan já fez alguns filmes que eu tenho na minha lista de favoritos, como Sexto Sentido (1999) e Corpo Fechado (2000), mas assim como a maioria daqueles que assistiu o resto de sua filmografia, ficou bem claro o declínio na qualidade de suas produções, principalmente a necessidade de incluir um plot twist em todos os seus longas, o que deixou o artifício bastante forçado na maioria das vezes. Sinais (2002) pode não ter sido tão ruim quanto dizem e eu preciso dizer que curti A Vila (2004).

Mas quando o diretor começou a entregar trabalhos como o cansativo Fim dos Tempos (2008), o ofensivo Avatar — Último Mestre do Ar (2010) e o –claramente criado apenas para agradar Will Smith em sua necessidade de mostrar o filho em uma grande produção– desastroso Depois da Terra (2013), ficou difícil olhar na cara de Shyamalan sem achar que ele estava zombando de nós. Ele virou aquele tipo de diretor que você usa como piada — ouvi algumas muito engraçadas até, mas isso não vem ao caso.

Felizmente, com A Visita (2015) eu comecei a ficar esperançoso. Era um projeto menor, baixo orçamento e o resultado foi um filme sólido, com um enredo interessante e atuações competentes. Nada de incrível, mas comecei a pensar: “Então, Shyamalan, quando vamos ver você de verdade?”. Me pareceu que ele finalmente estava se divertindo com os filmes e usando seus maneirismos a seu favor, sem grande estúdio perturbando ou influenciando ele. Era o retorno de nosso amado “virador de enredo” (desculpem por essa)?

Não.

Mas com o lançamento de Fragmentado, parece que finalmente podemos ficar animados mais uma vez.

Calma, não é pra ficar tão animado assim, não acho que é o melhor trabalho dele como alguns estão afirmando, mas entra facilmente na lista dos melhores.

Em Fragmentado, três jovens são raptadas por um homem bastante estranho, e quando digo estranho quero dizer que ele já foi diagnosticado com 23 personalidades, cada uma com características e motivações distintas, mas nenhuma disposta a libertar as jovens.

Com uma premissa dessas, o resultado poderia ser um desastre, mas Shyamalan realmente fez funcionar, e uma grande parte do crédito vai para o elenco, principalmente James McAvoy.

McAvoy é aquele tipo de ator que consegue se destacar na maioria das produções. Sabe quando você não está gostando muito de um filme mas tem aquele ator que carrega ele nas costas? McAvoy é assim. E aqui ele parece se divertir no papel, realmente parece bobo em alguns momentos, mas até quando não se esforça, ele convence. Em Fragmentado ele é claramente o destaque, mas não chega a carregar o filme, porque Anya Taylor-Joy e Betty Buckley estão ótimas. Taylor-Joy já me surpreendeu com sua atuação em A Bruxa (2015), e aqui mostrou que não foi sorte de iniciante. Ela é a performance mais controlada do filme e por mais que McAvoy tenha várias personalidades, ela entregou a mais dramática.

O filme consegue usar bem a tensão e o mistério te mantém investido até o fim, até nos momentos onde a trama parece estar tomando proporções cada vez mais fora da proposta inicial (aparentemente). E é claro que temos o melhor amigo de Shyamalan, aquele que nunca o abandona, o querido plot twist (se você achou que este filme não teria um, principalmente se baseando em tudo que eu disse nos primeiros parágrafos dessa crítica, bem-vindo ao mundo de Shyamalan).

A reviravolta de Fragmentado é uma questão complicada de se avaliar. Ela pode deixar muita gente confusa que nem vai saber que é uma reviravolta, enquanto outros podem se sentir chocados. Eu me senti. Pode ter sido algo que afeta um pouco o resultado do filme como um todo, mas ganha um contexto gigante quando você entende.

Infelizmente, Shyamalan ainda traz alguns dos seus problemas dos últimos filmes aqui, como a direção inconsistente e problemas que me incomodam um pouco, como a montagem fraca. Por mais que o filme tenha o conceito de algo distorcido e fora de lugar, fica bem claro quando o filme está tentando fazer isso e quando isso acontece em momentos desnecessários. O que poderia ser uma técnica interessante para o filme acabou fazendo bastante falta.

Mas com bons atores e um bom enredo, Fragmentado é um filme que consegue finalmente deixar Shyamalan aliviado por um bom tempo.

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