E agora, o que será de Sherlock?

Todas as séries chegam a um fim. É triste, mas é a realidade. Algumas o fazem com decência, entendendo que não é porque algo é bom, que deve se tornar eterno. Outras apostam no sucesso do momento e se estendem até perder a essência, passam a produzir histórias ruins, a audiência despenca e acabam tendo de ser canceladas. Aí, vem uma parte bem desagradável: os caras têm que consertar a merda e geralmente dão um final ruim para a história. Mas enfim, esse não é o ponto do texto.

A série Sherlock, uma das melhores séries produzidas nos últimos anos, teve sua quarta temporada finalizada recentemente. Eu particularmente sou um grande apreciador da série e suspeito (muito!) pra falar de suas qualidades e de como ela conseguiu manter o seu padrão de qualidade nas temporadas anteriores. Mas ao final, acredito que todos ficaram com aquela pulga atrás da orelha: É o fim?

Muito se especulou sobre se haveria uma quarta temporada e se esta seria a última. No final de 2015, tivemos um episódio especial de natal, The Abominable Bride. O episódio veio quando já sabíamos que uma quarta temporada estava sendo produzida, mas só chegaria mais tarde. Foi um alento para todos que ficaram extasiados com o “Miss me?” no final da terceira temporada.

The Abominable Bride foi muito bem pensado. Apresentado ao público como um especial em que veríamos Sherlock e Watson na Inglaterra Vitoriana, período em que as histórias de Sir Arthur Conan Doyle foram escritas, imaginamos que seria apenas uma história solta, uma homenagem aos personagens de Conan Doyle. Todavia, de forma magistral, percebemos que era uma introdução para o que viria na quarta temporada. Mais uma vez a série se superou e jogou as expectativas lá pra cima.

E então a quarta temporada veio. Começou com um episódio morno, ‘The Six Thatchers’, mas que tem um final surpreendente e que leva a série a um lado sombrio nunca visto antes. Ainda no caminho das trevas, temos o segundo episódio, ‘The Lying Detective’, que em seu final traz um alívio momentâneo para toda a dor e sofrimento gerados no episódio anterior. O espectador tem a ideia de que o pior passou e que o terceiro episódio será para a conclusão da ‘ponta solta’ deixada no segundo. E aí vem o terceiro…

O episódio final, ‘The Final Problem’, te arrasta novamente a toda tensão do começo da série, fechando um ciclo de redenção. Engraçado que todos os episódios de Sherlock têm como título alguma referência a uma história do personagem. Por exemplo, The Lying Detective é uma alusão ao conto ‘The Dying Detective’, onde aparece o vilão Culverton Smith; e assim é com os demais episódios da série. Só que The Final Problem originalmente é a história em que Doyle mata Sherlock junto com o Professor Moriarty, fato que vimos no final da segunda temporada.

Qual era então o problema final? Eu não vou entregar aqui. Não gosto de spoilers. O fato é que tudo se encaixa perfeitamente e temos uma conclusão muito bem amarrada não apenas para a temporada, mas para toda a série. É como se o que iniciou lá na primeira temporada se encerrasse nesse episódio, fechando um ciclo. Até a cena final do episódio retrata perfeitamente um encerramento.

Sherlock Holmes e John Watson serão eternos, continuarão vivos, serão lembrados em outras histórias, outras produções. Por isso que acredito ser o melhor momento para encerrar a série. O caminho foi percorrido e chegou ao final. Se os produtores quiserem retomar Sherlock, devem pensar em algo a longo prazo, duas, três temporadas, para que uma nova jornada seja construída e concluída satisfatoriamente como aconteceu nessa.

Eu espero muito que esse seja o final. Falo isso com o coração partido, mas acredito que a série contou o que deveria contar. Trazer novos episódios, novas temporadas simplesmente pela audiência do público é correr o risco de macular uma produção que fica registrada como algo de muita qualidade. Respondendo a pergunta feita no início para mim: é o fim. Um fim muito bem construído e que nos faz bater palmas e bradar: “Bravo! Viva Sherlock!”

P.S.: Nos vemos por aí, Sherlock e John. Em algum momento bateremos novamente à porta de Baker Street 221B.